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postado em 31/07/2013 16:00 / atualizado em 31/07/2013 13:18

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Recado
“Nem você nem eu conhecemos nenhuma mãe por correspondência.”
Papa Francisco

 


Que saudade…
“Já começo a sentir saudades”, repetiu Francisco um montão de vezes no discurso de despedida. Foram duas surpresas. Uma: oba! O papa conhece a portuguesíssima palavra que, dizem, não tem tradução. E a empregou como manda o dicionário. A outra: que susto! Sua Santidade tropeçou no plural? No singular, saudade não daria o recado? Daria. O s não se impõe. Sobra. Mas não rouba pontos do pontífice.
O mesmo ocorre com ciúmes. Basta ciúme. Mas exagerados não se conformam com o suficiente. Preferem ir além. Acham que só o plural dá a dimensão do sentimento que lhes rouba a paz e a autoestima. A língua lhes estende a mão. Que aproveitem.


Por falar nela…
Casimiro de Abreu, em 1859, publicou o poema “Meus oito anos”. Estudantes de ontem e de hoje conhecem a primeira estrofe de cor e salteado. Lembra-se? Ei-la:
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!


Ora vejam!
Ao chegar a Roma, Sua Santidade fez declaração que alvoroçou Europa, França e Bahia. “Se uma pessoa é gay”, disse ele, “busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?” O papa, com a clareza e a misericórdia de sempre, tocou em um dos temas mais sensíveis da Igreja. Ao fazê-lo, agitou redações de jornais e revistas. Sites e blogues também entraram no tumulto. A questão: gay ganhou nacionalidade portuguesa?

Sobraram palpites. Achismos pulularam a torto e a direito. As redes sociais se entupiram de mensagens que buscavam jogar luz sobre a dúvida. Depois de idas e vindas, o jeito foi consultar quem sabe das coisas. O Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (Volp) registra guei. O Aurélio também. O Houaiss ignora a novidade. E daí? Melhor manter a inglesinha. A forma naturalizada causa estranheza. Talvez até nem seja entendida. Valha-nos, Senhor!


Até Deus duvida
Que roubada! Moradores de Guaratiba esperavam fazer bonito na Jornada Mundial da Juventude. A chuva não deixou. O terreno virou enorme lamaçal. Eduardo Paes, prefeito do Rio, botou panos quentes no fiasco. Anunciou a transformação do Campo da Fé em bairro popular. A proposta é dar casa a quem mora em condições…ops! subumanas ou sub-humanas? O dicionário registra as duas formas. Oba! Você escolhe.


Que tal assumir?
“Acho que ainda há bolsões de intolerância muito fortes”, disse o ministro Joaquim Barbosa ao declarar que o Brasil não está preparado para eleger um presidente negro. Não convenceu. Sem conjugar o verbo assumir, o presidente do Supremo Tribunal Federal ficou no achismo. Que pena! Roubou a força da frase. Que tal devolver a potência ao enunciado? É fácil. Tesoura na mão, cortemos o “eu acho”. Assim: Ainda há bolsões de intolerância muito fortes.


Leitor pergunta
Ao ler a dica de domingo, fiquei com dúvida quanto ao uso de vírgulas para isolar adjunto o adverbial deslocado. O texto está assim: “Louco por gente, o papa conjugou sem economia os verbos sorrir e saudar”. Achei que as vírgulas isolando o adjunto adverbial “sem economia” fossem obrigatórias... Elas são facultativas ou proibidas?

Lineu Carvalho — Curitiba

A gramática manda separar o adjunto adverbial deslocado. Ele aparece em orações escritas na ordem inversa. Em vez de sujeito + verbo + objeto + adjunto adverbial (ordem direta), termos rebeldes mudam de lugar. Ao fazê-lo, o adjunto adverbial ganha destaque. Separa-se por vírgulas. Compare:
Ordem direta: O papa conjugou os verbos sorrir e saudar sem economia.
Ordem inversa: Sem economia, o papa conjugou os verbos sorrir e saudar. O papa conjugou, sem economia, os verbos sorrir e saudar. O papa, sem economia, conjugou os verbos sorrir e saudar.
Exceção? Há uma. Se o adjunto adverbial é pequeno (formado de uma palavra), a vírgula é facultativa: Fala-se português aqui. Aqui se fala português. Aqui, fala-se português.
Jornais e revistas odeiam vírgulas. Os manuais de redação permitem que adjuntos adverbiais com até três palavras apareçam livres e soltos. Ou presos, se a clareza ou ritmo da frase exigir.
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