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Dicas de português

Recado %u201CEscrever, amigos meus, é muito perigoso.%u201D José Paulo Cavalcanti

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postado em 30/04/2014 16:34

 

Reprodução/instagram

O quê dos quês

Acento e pronúncia formam par inseparável. Agudo e circunflexo só caem sobre a sílaba tônica. Em dissílabos, trissílabos e polissílabos, descobrir a fortona é fácil como passar criança pra trás na fila. Com os monossílabos, porém, a história muda de enredo. Os pequeninos obedecem às regras das oxítonas. Acentuam-se os terminados em a, e e o seguidos ou não de s. Veja: está (dá), estás (dás), pajé (dê), pajés (dês), vovó (dó), vovós (dós).

Simples assim. Por que, então, o quê dá nó nos miolos? Porque o danado muda de time a torto e a direito. Ora é conjunção. Ora pronome. Ora substantivo. A primeira equipe não dá problemas. Apresenta-se sempre com a mesma cara. As duas outras provocam enxaqueca. Às vezes pedem chapéu. Outras vezes dispensam o acessório. Você sabe lidar com as estripulias delas? Antes de responder, faça o teste.

Teste
Ponha o acento onde couber:


Leio e escrevo sem dificuldade. Mas um que sempre me deu nó nos miolos. Trata-se da grafia do que. Com acento? Sem acento? Insegura, chuto. Acerto? Qual o que! A Lei de Murphy fala alto. O que pode dar errado dá. Fazer o que? A resposta é uma só. Estudar o que dos ques. Desvendados os mistérios do monossílabo, fica uma certeza. O que não é tão feio quanto parece. Veja por que.

Você merece nota 10 se conseguiu distinguir as equipes:

1º time
A equipe da conjunção ou do pronome relativo se apresenta com a mesma cara — sem acento: Disse que acabará o estágio em dezembro. Saia mais cedo, que o metrô não circula hoje. Todos aplaudiram Neymar, que postou foto dele e do filho com banana na mão. Bela sacada.

2º time
As outras equipes provocam dor de cabeça. Por duas razões. De um lado, a criatura tem o poder da mobilidade. Salta daqui para ali como macaco salta de galho. De outro, varia de classe gramatical. Passa de pronome a substantivo com a facilidade com que descartamos tênis velhos. O preço das mudanças é o acento. Quando usá-lo? Em duas oportunidades:

1. Quando o quê for substantivo. Aí será antecedido de pronome, artigo ou numeral. Como todo nome, tem plural: Gisele Bündchen na passarela tem um quê de sedutor. Qual o mistério dos quês? Este quê não me confunde mais. Corte os quês da redação. Belo quê você introduziu no discurso. Quem mandou?

2. Quando o quê for a última palavra da frase — a última mesmo, coladinha no ponto: Trabalhar pra quê? Riu, mas não disse por quê. Você se atrasou por quê? Ele se ofendeu com quê? Quero saber a razão do emprego desse quê.

Resposta
É isso. Desvendados os mistérios dos empregos, o quê se recolhe à própria insignificância. Redatores que arrancam os cabelos por causa do acentinho chegam à conclusão óbvia: não há por que temer o quê. Ele é mais manso que o gatinho lá de casa. Confira o teste:

Transito bem pela língua portuguesa. Leio e escrevo sem dificuldade. Mas um quê sempre me deu nó nos miolos. Trata-se da grafia do quê. Com acento? Sem acento? Insegura, chuto. Acerto? Qual o quê! A Lei de Murphy fala alto. O que pode dar errado dá. Fazer o quê? A resposta é uma só. Estudar o quê dos quês. Desvendados os mistérios do monossílabo, fica a certeza. O quê, como o cão chupando manga, não é tão feio quanto parece. Veja por quê.

Leitor pergunta
Estava comentando personagens das novelas quando pintou a dúvida: mau caráter e bom caráter têm plural?

Gláucia Severo, Porto Alegre


A duplinha tem plural sim, amiga: maus caracteres e bons caracteres.

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Li uma frase que me causou estranheza. É esta: Livros a preço popular. De imediato, pensei: não deveria ser “livros a preços populares”? Depois, raciocinei: bom, popular é o preço, não o livro. Então, deve fazer sentido. Mas a dúvida persistiu. E aí, como é que fica?

Gilberto Nogueira, Brasília

Fique com o singular. É suficiente. Veja outros exemplos: produtos a peso de ouro, viagens a custo zero, joias a preço de banana.

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