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Professores da UnB mantêm greve

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postado em 19/07/2012 14:04

Agência UnB

Os professores chegam à Assembleia Geral convocada pela Diretoria da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB) para avaliar a proposta feita pelo Ministério do Planejamento na última sexta-feira, 13, em clima de incerteza quanto aos rumos da greve. A paralisação se estende há mais de 60 dias e tem a adesão de 58 das 59 universidades federais.

A assembleia será às 15h30 no Anfiteatro 12, no ICC Norte. Tanto o Comando de Greve da UnB quanto a diretoria da ADUnB, além dos dirigentes dos sindicatos nacionais, acreditam que a proposta do Governo será rejeitada. “É inegável que a tendência é de continuação da greve, mas a assembleia é soberana e é ela quem vai decidir”, afirma o presidente da ADUnB, professor Rafael Morgado. Para ele – a despeito da garantia do ministro Aloizio Mercadante de que é “impossível ir além” na proposta apresentada –, é provável que os docentes federais insistam: “O governo está estabelecendo limites, mas faz parte do processo de negociação que os professores continuem tentando ter suas reivindicações atendidas”.

Claus Akira, professor de Matemática da UnB e membro do Comando Local de Greve, concorda: “Ninguém gostou da proposta”. Para Akira, a opinião pública está sendo conduzida por “um show midiático do governo” que enfatiza um aumento de 45%, mas que, na prática, alcança apenas uma pequena parcela de professores. “O comando de greve está, aos poucos, quebrando os argumentos do governo”, acredita.

Em documento divulgado na terça-feira, 17, para analisar a proposta governamental, o Comando Local de Greve da UnB e a Seção Sindical do Andes afirmam que “o movimento docente não pode fazer um acordo sem que os termos estejam claros, passando um cheque em branco ao MEC para este definir, à revelia da categoria, a regulação da vida profissional dos docentes federais”.

No texto, o Comando Local de Greve e o Andes defendem que “o governo tem o dever de apresentar toda a proposta claramente formatada no momento da celebração de qualquer acordo, via projeto de Lei ou Medida Provisória”.

Análise semelhante faz o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) em outro documento. A entidade afirma que “o governo tenta impressionar a categoria e a sociedade divulgando uma tabela de valores com salários atrativos para o topo da tabela, mas que contempla apenas aos doutores com Dedicação Exclusiva”, mantendo “a mesma lógica de propostas anteriores, mas piorando em muito as questões relacionadas ao desenvolvimento e à estrutura da malha salarial docente”.

Segundo o texto, “ao divulgar na mídia apenas os valores salariais (destacando os percentuais destinados aos doutores com Dedicação Exclusiva como se esses fossem aplicados a todos), o governo tenta esconder os aspectos extremamente negativos da sua proposta”.

“A proposta é tão ruim que posso garantir que há consenso, na categoria, quanto à sua rejeição”, diz o professor e diretor do Sinasefe David Lobão. Segundo o professor, a proposta do governo significa “um retrocesso na carreira” ao assegurar apenas a professores com título de doutor a possibilidade de alcançar o ápice da carreira. Ademais, ao desconsiderar a inflação, a proposta, segundo Lobão, “só serve para quem não entende o mínimo de economia”.

Em análise oficial, a Federação dos Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação) afirma que é “positivo o momento atual de retomada das negociações” e que “irá se empenhar ao máximo para dar sequência, de forma propositiva e muito incisiva, ao diálogo”. O presidente do Proifes-Federação, Eduardo Rolim, defende que, tal como foi apresentada pelo governo, a proposta sequer merece ser levada à base do sindicato: “A proposta só deve ser apresentada à nossa base após uma série de melhorias”, afirma.

Também membro do Comando Local de Greve da UnB, a professora de Serviço Social da UnB Patrícia Pinheiro sintetiza o que parece ser a voz uníssona da categoria: “Não estamos declinando de uma proposta por radicalismo: o que fizemos foi uma avaliação consequente da proposta do governo, que não atende às nossas reivindicações”.

O próximo encontro entre os grevistas e o governo vai ocorrer na segunda-feira, 23
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