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Dicas de português

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postado em 14/08/2013 18:00 / atualizado em 14/08/2013 12:17

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Recado
“Suportam melhor a censura os que merecem elogio.”
Pope

Quem dá mais?
“Cada dia com a sua agonia”, diz o povo sabido. Certo? Certo. Mas não universal. Algumas torturas têm vida mais longa. É o caso do trem-bala. Desde 2009, a concorrência para o projeto entrou no jogo do empurra. O terceiro adiamento foi anunciado na terça. Não deu outra. A palavra leilão ganhou manchetes. Pintou, então, a curiosidade. De onde veio o vocábulo?

Os dicionários de etimologia respondem. A dissílaba nasceu árabe. Na língua de Kalil Gibram, al-ã´lãm quer dizer venda pública. Na de Camões, também. “Quem dá mais?”, pergunta o leiloeiro. A provocação segue até a batida do martelo. Leva o objeto quem bota a mão mais fundo no bolso. Em bom português: quem dá o lance mais alto.


Xô, excesso
Adiar pra depois? Valha-nos, Deus. É pleonasmo que joga no time do sobe pra cima, desce pra baixo, entra pra dentro ou sai pra fora. Ou do epílogo final, erário público, fato real, escolha opcional. Adiar é sempre pra depois. Subir é sempre pra cima. Descer é sempre pra baixo.

Entrar é sempre pra dentro e sair sempre pra fora. O epílogo é sempre final. O erário, público. O fato, real. A escolha, opcional. Melhor livrar-se do peso inútil. Basta adiar, subir, descer, entrar, sair, epílogo, erário, fato, escolha. Sem a redundância, ah, alívio!


Já era
Sabia? Enquanto nós adiamos o trem-bala, os americanos pensam no hyperloop. Trata-se de uma espécie de cápsula mágica. Vale comparar: de avião, a viagem de Nova York a Washington gasta 1h30. Embarcado na novidade, chega-se ao destino em 15 minutos. A notícia alvoroçou os louquinhos por velocidade. No calor da discussão, pintou uma dúvida. Ocorre crase no enunciado de Nova York a Washington?

A questão é velha como o rascunho da Bíblia. Mas persiste apesar da idade avançada. É que muitos se esquecem dos casaizinhos da língua. Eternos apaixonados, eles têm uma marca. O que acontece com um par acontece om o outro. Assim:

1. se um par é preposição pura, o outro também será. É o caso de de…a: Trabalho de segunda a sexta. Fui de São Paulo a Curitiba. O hyperloop vai de Nova York a Washington em 15 minutos.

2. se um par é preposição com artigo, o outro vai atrás: Estudo das 8h às 13h. Do crack à barbárie é um salto. Li da pág. 3 à (pág) 40. Corri da quadra 5 à quadra 7.


Sem ingenuidade
Nome de bairros, cidades e países são calo no pé dos casaizinhos. A razão: alguns se usam com artigo. É o caso de o Leblon, a Barra, o Rio, o Guará, o Brasil, as Bahamas. Outros dispensam o pequenino. Copacabana, Brasília, Paris, Portugal, Cuba servem de exemplo.

E daí? Bem, o casamento não tem o poder de mudar a natureza das criaturas. Cada um fica na sua. Veja: Vou de São Paulo ao Rio. Viajou de Cuba aos Estados Unidos. Voou do Amazonas a Brasília. Dirige de Copacabana ao Leblon todos os dias.


Eça e as línguas
“Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra. Todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.”


Sobe e desce
“Política é como nuvem”, disse Magalhães Pinto. “Você olha, está de um jeito. Olha de novo, está diferente.” O velho banqueiro das Gerais com certeza pensava no vaivém das pesquisas. Em menos de dois meses, a avaliação de Dilma Rousseff despencou. Antes de junho, tinha 57% de aprovação. Um mês depois, bateu nos 30%. Agora, subiu para 38%. Em suma: foi de 57% para 30%. É alívio chegar a 38%. Reparou? Sempre que falar em percentagem, o % é obrigatório.


Leitor pergunta

É certo dizer de zero a cinco anos? Por quê?
Catarina, Perdões (MG)

Olho vivo, Catarina. Para completar um ano, são necessários 365 dias. Não existe, por isso, zero ano. Fique com esta construção: criança de até 5 anos.
 

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