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Correio Braziliense

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Talento para as letras

Concurso premia jovens escritores que lançaram ideias e soluções para áreas básicas da sociedade, como saúde, educação, segurança, mobilidade urbana e sustentabilidade. As 100 melhores redações estão reunidas em um livro que será distribuído na rede pública

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postado em 19/08/2015 12:34 / atualizado em 19/08/2015 12:39


 

 

"A saúde está órfã e precisa de uma mãe para entrar nos eixos. Está na hora de termos um serviço de saúde adequado" Isabela Vitória Dionísia, 13 anos "Isso (excesso de veículos) prejudica também o meio ambiente, pois o número exagerado de carros produz muita poluição na atmosfera, gerando mais problemas" Chiara Lucchino, 13 anos "Eles (governantes) precisam aprender a distribuir o dinheiro de um jeito mais certo. Isso ajudaria na sustentabilidade" Elana Dionisio, 14 anos



“Gosto muito de escrever sobre o que é precário na sociedade.” Essas foram as palavras usadas pela estudante Isabela Vitória Dionísia, 13 anos, ao descrever a sensação de ter a redação escolhida como a melhor do Concurso Jovem Escritor, na categoria saúde pública. A aluna do 8º ano do ensino fundamental mora em Planaltina e frequenta o Centro de Ensino Fundamental 4, na mesma cidade. Com a pureza de uma criança e a experiência de quem convive com situações difíceis, a menina dissertou sobre a precariedade do sistema de saúde pública do DF. No texto, ela mencionou possíveis soluções para a crise. Isabela é uma das 4 mil crianças e jovens que participaram da primeira edição da iniciativa que premiou, ontem, 30 redações de escolas públicas e da Rede Fibra/Sesi — o governador Rodrigo Rollemberg participou do evento.

Na ocasião, também foi lançado um livro com os 100 melhores trabalhos. Um dos principais objetivos do concurso é promover o pensamento crítico da juventude brasileira. Ele incentiva, por exemplo, as práticas de leitura e da escrita. Por isso, a garotada de 70 escolas da rede e duas unidades de ensino do Sistema Fibra/Sesi se empolgou com a proposta de escrever sobre o dia a dia de quem depende de serviços públicos. Além da saúde pública, eles concorreram nas categorias educação pública, segurança pública, mobilidade urbana e sustentabilidade.

Foram entregues 15 premiações para os três primeiros colocados de cada uma das cinco modalidades. O livro Jovem Escritor — uma visão cidadã será doado, nos próximos dias, para escolas e bibliotecas públicas da capital brasileira. Para o presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas do Distrito Federal (Sindigraf/DF), Pedro Henrique Verano, o principal valor do concurso está na alegria e na satisfação dos participantes. “Esses são os cidadãos e os eleitores do futuro. As soluções públicas devem ser desenvolvidas para eles”, explica. A entidade foi responsável pela organização da iniciativa.

Futuro

Com a propriedade de quem sofre com a má qualidade de serviços básicos, os concorrentes mostraram que, mesmo inexperientes, conta com um senso crítico apurado. Isabela Vitória sonha ser jornalista. Ama ler e escrever. Com o texto Orfandade na saúde pública, a estudante, de uma forma didática, comparou a saúde do DF com um filho que está bem longe da família. “A saúde está órfã e precisa de uma mãe para entrar nos eixos. Está na hora de termos um serviço de saúde adequado”, cobra. Em um dos trechos, ela lembra a necessidade de medidas governamentais mais definitivas. “Para muitos governantes, um remendo aqui e ali basta”, lamenta.

Com um texto que aborda a questão do transporte público, a estudante Chiara Lucchino, 13, venceu na categoria mobilidade urbana. Na redação, a jovem se queixou quanto ao excesso de veículos nas ruas e às atuais condições do transporte coletivo. Para ela, as bicicletas surgiram como uma alternativa inteligente aos congestionamentos. “Isso prejudica também o meio ambiente, pois o número exagerado de carros produz muita poluição na atmosfera, gerando mais problemas”, escreveu a estudante do Sesi de Taguatinga.

Os problemas que envolvem o desenvolvimento sustentável também chamam a atenção de adolescentes como Elana Dionisio, 14. Atenta aos fatores necessários para projetar um futuro mais próspero, a jovem aposta em ideias que envolvam a preocupação com o meio ambiente. A moradora de Taguatinga ficou na primeira colocação no quesito sustentabilidade. Minutos após receber o prêmio, ela descreveu o momento vivido como “extraordinário”. Na redação, Elana considerou que o controle de gastos é a chave para o consumo e a produção conscientes. “Eles (governantes) precisam aprender a distribuir o dinheiro de um jeito mais certo. Isso ajudaria na sustentabilidade”, opinou.

Premiação


Além de Rollemberg, esteve presente na cerimônia de premiação o secretário de Educação do DF, Júlio Gregório. Em um pronunciamento informal e descontraído, o governador ressaltou que as redações produzidas “podem e devem” servir de parâmetro para uma melhor e mais eficiente gestão dos serviços públicos. “Fico muito feliz de ver iniciativas como essa. Eu sonho com o dia em que resgataremos uma escola pública de qualidade em Brasília”, afirmou. Rollemberg lembrou, ainda, a importância do estímulo à leitura desde a infância. “Ler é um grande prazer, mas, sobretudo, uma grande necessidade.”

O Jovem Escritor ofereceu aos três primeiros colocados de cada categoria um vale-compra de livros, no valor de R$ 500. Como forma de reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelas instituições e pelos docentes, as escolas cujos alunos alcançaram o primeiro lugar também foram premiadas com vales-compras de R$ 1.000.

Trechos

 

“Um governo inteligente sabe tratar a saúde com comprometimento, pois mais vale uma pessoa saudável trabalhando pelo progresso do país que muitas outras sem terem força para ir à mesma luta”

“Quem deseja realizar algum serviço nessa área descobrirá o quanto é complicado lidar com a vida humana, mantendo diariamente contato com pessoas mergulhadas em um turbilhão de emoções: nervosas, sozinhas, tristes, doentes, abatidas, angustiadas e desamparadas”

Isabela Vitória Dionísia,
do Centro de Ensino Fundamental 4 de Planaltina
(1º lugar na Categoria Saúde)

“Essa superlotação de carros deve-se: à má qualidade dos transportes públicos; à herança histórica da política rodoviarista do país; ao aumento da renda média do brasileiro nos últimos anos; à concessão de mais crédito ao consumidor”

“O número exagerado de carros produz muita poluição na atmosfera, gerando mais problemas naturais e climáticos na própria cidade e em grande escala. Segundo dados do Obervatório das Metrópoles, o número de veículos individuais aumentou mais que a população”

Chiara Lucchino,
do Sesi de Taguatinga
(1º lugar na Categoria Mobilidade Urbana)

“A palavra sustentabilidade é utilizada para fazer referência a várias formas de se manter a preservação do meio ambiente”

“Diversos estudiosos apresentaram pesquisas desenvolvidas com o objetivo de estabelecer técnicas de reaproveitamento de materiais, prevenção à poluição e redução de desperdícios”

Elana Dionisio,
do Sesi de Taguatinga
(1º lugar na Categoria Sustentabilidade) 

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