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Dicas de português

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postado em 25/06/2014 14:00

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Recado
“Técnicas de redação todos sabem de cor, mas falta poesia nos textos. Poesia no sentido mais amplo da palavra... é a maneira de ver a vida, de perceber a realizada. Só sua!”
José Carlos Vieira

 


Regras de ouro do estilo (3)
Menor é melhor. Menos é mais. Variar pra agradar. As três regras de ouro do estilo estão ao alcance da mão. Quem escreve tem os requisitos básicos pra redigir um texto. Domina número suficiente de vocábulos, as manhas da grafia, as normas da construção de frase e da organização de parágrafos.

Mas, pra sobressair, precisa ir além. Entra aí a série de dicas da coluna. Com elas, subimos dois degraus na requintada escada da expressão. Um: escrevemos mensagens fáceis, claras, concisas e sedutoras. A outra: conquistamos o leitor. Não é pouco.


Menos é mais
O que é concisão? Faça a sua aposta. Respondeu “escrever pouco”? Errou. Conciso não é lacônico. É denso. Opõe-se a vago, impreciso, verborrágico. No estilo denso, cada palavra, cada frase, cada parágrafo deve estar impregnado de sentido. A regra: cortar sem prejuízo da completa e eficaz expressão do pensamento. Como chegar lá? Conjugue dois verbos — Um: cortar. O outro: trocar. Vamos lá?


Vem, tesoura
1. Corte, nas datas, os substantivos dia, mês e ano: em vez de no mês de janeiro, janeiro; no mês de novembro, novembro; no ano de 2013, 2013.

2. Livre-se de artigos indefinidos. Em 99% das frases, a criatura sobra: No fim de semana, houve (um) entra e sai na Papuda como jamais se viu. Os presidenciáveis prometem traçar (um) plano de redução dos gastos públicos. O deputado pediu (um) adiamento da votação do projeto.

3. Casse possessivos. O pronomes seu e sua são uma das piores pragas do texto. Além de sobrecarregar a frase, tornam-na ambígua. Xô! Assim: Levantou a (sua) mão pra dizer que estava presente. Com ar divertido, mexeu os (seus) ombros. Balançou a (sua) cabeça com graça. Calçou os (seus) sapatos às pressas. A campanha foi equilibrada até o (seu) fim. Pra manter o (seu) ritmo de crescimento, o agronegócio precisa de excelentes estradas. O empresário endurece as (suas) críticas ao governo.

4. Mande os adjetivos-ônibus plantar batata. Termos vazios e inexpressivos, eles se aplicam a qualquer substantivo. É o caso de maravilhoso, formidável, fantástico, lindo, bonito, espetacular, bonito, interessante & cia. ilimitada. Xô!

5. Expulse os adjetivos-chavões. Associados a certos substantivos, os mesmeiros formam lugares-comuns pela insistência do uso. Fuja deles. É fácil: ascensão meteórica (em que consiste?), lucros fabulosos (quanto?), inflação galopante (índice?), congestionamento monstruoso (quantos carros?), prejuízos incalculáveis (valor aproximado?), vitória esmagadora (número de votos? Percentagem?).

6. Enxote pronomes enxotáveis. É o caso de todos e algum. Como? Basta conhecer as manhas do artigo definido. Ao dizer “os professores entraram em greve”, englobam-se todos os mestres. Se não são todos, o artigo não tem vez: Professores entraram em greve.

Compare:

A presidente convocou todos os ministros. A presidente convocou os ministros.

A presidente convocou alguns ministros para a reunião. A presidente convocou ministros para a reunião.

Vou à missa todos os domingos. Vou à missa aos domingos.

Na sala, há algumas crianças superdotadas. Na sala, há crianças superdotadas.


Leitor pergunta
Podemos misturar tempos verbais como no exemplo abaixo?

Acreditamos que bons exemplos mereçam ser divulgados e devem servir de incentivo para que outras cooperativas aprimorem ainda mais as práticas de gestão e governança.

Gabriela Afonso, Brasília

No caso, Gabi, os dois verbos estão subordinados a acreditar que. O subjuntivo se impõe: Acreditamos que bons exemplos mereçam ser divulgados e devam servir de incentivo para que outras cooperativas aprimorem ainda mais as práticas de gestão e governança.
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