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Só para menores?

Fenômeno de vendas no exterior, literatura young adult é representada no Brasil por nomes como Thalita Rebouças e Paula Pimenta. Em dois meses, as autoras lançarão o primeiro livro em parceria

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postado em 05/05/2015 13:29 / atualizado em 05/05/2015 13:33

Rebeca Oliveira /


A carioca Thalita Rebouças, veterana no segmento young adult:
 

 

 

A carioca Thalita Rebouças, veterana no segmento young adult: "Nunca distingui minhas obras por quem as acompanha"


O sucesso da película A culpa é das estrelas, dirigida por Josh Boone, ainda hoje repercute nas vendas do best-seller homônimo de John Green, queridinho pelo público young adult (jovem adulto, em tradução literal). Com 6,2 milhões de espectadores, o longa foi o mais assistido do ano passado. O diretor e o autor americano não foram os únicos a perceber a potência desse nicho literário e, num cenário em que estrangeiros predominam, escritoras brasileiras também se sobressaem.

A carioca Thalita Rebouças e a mineira Paula Pimenta são antigas conhecidas dos leitores desse filão, que agrupa adolescentes e jovens dos 13 aos 18 anos. Juntas, venderam quase 2,5 milhões de exemplares em obras traduzidas para inglês e espanhol. Marca expressiva no Brasil, que amarga a oitava posição no ranking de analfabetos adultos, atrás de países como a Nigéria e a Etiópia, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Um dos motivos para essa forte presença no mercado editorial é o fenômeno conhecido por crossover, quando um livro pode ser lido tanto por adultos quanto por adolescentes.

Ao se debruçar sobre um novo projeto, Thalita garante não seguir moldes ou fórmulas literárias pré-programadas. Ela afirma não pensar como um adolescente no momento da escrita. “Escrevo o que gostaria de ler. Já fiz um livro para adultos, mas nunca distingui minhas obras por quem as acompanha. Meu objetivo é fazer rir, e isso independe de idade”, garante a carioca de 40 anos. A mineira Paula Pimenta segue uma filosofia semelhante. “Procuro criar protagonistas com personalidades diferentes e também criar conflitos que ainda não tenham sido abordados em outras histórias”, acrescenta a autora de Cinderela Pop, que tem figurado na lista dos livros de ficção mais vendidos do Brasil.

Em conjunto

Em dois meses, chegará ao mercado um novo título que reúne as duas, mais as escritoras Bruna Vieira — autora de Não se apega, não (Intrínseca), o 8º livro mais vendido do ano passado — e Babi Dewet, da série Sábado à noite. Trata-se da obra Um ano inesquecível (Editora Gutenberg), aguardada pelos milhares de fãs que as acompanham nas livrarias e também nas redes sociais, fundamental para as autoras.

“Quando comecei não havia nem Orkut (risos). As redes sociais eram coadjuvantes, e, atualmente, são fundamentais”, conta a carioca que tem 750 mil fãs na web. Segundo ela, quando com um bom livro na mão, os jovens abrem mão de algumas horas no WhatsApp, Facebook ou outros aplicativos. “Quando terminam de ler, eles saem do papel e vão para a web comentar sobre o livro”, acrescenta Thalita.

“Os sites dos meus livros também têm detalhes a mais para que, ao final da leitura, quando dá aquela saudade dos personagens, o leitor possa visitar e se sentir perto da história por mais tempo”, emenda Paula Pimenta.

As coautoras Bruna Vieira e Babi Dewet foram leitoras de Talita e Paula. Em blogs e sites, disseminavam as obras por meio de posts que recomendavam as publicações. Para as duas autoras, atitudes como a delas fortalecem o mercado. “Há 15 anos, quando comecei, eu era praticamente a única atuando no segmento.  Fico feliz em ver que fui um elo entre autores da ‘velha-guarda’, como Maria Clara Machado e Pedro Machado, e o novo público que estava se formando, no qual as meninas se encaixam. Devemos muito à internet”, comemora Rebouças.

De olho na tendência internacional, Thalita Rebouças e Paula Pimenta também terão obras adaptadas às telonas. “Conseguimos nos estabilizar na literatura. O objetivo, agora, é repetir esse sucesso nos cinemas. Quase não são feitos filmes para adolescente no Brasil, espero que os investidores se empolguem e passem a acreditar mais no segmento”, afirma Rebouças, que vendeu os direitos de suas obras a importantes diretores nacionais, a exemplo de Daniel Filho, Bruno Barreto e Cesinha Rodrigues.

A série Fazendo meu filme, de Pimenta, está em fase de pré-produção e tem previsão de lançamento para o final de 2016. Caminho que, elas esperam, se assemelhe ao do americano John Green.

Jovem ou adulto?
No ano passado, a crítica literária americana Ruth Graham publicou um polêmico artigo na revista Slate se posicionando contra adultos que liam obras destinadas ao segmento young adults (YA), citando como exemplo as obras A culpa é das estrelas e Eleanor & Park. Graham se baseou em uma pesquisa feita nos Estados Unidos, que revelou: a maioria das pessoas que leem obras destinadas a YA são adultos, e 18% deles têm entre 30 e 44 anos. Ela defende que adultos leitores desse segmento precisam, entre outros “conselhos”, “abandonar a maturidade que conquistaram”. Graham provocou a ira de milhares de internautas e leitores, que se posicionaram contra a visão da jornalista.

Paula Pimenta investe no nicho há sete anos e tem 21 livros publicados (Divulgação / Editora Autêntica)
 

 

 

Paula Pimenta investe no nicho há sete anos e tem 21 livros publicados


Nas livrarias
» Muitas são as editoras que, atentas a esse fenômeno, lançaram selos exclusivos para esse tipo de público. Caso do Selo Galera, da Record e o Jovens Leitores, da Rocco. No final do mês passado, o Grupo Ediouro também entrou nas estatísticas com a criação do Agir Now, que abriga títulos de novos e antigos autores criados especialmente ao público juvenil.

Estante

Confira outros três lançamentos literários dedicados ao público young adult


 (Editora Intrínseca/Reprodução)
 


Isto não é um livro
De Keri Smith e tradução de Rogério Durst. Intrínseca, 224 páginas. Preço médio: R$ 29,90.
A exemplo de nomes como J.K. Rowling, autora da saga Harry Potter, a canadense Keri Smith escreve obras que já nascem com vocação para receberem continuações. É o caso de Isto não é um livro, lançado no último mês, que dá sequência ao best-seller Destrua esse diário — 1,5 exemplares vendidos — e Termine este livro. Em comum, as três obras permitem que o leitor literalmente desenhe a história, com estímulos que se assemelham a manuais de instrução.


 (Editora Edelbra/Reprodução)
 


Televizinhos
De Toni Brandão e ilustrações de Marcelo Cipis. Edelbra Editora, 168 páginas. Preço médio: R$ 34,90.
O texto em prosa de Toni Brandão tem leitura agradável. Tanto que a obra, lançada inicialmente em 2003, volta novamente às livrarias, agora com ilustrações de Marcelo Cipis. Experiente em lidar com o público infantojuvenil, já vendeu quase 2 milhões de exemplares. Televizinhos conta a saga de quatro amigos dispostos a ajudar o porteiro do prédio em que moram a recuperar o emprego após uma injusta demissão.


 (Matrix Editora/Reprodução)
 


Feita de letra e música
De Adrielli Almeida. Matrix, 240 páginas. Preço médio: R$ 29,90.
A curitibana Adrielli Almeida desenha a personagem Lívia Bonjardim aos moldes dos tipos criados por Paula Pimenta e Bruna Vieira: uma adolescente de 15 anos à frente de uma série de problemas, tais como vestibular e a descoberta do primeiro amor. Na narrativa, Adrielli insere emotions e utiliza uma linguagem que muito se assemelha a da internet. Carolina Estrella é outra autora lançada pela mesma editora que segue um formato semelhante.

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