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postado em 02/04/2014 12:11

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Recado
“Queixam-se muitos de pouco dinheiro, outros de pouca fortuna, alguns de pouca memória, nenhum de pouco juízo.”
Marquês de Maricá

 


Perdão, senhores
Jornais, rádios, tevês, internet tocam a mesma nota. Falam dos 50 anos do golpe que sequestrou a liberdade dos brasileiros. Não satisfeita, a ditadura prendeu, torturou, roubou vidas. Valha-nos, Deus! Xô! Entre as manifestações de repúdio ao 31 de março, sobressaiu a do ministro da Justiça. Meio século depois, ele pediu perdão aos cidadãos. Com o gesto, trouxe à tona o verbo perdoar. Mais precisamente: o calo da regência. Como lidar com criatura tão generosa? A forma mais comum é esta:

1. Perdoa-se simplesmente: Deus perdoa. Os vingativos nunca perdoam. Perdoa para seres perdoado.

2. Perdoa-se alguma coisa: Deus perdoa os pecados. O professor perdoou a bagunça da moçada. Vamos perdoar a dívida deles?

3. Perdoa-se a alguém: Deus perdoa aos pecadores. A Receita não perdoa aos devedores. Você perdoa aos jogadores que perdem gol? Perdoa-lhes, Senhor.

4. Perdoa-se alguma coisa a alguém: O pai perdoou ao filho as repetidas reprovações. O chefe lhe perdoa as falhas. O povo perdoará aos torturadores a morte de brasileiros?


Jeitinho de pedir
José Eduardo Cardozo pediu que os brasileiros perdoassem o Brasil? Pediu para que os brasileiros perdoassem o Brasil? Olho vivo! Existem os dois jeitinhos de pedir. Mas não são sinônimos. Pedir que significa solicitar. Pedir para esconde a palavra licença. Quer dizer pedir licença para fazer alguma coisa: O filho pediu ao pai para dormir na casa do colega (pediu licença, autorização). José Eduardo Cardozo pediu que os brasileiros perdoassem o Brasil.


Vai e volta
Idas e vindas têm duas grafias. Uma: vai e vem. A outra: vaivém. Ambas merecem banda de música e tapete vermelho.


Livro
“Quando leio um livro, tenho a impressão de lê-lo somente com os olhos, mas, de vez em quando, eu topo com um trecho, talvez apenas uma frase, que tem significação pra mim, e ele se torna parte de mim. Tirei do livro tudo que me é de alguma utilidade e não posso extrair mais, ainda que o leia uma dúzia de vezes. Parece-me que cada um de nós se assemelha a um botão fechado, e maior parte do que lê e faz não faz efeito nenhum. Mas há certas coisas que têm significação particular para a gente, e elas abrem uma pétala; e as pétalas se abrem uma por uma, e no fim a flor está aí.” (Somerset Maugham)


Ninguém quer
Nana Queiroz leu a notícia. Não acreditou. Leu de novo. Era aquilo mesmo: pesquisa do Ipea fez descoberta assustadora. Nada menos que 65% dos brasileiros disseram que mulher que mostra o corpo merece ser atacada. Pode? Não pode. Mas há muita gente que pensa desse jeitinho. Ela lançou na internet a campanha #EuNãoMereçoSerEstuprada.

A moblização ganhou adeptos. Até a presidente Dilma lhe manifestou apoio. Pintou, então, uma dúvida. Trata-se da grafia de antiestupro. Com hífen? Sem hífen? Consultado, o dicionário deu a resposta. Anti- joga no time geral. Pede hífen quando seguido de h ou quando letras iguais se encontram. No caso, i: anti-histórico, anti-horário, anti-imperialista, anti-inflação, mas anticartel, antimachismo, anticristão. E, claro, antiestupro.


Será?
Médico cubano foi encontrado morto em hotel de Brasília. A polícia suspeita de suicídio. Conjuga, então, o verbo suicidar-se. Assim mesmo. Ele é pronominal — sempre, sem exceção (eu me suicido, ele se suicida, nós nos suicidamos, eles se suicidam). O médico terá se suicidado? Sabe-se lá. Talvez tenha se suicidado.

Leitor pergunta
Tenho lido a expressão em alto e bom som. Acho estranho. Aprendi que é alto e bom som. Houve mudança? Ou o descuido com a língua segue fazendo estragos?

Dilma Correa, Porto Alegre

A expressão é alto e bom som. O em, que se infiltra de vez em quando sem convite, é penetra. Xô! Melhor: Ela disse alto e bom som que vai pedir demissão e cair no mundo.
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