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Dicas de português

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postado em 17/07/2013 18:00 / atualizado em 17/07/2013 11:58

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Recado
“Na França, aprendi a falar francês. Era questão de sobrevivência.”
Frederico Alves Guerdes, o Fred da Seleção

Renascentistas em terras tropicais
São Paulo está em festa. Pinturas, desenhos e esculturas de Rafael, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Botticelli, Ticiano atravessaram o Atlântico e se hospedaram no Centro Cultural Banco do Brasil. Os paulistas enfrentam longas filas pra apreciar os mestres do Renascimento italiano. Enquanto esperam, leem folheto informativo distribuído gratuitamente a todos.

Ops! Os autores capricharam na aparência, mas se descuidaram da língua. Escreveram sócio-cultural assim, com hífen. Uma olhadinha no dicionário lhes diria que a duplinha se grafa colada (sociocultural). Não só. Lá pelas tantas, tropeçam na preposição: "A mostra apresenta obras de artistas como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Bottticelli, Ticiano, dentre outros". Dentre? Nem pensar. É a vez do entre.

Obra rara
Entre ou dentre? Em geral, entre. Dentre é combinação das preposições de + entre. Usa-se só quando pode ser substituída por do meio de: O macaco saiu dentre (do meio de) duas árvores. Cristo ressurgiu dentre (do meio de) os mortos. Não é o caso em questão.

Vamos combinar? O "entre outros" sobra. A presença do como informa que se trata de exemplificação, há outros artistas expostos. Se quiser manter a duplinha, livre-se do como. Assim: A mostra apresenta obras de artistas como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Bottticelli e Ticiano. A mostra apresenta obras de Leonardo da Vinci, Michelangelo, Bottticelli, Ticiano, entre outros.

Indiscrição
Edward Snowden deu uma ajudinha ao andar de cima ao denunciar rede de espionagem mantida pelos Estados Unidos. E-mails e telefonemas de moradores de Europa, França e Bahia caem na rede americana. Surpresa? Não. Desde sempre, a espionagem faz a festa no mundo. O novo é a escala. Nunca antes se obteve tanta informação tão rapidamente. As autoridades aproveitaram a denúncia pra desviar a atenção das ruas. A imprensa foi atrás. Ao divulgar o fato, pintou uma dúvida. Como se escreve contraespionagem? A resposta: o prefixo contra- obedece à regra da maioria. Pede hífen quando seguido de h e a (letras iguais se rejeitam). No mais, é tudo colado: contra-humanidade, contra-ataque, contramão, contraespionagem, contrarregra.

Caprichos
Estreia não tem acento. Fiéis tem. Mas ambas exibem o ditongo aberto ei. Por quê? São artes da reforma ortográfica. A mudança só atingiu as paroxítonas. Obedientes, estreia, ideia, assembleia, prosopopeia abriram mão do grampinho. Fiéis, papéis, coronéis, anéis, méis jogam em outros times. Os quatro primeiros, no das oxítonas. O último, no dos monossílabos tônicos. Por isso continuam como sempre estiveram — carregam o agudão na cabeça. O mesmo ocorre com o ditongo aberto oi. Nas oxítonas, o danado bateu asas e voou (paranoico, heroico, joia, jiboia, paranoia). Nas oxítonas e monossílabos tônicos, mantém-se firme e forte: lençóis, caracóis, dói.

Leitor pergunta
O português cassou todos os acentos diferenciais da língua?
Lima Soares, Goiânia
A reforma cassou os agudos e circunflexos diferenciais que sobraram da reforma de 1972 (só manteve o pôde, passado de poder). Para, do verbo parar, perdeu o agudo. Polo também. Pelo, pela (eu pelo, ele pela, o pelo do gato), foram atrás. Exceção? Só o pôr. O pequenino escapou da degola por ser monossílabo. Agora, a língua só tem dois vocábulos com acentos diferenciais: Hoje ele pode pôr o livro na 

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