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Há 36 dias sem aulas. E sem perspectivas

Enquanto governo federal e representantes do movimento grevista de 54 universidades federais não chegam a um acordo, calendário da Universidade de Brasília continua suspenso

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postado em 29/06/2012 08:01

Ana Pompeu , Luiz Calcagno

Na assembleia de ontem, professores, funcionários e alunos decidiram unificar as paralisações (Antonio Cunha/Esp.CB/D.A Press)
Na assembleia de ontem, professores, funcionários e alunos decidiram unificar as paralisações

 

A greve dos professores da Universidade de Brasília (UnB) completou um mês e seis dias e não tem previsão de término. A UnB aderiu ao movimento de paralisação nacional em 18 de maio por melhorias no plano de carreira do professor universitário e dos servidores. Ao todo, 54 instituições estão paralisadas. O sindicato da categoria afirma que os cerca de 2,5 mil professores da UnB estão de braços cruzados, exceto cerca de 30 que continuam a lecionar. No caso dos técnicos, 2.430 dos 2.700 pararam de trabalhar. As duas categorias condicionam o retorno à normalidade dos serviços à apresentação de uma proposta pelo governo federal. A reunião com os sindicatos, convocada pelo Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão para o dia 19 último, foi desmarcada e ainda não tem nova data.

Ontem, professores, servidores e estudantes fizeram uma assembleia para discutir a unificação dos atos das duas categorias e dos estudantes que aderiram ao movimento. Eles marcaram uma manifestação para hoje em frente ao Banco Central. Os universitários estão divididos. Segundo um dos coordenadores do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Pedro Ivo Santana, o órgão considera o pleito dos técnicos e professores justo, mas não se declara a favor nem contra a greve. “Queremos que o movimento termine da melhor forma possível e o quanto antes, para que todos tenham suas reivindicações atendidas e os discentes não fiquem prejudicados com a paralisação”, disse.

Para a estudante de enfermagem Ana Maria Afonso, 22 anos, a greve é necessária. Ela acredita que é uma forma de combater o “sucateamento do ensino superior”. “Faltam cadeiras, falta estrutura para tudo. Principalmente na área da saúde. Alguns professores são obrigados a produzir sem as ferramentas necessárias”, reclamou. Poucos departamentos ainda resistem à paralisação dos professores da UnB. Apenas alguns cursos de pós-graduação mantiveram a rotina. “Nem precisamos nos esforçar para mobilizar os professores porque estamos todos esperando uma resposta do governo. Vamos no reunir novamente para avaliar os passos da paralisação quando a proposta chegar”, enfatizou o presidente da Associação dos Docentes da UnB (Adunb), Ebnézer Nogueira. O coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), Mauro Mendes, concorda. “Nós exigimos reestruturação da carreira e aumento do piso salarial (veja Quadro). Cada segmento tem autonomia, mas nossas ações têm mais peso juntas.”

Calendário

Em 31 de maio, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da universidade se reuniu e decidiu pela suspensão do calendário acadêmico até que a categoria e o governo federal entrem em acordo. O vice-diretor do Instituto de Ciências Humanas, professor Perci Coelho de Souza, acredita que a decisão fortaleceu ainda mais o movimento. “A greve afetou a maioria das atividades. Três departamentos aderiram antes da reunião do Cepe. O curso de história estava mais resistente, mas viu que não há mais condições de continuar com as aulas se vão ter de repor no fim do movimento”, explica. De acordo com a UnB, ainda não há risco de perda do semestre letivo para os 31 mil alunos da instituição.

O Ministério do Planejamento informou que ainda não há data marcada para a próxima reunião com os sindicatos. A proposta do governo está sendo elaborada pelos ministérios da Fazenda e da Educação. Uma hipótese seria equiparar a carreira com a de pesquisador da área de ciência e tecnologia. O órgão não quis entrar em detalhes sobre o porquê da escolha, mas garantiu que, por enquanto, é a que melhor atende as reivindicações.

A integrante do comando nacional de greve do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) Clarisse Gurgel criticou a postura do Ministério do Planejamento. Segundo ela, o governo federal extrapolou o tempo das negociações. Além disso, ela reclamou da sugestão de equiparação da carreira dos professores de nível superior com a de pesquisadores da área de ciência e tecnologia. “Tem mais de dois anos que o governo protela, atrasa e descumpre prazos. Além disso, nossa pauta de reivindicação é por uma carreira para os professores. Não passa por nenhuma equiparação.” Segundo ela, a pauta de reivindicações trata de carreiras, mas também de condições de trabalho. “Faltam salas de aula e laboratórios. Temos estudantes de anatomia lidando com cadáveres putrefatos”, disse.

As reivindicações

Dos professores
» Carreira dividida em 13 níveis e aumento salarial de 5% em cada nível
» Como os contratos variam entre 20 horas, 40 horas e 40 horas com dedicação exclusiva (DE), a proposta é de 100% de acréscimo para o regime 40 horas e de 210% para o docente com dedicação exclusiva
» Os níveis de especialização também seriam mais bem remunerados e cumulativos. O professor com mestrado receberia 37,5% a mais e os doutores, 75%
» A proposta leva em consideração o salário mínimo base do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que em março era de R$ 2.295,58. Um doutor em dedicação exclusiva teria salário inicial de R$ 12.453,52 e teto de R$ 22.364,74

Dos servidores
» Reestruturação da carreira com aumento do
piso para três salários mínimos (o piso atual é de R$ 1.035)
» Reajuste de 5% em cada nível da carreira
» Aumento do tíquete-alimentação, que está em R$ 304.
O valor não foi fixado










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