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Eleiçôes na UnB

Debate além do câmpus

No programa realizado pelo Correio e pela TV Brasília, os candidatos à reitoria Márcia Abrahão e Ivan Camargo discutem suas propostas para a Universidade de Brasília e ressaltam a importância de as discussões chegarem ao alcance da sociedade

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postado em 07/09/2012 11:03 / atualizado em 07/09/2012 17:28

Manoela Alcântara , Thaís Paranhos

A disputa para o cargo de reitor da Universidade de Brasília (UnB) ultrapassou as barreiras da academia. Os dois candidatos que passaram para o segundo turno confrontaram as principais propostas das chapas em um debate promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília e exibido a zero hora de hoje. A gestão do vencedor trará impactos para todo o Distrito Federal, uma vez que a UnB se tornou uma referência na produção de conhecimento e na formação de especialistas para o mercado. No encontro, mediado pelo repórter especial da emissora de TV Clayton Sousa, os professores do Instituto de Geociências Márcia Abrahão e da Faculdade de Tecnologia Ivan Camargo discutiram temas importantes como a expansão da UnB, a segurança nos câmpus, a qualidade acadêmica e a alocação de recursos para a instituição de ensino superior. O segundo turno da eleição será realizado na terça e quarta-feira da semana que vem.

Após uma breve apresentação dos dois candidatos, o primeiro tema abordado pelos participantes foi a qualidade no ensino. A editora de Opinião do Correio, Dad Squarisi, perguntou aos postulantes como eles pretendem retomar a posição de vanguarda da universidade e acabar com a burocracia na produção do conhecimento. Márcia Abrahão, candidata pela chapa 80 – O amanhã fazemos juntos, enfatizou que a UnB é bem avaliada nos cursos de graduação, mas o desenvolvimento da pesquisa e da pós-graduação está defasado. “A minha candidatura tem total compromisso com a meritocracia. Vamos avançar muito em políticas para a pesquisa e a pós-graduação”, disse.

Oposição declarada à atual gestão do reitor José Geraldo de Sousa Júnior, Ivan Camargo, líder da chapa 86 – UnB somos nós, discordou da concorrente. Para ele, a UnB não está no caminho correto para chegar à excelência no ensino. “Um dos motivos da nossa campanha é trocar, mudar, voltar a ser uma universidade de vanguarda. Precisamos trazer de volta grandes nomes para a nossa universidade”, explicou. Além de buscar a melhoria, os candidatos concordaram com a necessidade de maior produção e divulgação do trabalho desenvolvido dentro da academia.

No debate, os concorrentes foram questionados por jornalistas e também tiveram a oportunidade de fazer perguntas um ao outro. Ambos ex-decanos de Ensino de Graduação, eles confrontaram as diferentes atuações à frente do cargo. Ivan ressaltou a atuação de vanguarda por ter inserido o sistema de cotas na universidade e a implantação da matrícula on-line. “O Consuni (Conselho Universitário) discutiu várias vezes e definiu as cotas e eu tive a honra de implementar. A UnB, à frente do Brasil e do seu tempo, seguiu esse caminho. Agora, o Congresso, mais de 10 anos depois, determina que todas as universidades públicas façam o mesmo”, apontou. O mandato dele ocorreu entre 2003 e 2005, na gestão de Lauro Morhy.

Já Márcia lembrou que, ao assumir o DEG em 2008, os cursos de graduação nem sequer tinham registro do Ministério da Educação (MEC). “Nós emitíamos diplomas irregularmente, resultado de gestões anteriores”, comentou. Ela se orgulhou de ter implantado o Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Com o programa, segundo ela, quase mil docentes e 550 técnicos foram contratados. Além disso, 36 cursos foram criados nesse período. “Fui responsável pela implantação do programa de expansão em Ceilândia e no Gama e também pela institucionalização dos cursos de graduação à distância”, completou.

Política
A jornalista Ana Maria Campos abordou um tema polêmico: a politização da eleição na UnB. Ela questionou como o apoio de partidos políticos poderá ajudar na disputa pela reitoria. Em resposta, Ivan afirmou que a relação com a presidente Dilma Rousseff e o governador Agnelo Queiroz é importante. Porém, se considera um candidato apartidário. Márcia voltou a afirmar que não tem relação com qualquer partido político e se orgulha de ter construído uma carreira acadêmica. No debate, os candidatos também abordaram temas como o orçamento da universidade e o investimento em segurança.

Discussão acalorada O debate entre os postulantes ocorreu no Brasília Palace Hotel, localizado no Setor de Hotéis de Turismo Norte (SHTN), em um cenário inspirador. O hotel fica na beira do Lago Paranoá e o embate foi realizado em uma sala com um enorme painel de Athos Bulcão. Márcia Abrahão e Ivan Camargo chegaram meia hora antes de a discussão começar. Eles conversaram, avaliaram o encontro realizado no dia anterior, no câmpus Darcy Ribeiro, da Asa Norte. No diálogo, os dois fizeram um acordo para manter a cordialidade, uma vez que ambos afirmam querer o melhor para a universidade.

Nos bastidores, eles também enfatizaram a importância da união dentro da Universidade de Brasília (UnB). Os postulantes desejam que, caso eleitos, a divisão entre os docentes acabe. Para eles, a instituição é um ambiente de discussão de ideais e produção do conhecimento, não de brigas.

Apesar da cordialidade antes de as câmeras serem ligadas, o debate teve clima acalorado, com troca de farpas entre os candidatos. Ambos estavam acompanhados de apoiadores e foram maquiados. No intervalo para o segundo bloco, receberam dicas para manter ou melhorar a perfomance no decorrer das gravações. 

Último confronto

O debate transmitido pela TV Brasília durou aproximadamente uma hora. Na abertura, os candidatos tiveram dois minutos para se apresentar. O restante do encontro foi dividido entre perguntas feitas por profissionais do Correio e da TV Brasília e questionamentos entre os dois participantes.

A primeira pergunta foi da editora de Opinião do Correio, Dad Squarisi, direcionada à professora Márcia Abrahão. A docente teve dois minutos para responder, a réplica e a tréplica duraram um minuto cada. Coube à repórter especial e colunista do jornal Ana Maria Campos a pergunta ao professor Ivan Camargo. Logo após, cada candidato teve a chance de fazer uma pergunta.

No segundo bloco, a repórter especial e colunista do Correio Lilian Tahan e o jornalista da TV Brasília Carlos Capelli também tiveram a oportunidade de fazer uma pergunta cada. Após nova rodada de questionamentos entre os candidatos, eles tiveram mais dois minutos para encerrar a participação no último confronto antes das eleições. As regras foram estabelecidas de acordo com o estipulado pela Comissão Organizadora da Consulta (COC), a exemplo dos outros quatro debates realizados no câmpus Darcy Ribeiro, de Ceilândia, Gama e Planaltina.

"Temos muito a avançar"

Primeira a falar no debate do Correio Braziliense e da TV Brasília, segundo regra definida por sorteio, a professora do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB) Márcia Abrahão respondeu às perguntas feitas pela editora de Opinião do Correio, Dad Squarisi, e do repórter da emissora Carlos Capelli. Eles questionaram a candidata à reitoria sobre quais são as propostas da chapa liderada por ela para retomar a excelência acadêmica da instituição e melhorar a segurança dos quatro câmpus. Como o formato do encontro permitia réplica e tréplica, a postulante ao cargo máximo da instituição também teve a chance de abordar temas levantados pelo adversário, o professor da Faculdade de Tecnologia Ivan Camargo, e discutir assuntos direcionados a ele. Márcia foi questionada pelo docente sobre o relacionamento da UnB com a sociedade, com ênfase na expansão dos câmpus após a implementação do Reuni, em 2008.  Camargo questionou ainda como a candidata vê o relacionamento da Secretaria de Comunicação da instituição com outras mídias. Na resposta, ela enfatizou a importância de divulgar a pesquisa realizada dentro da UnB e de manter a revista Darcy Ribeiro, uma experiência bem-sucedida. Leia abaixo a apresentação feita por Márcia Abrahão, as perguntas destinadas a ela, com as réplicas do adversário, suas tréplicas e as considerações finais. Todos os questionamentos estão escritos na íntegra.

 

Temas tratados pela candidata

Apresentação — É um prazer estar aqui e ter esta oportunidade, que mostra a importância da Universidade de Brasília para a sociedade. Meu nome é Márcia Abrahão, sou professora do Instituto de Geociências e fiz minha formação toda na UnB, com alguma parte no exterior. Sou pesquisadora do CNPq e integro, com o professor Marcelo Bizerril, diretor do câmpus UnB de Planaltina, a chapa 80 O amanhã fazemos juntos. A nossa candidatura decorre de um anseio de diversos setores da instituição, fortemente comprometidos com essa universidade. Sou a genuína representante feminina nesta eleição. Nós somos gestores já de comprovada experiência tanto na gestão da expansão da UnB, no meu caso, do Reuni e da implantação do câmpus UnB de Planaltina, no caso do professor Marcelo Bizerril. A nossa candidatura é integradora na sua própria concepção, plural, apartidária e que busca a excelência no ensino, na pesquisa, na extensão, na gestão e na convivência da comunidade. Muitos são os desafios para os próximos anos da UnB. Nós, que estávamos aqui trabalhando arduamente nesses anos, temos consciência da nossa responsabilidade e do nosso papel perante a sociedade. Iremos trabalhar para integrar a comunidade e para fazer uma gestão criativa, ousada, moderna, respeitosa, democrática e com total compromisso com a UnB.

Pergunta da editora de Opinião do Correio, Dad Squarisi — A UnB tem vocação para a vanguarda. Na origem, formou quadros com a nata da inteligência nacional e estrangeira. Inovou ao não adotar o sistema de cátedra e ao admitir professores por notório saber. Era praxe oferecer cursos com medalhões mundiais. Em suma: regia-se pela aristocracia do saber. As coisas mudaram. Meritocracia passou a rimar com burocracia. Briga-se por privilegiar o tempo de serviço em detrimento da produção cultural e científica. O resultado aí está. A UnB despenca no ranking das melhores. É a 8ª do Brasil, a 25ª da América Latina e quase a 600ª do mundo. Minha pergunta: sua proposta tem compromisso com a tradição meritocrática das grandes universidades? Em bom português: a UnB vai retomar a vocação que ficou lá atrás?

Resposta de Márcia Abrahão— Muito obrigada pela pergunta, Dad. É um prazer responder uma pergunta feita por uma pessoa tão qualificada como a Dad. A minha candidatura tem total compromisso com a meritocracia. Sou pesquisadora do CNPq, que é um quadro bastante restrito da universidade. Faço parte dos únicos seis programas de excelência da pós-graduação da UnB, que é o programa de geologia do Instituto de Geociências e iremos avançar muito em política para pesquisa e pós-graduação. A Universidade de Brasília tem ampliado a sua qualificação da graduação. Esse recente ranking que saiu da Folha (de S. Paulo) nesta semana é um ranking novo. Então, não tem como comparar com outros rankings. Ele coloca a UnB em oitavo lugar, sendo que o melhor indicador é no ensino de graduação dos últimos dois anos. Entretanto, na pesquisa e pós-graduação e na inovação, a política dos últimos 10, 15 anos, inclusive o professor Ivan faz parte do grupo que adotou essa política na UnB e vem adotando ao longo dos anos, essa política já mostrou que não está resolvendo os problemas da pesquisa e pós-graduação da UnB. A UnB ficou em 10º lugar no mesmo ranking da Folha em pesquisa e pós-graduação e mais do que o 10º lugar em inovação. Iremos trabalhar com políticas específicas de programas de pós-graduação de excelência, como os que eu participo, e de pós-graduação que estão iniciando. Não esquecendo que temos que incluir os novos docentes e novos técnicos que aqui chegaram muito qualificados e têm todo o potencial para desenvolver as suas pesquisas. Nós iremos fazer um grande programa complementar aos programas das agências de fomento porque eu, como sou gestora e pesquisadora, conheço de perto os problemas das agências de fomento e as políticas de infraestrutura e de fomento da pesquisa e pós-graduação. Iremos ampliar a internacionalização da universidade. Nós temos que utilizar todas as formas existentes para melhorar o ensino, a pesquisa e a extensão com muito mérito e com a inclusão de todos.

Réplica de Ivan Camargo —Concordo integralmente com as críticas apresentadas pela, eu diria, professora Dad, que ensina português a toda a comunidade de Brasília. Uma das causas, dos motivos da nossa campanha, do nosso movimento é exatamente trocar, mudar, voltar a ser uma universidade de vanguarda. Vanguarda é a vocação da Universidade de Brasília. Fui, com muita honra, decano de Ensino de Graduação no tempo da gestão do professor Lauro Morhy. Naquela época, no ensino, a nossa universidade era a primeira colocada no Brasil. Precisamos olhar para frente, para o futuro. Precisamos trazer de volta esses grandes nomes para a nossa universidade para debater o mérito e acabar com essa burocracia que está acabando com a nossa universidade.

Tréplica de Márcia Abrahão — Professor Ivan, mais uma vez o sr. repete o que disse no debate de ontem (quinta-feira), uma informação equivocada que, infelizmente, a imprensa reproduziu hoje, de que a UnB esteve em primeiro lugar na sua gestão na graduação. Isso não é verdade. Esse indicador é novo, que foi criado agora. Nós melhoramos o ensino de graduação da UnB. Os nossos cursos de graduação são avaliados com notas quatro e cinco, que são notas máximas. É importante dizer isso para tranquilizar a sociedade. Nossos cursos de graduação são muito bem avaliados pelo governo, que é o Enade, o conceito preliminar de curso. Onde nós estamos pecando é na pesquisa e na pós-graduação. Nós temos, sim, que avançar na pesquisa e na pós-graduação. Esse indicador que colocou a UnB em oitavo lugar tem que ser aberto para a gente analisar os dados de fato. Não adianta a gente fazer um discurso que não corresponde à realidade. A gente acaba confundindo a sociedade. A UnB continua, sim, tendo um ensino de excelência em áreas, lógico, específicas, mas nós temos que avançar muito ainda.

Pergunta de Ivan Camargo — Professora Márcia, como você vê o relacionamento da nossa UnB com Brasília?

Resposta de Márcia Abrahão — Muito obrigada, Ivan, pela pergunta. Eu fui responsável pela implantação do programa de expansão para Ceilândia e Gama e também pela institucionalização dos cursos de graduação à distância. Acho que a universidade tem um papel fundamental na cidade, no Brasil. Ela foi criada para transformar a sociedade. Acho que temos que avançar cada vez mais nessa transformação da sociedade, uma integração entre sociedade e universidade que envolva pesquisa, que envolva ensino, que envolva extensão, que seja realmente transformadora com ousadia e com muita qualidade. Na minha gestão, no Decanato de Ensino de Graduação, isso ficou muito claro. Nós criamos 36 cursos de graduação, depois de recuperar o Reuni que foi encaminhado para o MEC. Sim, ao contrário do que o professor Ivan afirma com uma ata do Consuni de uma reunião de 2007 que não foi aprovada pelo Consuni. Em abril de 2007, já depois da crise, quando nós trouxemos a ata de novo para aprovação o Consuni, ele rejeitou a ata e fez a degravação da reunião que é a ata hoje. Eu me refiro à expansão iniciada em 2005 e depois que eu implementei, em 2008, nós criamos 36 cursos de graduação, cursos noturnos. Agora, temos ainda muito a avançar. Temos muito a consolidar nos próximos anos, mas acho que a UnB está no caminho certo. Ela entende o papel dela na sociedade. Temos que avançar na pesquisa, na pós-graduação, na inovação. Há anos, a integração com a sociedade ainda é incipiente com relação à inovação comparada, por exemplo, com as estaduais paulistas que estão num nível acima em termos de inovação, de patentes, de internacionalização. Temos ainda muito a fazer na parte de gestão administrativa que dê possibilidade para a universidade desempenhar plenamente o seu papel acadêmico. Iremos fazer isso porque tenho experiência de gestão. Estava aqui nos últimos anos e conheço a fundo a UnB.

Réplica de Ivan Camargo — Ao contrário, eu não acho que a Universidade de Brasília esteja no caminho certo. Estou propondo mudar, a nossa campanha é para mudar. O que me chama a atenção é que está faltando (este debate é uma oportunidade boa) uma integração maior com a sociedade. A definição dos cursos, a expansão da universidade, não tenho dúvida nenhuma de que sejam uma demanda legítima da sociedade. No entanto, a escolha dos cursos e a discussão dos novos, no meu modo de ver, se concentrou muito internamente, nas coisas internas da universidade, e a gente dialogou pouco com a sociedade. E na minha campanha, um dos eixos que a gente colocou foi exatamente esse compromisso com a sociedade. Compromisso com a sociedade significa também compromisso com o dinheiro público. O dinheiro do contribuinte é que financia a nossa pesquisa, a nossa extensão.

Pergunta do jornalista da TV Brasília Carlos Capelli para Márcia Abrahão — Minha pergunta é sobre a segurança. Pelo menos pelo que parece, a primeiro impressão é que a maior preocupação é com a definição do papel da universidade e, principalmente, da Polícia Militar. Enquanto esse conflito de responsabilidade não se resolve, de que maneira se leva mais tranquilidade para as pessoas que passam pelo câmpus , saem da escola, voltam para casa e acabam estupradas? Os carros que são roubados. De que maneira se pretende resolver esse conflito de responsabilidade e oferecer mais tranquilidade para quem está lá?

Resposta da Márcia Abrahão: Esse tema segurança é um tema recorrente na atual campanha, em todos os lugares onde nós vamos, é um tema recorrente. A comunidade não está tranquila. No nosso programa, nós já deixamos claro que, primeiro, a segurança é um problema da sociedade. A UnB está integrada com a sociedade e é um problema que envolve universidade e governos. Nós iremos atuar em parceria com os governos para atuar na segurança interna da universidade e também nas imediações. Iremos atuar também para a melhoria de condições de iluminação. Hoje nós temos problemas de iluminação, segurança patrimonial. É preciso aumentar o número de rondas, a tecnologia. Hoje, a tecnologia é muito grande na área de segurança. A Universidade de Brasília tem que se modernizar. Ao longo dos anos, ela foi deixando a sua estrutura burocrática tomar conta da universidade e a universidade não se preparou para essa ampliação, para essa expansão. E agora nós vivemos as consequências, inclusive na questão de segurança. Iremos fortalecer a área de segurança da universidade tentando contratar mais pessoal qualificado, treinar o pessoal, fazer capacitação, treinamento e formação. O que hoje se chama coordenação de segurança vai ganhar status maior, ligado diretamente à reitoria para que o reitor ou a reitora tenha condições de atuar diretamente quando houver problemas. Vamos aumentar também, o que é uma outra intranquilidade da comunidade: o transporte intracâmpus e intercampi. Nós expandimos muito a universidade para três cidades-satélites. Eu fui responsável pela expansão da Ceilândia e Gama, e agora temos que dar condições para que o transporte intercampi e intracâmpus funcione adequadamente, inclusive no turno noturno. São ações que nós vamos desenvolver porque nós já fizemos e sabemos fazer.

Réplica de Ivan Camargo — Talvez tenha sido a pauta principal dessa campanha na Universidade de Brasília: a segurança. Todos os centros que fomos, todos os campi que fomos falavam insistentemente da segurança. Sou pai de três alunos da UnB. Então, além de candidato a reitor e professor, sou absolutamente preocupado com esse assunto. É indispensável uma parceria com os órgãos de segurança do GDF. Concordo integralmente com o Capelli, que essa parceria tem que ser feita e precisamos de outras coisas. Planejar iluminação, os nossos estacionamentos não têm luz. É impressionante a falta total de planejamento. Precisamos resolver isso. Precisamos também resolver políticas internas. O nosso servidor responsável pela segurança não tem o respaldo da autoridade do reitor e precisa voltar a ter. É isso que vamos fazer, é dessa forma que vou atuar para melhorar a segurança na Universidade de Brasília.

Tréplica de Márcia Abrahão — Como eu já falei, temos que melhorar todas as condições de segurança que envolvem desde iluminação a treinamento, e também a relação com a sociedade. A universidade tem um Conselho Comunitário de Segurança e nós vamos utilizá-lo fortemente. Existem questões mais complexas que envolvem discussões de toda a comunidade, nós vamos atuar de forma democrática, de forma ágil e de forma também integrada com a sociedade. Essa é a nossa forma de trabalhar, sempre respeitando os órgãos colegiados, mas sempre muito ágil. Não podemos deixar essa insegurança continuar na nossa comunidade.

Pergunta de Ivan Camargo para Márcia Abrahão — Queria perguntar para a professora Márcia qual seria o papel da nossa Secretaria de Comunicação na sua gestão da UnB?

Resposta de Márcia Abrahão — Eu digo não só a Secretaria de Comunicação, professor Ivan, a área de comunicação da universidade, a área de comunicação e informação tem que ser reestruturada. Nós hoje temos uma Secretaria de Comunicação que é desvinculada da TV UnB, que é um órgão de comunicação excelente e a rádio UnB, que nós perdemos em função daquele problema com a Fundação Universidade de Brasília (Fubra) que o senhor conhece bem. Nós iremos integrar todo o sistema de comunicação na universidade e funcionar de uma forma que os temas acadêmicos sejam os temas relevantes. Hoje, nós temos cursos a distância até no Acre. E o que acontece, o nosso setor de comunicação não é utilizado, praticamente, para melhorar a qualidade desses cursos. Então, nós iremos atuar fortemente para que a área de comunicação seja integrada à área acadêmica. A Faculdade de Comunicação vai participar ativamente desse processo. Vamos manter a revista Darcy Ribeiro que foi uma grande iniciativa. Mas temos que ter nossas pesquisas muito bem divulgadas para a sociedade. Eu gostaria de ver, semanalmente, no Correio Braziliense uma matéria sobre uma pesquisa feita pela UnB. Nós vamos atuar também em parceria com os órgãos de comunicação para que a nossa pesquisa seja divulgada. Temos que dar condições para que os nossos estudantes divulguem também os seus trabalhos, as suas pesquisas, sempre de forma integrada. Temos que lembrar que a missão da universidade é ensino, pesquisa e extensão de excelência. Nós vamos atuar para que o que nós fazemos internamente seja adequadamente divulgado para a sociedade e que a nossa comunidade tenha o amparo do setor de comunicação nas suas pesquisas. Acho que, atualmente, nós temos um setor de comunicação muito esfacelado, nós vamos fazer muito rapidamente com que a universidade seja melhor divulgada externamente.

Réplica de Ivan Camargo — O papel da Secom na nossa gestão será de fazer a ponte entre o mundo acadêmico, o mundo que vivemos, para a imprensa nacional. Nós, professores, trabalhamos e pesquisamos e a gente fica muito orgulhoso de ver um trabalho nosso ser divulgado. A nossa Secretaria de Comunicação tem que fazer esse papel. Concordo também que a nossa TV UnB, um órgão importantíssimo para a divulgação de aulas, de palestras, de debates está sendo subutilizada porque nesta gestão não teve nenhum apoio institucional. Precisamos dar apoio institucional, dar dinheiro, para que a TV UnB volte a funcionar. Fazer essa ponte é a nossa sugestão para a Secom.

Tréplica de Márcia Abrahão — Concordo com o professor Ivan nesse aspecto. Nós temos que ter a divulgação das nossas pesquisas. Também hoje em dia as nossas tecnologias de comunicação e informação precisam ser incorporadas às práticas dos docentes. Quando eu fui decana de Ensino e Graduação, trouxe um pesquisador da Espanha para dar um curso de tecnologia da informação e da comunicação para os novos docentes e isso nós vamos fazer o tempo inteiro. Vamos ter que avançar na área de tecnologia da comunicação e da informação para adequar as nossas práticas à modernidade. Para isso, o nosso setor de comunicação tem que ser valorizado. A TV UnB vai ser muito valorizada. Vai ter um espaço adequado para funcionar, vai ser integrada a toda a área de comunicação da universidade.

Considerações finais de Márcia Abrahão — Foi um enorme prazer participar desse debate e muito esclarecedor, principalmente porque a Universidade de Brasília hoje tem mil novos docentes aproximadamente, 550 técnicos que não conhecem a história da UnB. Então, temos que, permanentemente, lembrar da história da UnB desde a sua criação. Nós da chapa 80 O amanhã fazemos juntos representamos uma enorme quantidade de docentes, técnicos e estudantes fortemente comprometidos com esta instituição, acadêmicos que somos. Vários pesquisadores de renome nacional e internacional estão conosco nessa empreitada para que possamos integrar a universidade com a sociedade. A nossa própria chapa representa a integração dentro da comunidade para que possamos ter uma administração moderna, ágil, como nos somos e uma administração fortemente democrática, com total respeito às leis e aos recursos públicos. É assim que nós administramos. Somos professores dessa instituição, aqui estamos desde que assumimos os nossos cargos como docentes. Temos muitos desafios pela frente. Temos que avançar muito nos indicadores de qualidade, principalmente na pesquisa e pós-graduação que ao longo dos últimos anos, 10, 15 anos, nós temos problemas nesses indicadores e vamos ter que avançar. Nós temos que avançar na área de internacionalização. Iremos fazer, desburocratizar, descentralizar, é uma forma de gestão que eu já demonstrei. A nossa integração entre os campi também é algo que tem que ser fortalecido. Iremos consolidar os campi que nós começamos, iremos dar condições para que os novos docentes e novos técnicos se integrem plenamente à atividades de ensino, pesquisa e extensão. Nós temos hoje menos de 50% dos docentes participando dos programas de pesquisa e pós-graduação e a universidade ficou estagnada. Temos que avançar, mas com inclusão, uma forma moderna de gestão. Por isso, a nossa chapa é O amanhã fazemos juntos, vote 80. Muito obrigada! 

"A UnB precisa mudar"

No debate veiculado na madrugada de hoje, o professor da Faculdade de Tecnologia Ivan Camargo respondeu às perguntas das repórteres especiais e colunistas do Correio Ana Maria Campos e Lilian Tahan. Ele seguiu a ordem estabelecida pelas regras do encontro, decidida após sorteio. As jornalistas questionaram o candidato sobre a atuação dele na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no governo Dilma, e sobre como o próximo gestor da instituição vai gerenciar um orçamento bilionário, que pode chegar a R$ 1,4 bilhão. Na atual gestão, corre-se o risco de as contas não fecharem até o fim do mandato.

Assim como a concorrente, o postulante pela Chapa 86 – UnB Somos Nós respondeu perguntas feitas pela candidata Márcia Abrahão. Ela perguntou sobre as dificuldades enfrentadas durante o mandato de Camargo (entre 2003 e 2005) como decano de Ensino e Graduação, na gestão do professor Lauro Morhy, e também questionou Camargo sobre, se eleito, ele iria ou não retomar a cobrança de taxas para formandos.

Nas respostas, ele ressaltou políticas implementadas com sucesso durante sua gestão como decano, entre elas a instituição do sistema de cotas para negros e a implantação do sistema de matrículas on-line. Camargo ressaltou a legalidade da ação e o benefício concedido a alunos carentes. Leia abaixo a apresentação do professor, as respostas e suas considerações finais. O debate está transcrito na íntegra.

Temas tratados pelo candidato

Apresentação —  É um prazer estar aqui, uma honra, representando um grande movimento também da Universidade de Brasília. Meu nome é Ivan Camargo, sou professor da Faculdade de Tecnologia, estou há 34 anos na universidade. Entrei como estudante de engenharia elétrica, dou aula desde 1989. A minha candidata a vice é a professora Sônia Báo, que atualmente é diretora do Instituto de Ciências Biológicas, com vasta experiência com a gestão da universidade. Passamos quase dois meses discutindo a universidade internamente, me parece muito importante essa oportunidade que o Correio e a TV Brasília nos dão de discutir com a sociedade. Os dois eixos principais da nossa campanha são: excelência acadêmica, compromisso com a sociedade. Nos parece que o grande desejo da sociedade de Brasília e do Brasil é que nós continuemos a formar nossos quadros, da melhor maneira possível, com excelência acadêmica. Nossas três palavras de ordem, que temos pregado na nossa campanha, são: mudança, nós somos uma chapa de oposição. Achamos que a universidade precisa mudar. Uma gestão mais eficaz, precisamos de um pouco mais de pragmatismo nas ações determinadas pelos colegiados da Universidade de Brasília. E, principalmente, união. Me parece que nesse segundo turno está se consolidando um apoio enorme da universidade à nossa candidatura.

Pergunta de Ana Maria Campos para Ivan — A sua campanha, professor Ivan, trata a sua adversária como partidária, principalmente pelo apoio que a professora Márcia tem de setores do PT. Mas o senhor também tem ligações com a administração petista. Trabalhou no governo federal ao lado do presidente da Aneel, Nelson Rubner, que é um petista estrelado. Rubner acompanha a presidente Dilma Rousseff em cargo estratégico desde
os tempos em que ela foi ministra de Minas e Energia, ainda no primeiro mandato do presidente Lula. Para chegar à reitoria, o senhor vai precisar passar pelo crivo da presidente, que é quem faz a nomeação após a consulta na comunidade acadêmica. Essa ligação com o governo Dilma vai ajudá-lo na disputa pela reitoria? Qual é o peso que a sua gestão terá nas eleições de 2014, levando-se em conta que a universidade forma opinião na sociedade?

Resposta de Ivan Camargo — Primeiro, Ana Maria, muito obrigada pela pergunta. Acho que um ponto fundamental da nossa campanha é que consideramos essa questão do apartidarismo muito importante. Tive sim na Aneel com meu querido amigo Nelson Rubener, diretor nacional da Aneel, ligado à presidente Dilma. Estive também com meu amigo José Mário, ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. As minhas duas participações no governo, tanto na gestão da crise, quanto agora para resolver problemas como geração distribuída, geração solar, redes inteligentes no Brasil foram eminentemente técnicas. Agora, eu concordo que é indispensável uma ligação política do reitor com a presidente, com o governador, com todos os partidos da sociedade. O que eu prego na minha campanha, o que o nosso grupo todo prega, é essa questão de a gestão ter que ser apartidária pelo respeito à diversidade que a universidade tem que ter. Não se inova se não for contestado. A universidade tem que ter esse papel de inovação. Darcy Ribeiro já falava que a gestão de uma universidade pública tem que ser apartidária, e a gente insiste nisso. Temos, de fato, apoios de vários partidos políticos. Temos apoio, inclusive, de colegas do PT, PCdoB e de vários outros partidos, e isso faz a nossa campanha plural e preparada para conversar com todos os partidos. Nós não vamos pedir carteirinha de partido para a gestão da nossa universidade. Os nossos decanos, os nossos diretores vão ser chamados como tem que ser em uma universidade. Pelo que foi falado na pergunta anterior da Dad, pelo
mérito acadêmico.

Réplica de Márcia Abrahão — Essa, para mim, também é uma grande oportunidade. Eu tenho sido acusada pelos meus adversários o tempo inteiro de ser partidária. Respeito muito quem participa de governo, quem é de partido político, mas nós não temos qualquer ligação com partido político. Estávamos aqui na universidade nos últimos anos reconstruindo essa universidade depois da crise mais dramática que a UnB viveu em 2008, resultante das administrações anteriores, das quais o professor Ivan fez parte. Todos os meus empregos foram concursados, eu fui funcionária da Petrobras, funcionária do Banco Central, sou pesquisadora do CNPq, professora dessa universidade. Desde que assumi, não saí dessa universidade. E, agora, a universidade, na complexidade enorme, ampliou-se muito, ampliou mais de quase mil docentes, 550 técnicos. Ela tem que ser administrada por quem conhece a fundo a universidade. Não é possível uma pessoa que vem de fora, que estava fora da universidade, ligada a partidos políticos sim, porque cargos políticos sim, vir administrar agora a universidade.

Tréplica de Ivan Camargo — Queria deixar claro que não fiz parte da gestão da crise. Fiz parte de gestões anteriores, com muita honra, com muita tranquilidade. Não tenho nenhuma filiação partidária. Como eu disse, atuei tecnicamente em vários governos, com muita honra. Tenho um compromisso total com a universidade há 34 anos, exatamente. Meu compromisso. Estou dentro da universidade em todos os momentos. Eu considero uma honra o governo, como servidor público, servir o meu governo. Servi o governo do Fernando Henrique, do presidente Lula, da presidente Dilma, com muita honra e muito orgulho. O que acho importantíssimo é que transformar a nossa universidade passa por um tratamento um pouco mais carinhoso das pessoas. Um dos motivos de eu ter saído da universidade para o governo foi ter me sentido considerado, pela atual gestão, inimigo da universidade, o que eu não admitia.

Pergunta de Márcia Abrahão — Professor Ivan, nós dois fomos decanos de Ensino de Graduação, o senhor na gestão do Lauro/Timothy, que inclusive iniciou a crise do Cespe, quando o senhor foi decano. Gostaria de saber, professor Ivan, quais foram as principais dificuldades que o senhor teve no Decanato de Ensino de Graduação?

Resposta de Ivan Camargo — Todos nós sabemos, Márcia, que a gestão pública não é fácil. O desafio que a comunidade acadêmica vai definir se eu assumir ou você, vai ser enorme. Tivemos dezenas de dificuldades na época em que estávamos no Decanato de Ensino de Graduação, no entanto a gente mantinha aquela cara de vanguarda. Aquela cara de olhar para frente, olhar para o futuro. Uma das coisas que aconteceu na época em que eu estava lá foi a definição das cotas. O Conselho Universitário (Consuni) discutiu várias vezes e definiu as cotas. Eu tive a honra de implementar. A Universidade de Brasília, à frente do Brasil, à frente do seu tempo, estava lá e agora o Congresso, mais de 10 anos depois, determina que todas as universidades públicas têm que seguir nesse caminho. Então, nós estávamos na frente. Vários outros casos aconteceram, vários outros problemas do dia a dia da gestão pública. Problema de segurança, de professores com estudantes. Evasão era um problema enorme na época e continua sendo, infelizmente, até agravado. Mas eu queria citar um que era interessante: foi o processo que tivemos no Supremo Tribunal, no qual uma interpretação equivocada, no nosso modo de ver, da lei fez com que todos os filhos e dependentes de funcionários transferidos para Brasília ex-ofício passassem a ter direito à matrícula na Universidade de Brasília. Foram 400 matrículas no curso de direito, acabou com o vestibular no direito. Foi uma crise muito grande e, evidentemente, com base no que foi decidido no colegiado, foi decidido no Cepe, nós conseguimos reverter junto com o professor Lauro Morhy esse processo que foi para o Supremo e ganhamos com 11 a 0. Tivemos, inclusive, ampla participação da imprensa. A imprensa ajudou muito nesse processo. É um caso antigo. Fizemos também a matrícula web, que nos orgulha muito.

Réplica de Márcia Abrahão — Realmente, o Decanato de Ensino de Graduação é muito complexo e gostaria de lembrar que as cotas não foram uma proposta da sua gestão, foi uma proposta do grupo de antropologia que, com muita resistência, conseguiu ser aprovado não no Consuni, mas no Cepe, que é o Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão. E fico feliz em ver que o senhor hoje é favorável às cotas. Eu acho que o senhor gastou tempo demais com essa questão do Supremo e das cotas e outras questões importantes do decanato acabaram ficando. Quando eu assumi o decanato, a UnB não tinha nenhum curso de graduação registrado no MEC, nós emitíamos diplomas irregularmente. Resultado dessas gestões anteriores, nós emitimos diploma com o estudante que não tinha concluído a graduação porque pagava taxa de graduação. E também não é permitido. Além disso, com todas as dificuldades, eu assumi a expansão que o senhor começou sem a aprovação na época, em 2004/2005, no Consuni, e nós levamos a expansão, o Reuni, a uma profunda restruturação acadêmica, todo reconhecimento de curso, PPPI (Projeto Político Pedagógico Institucional), vários projetos que infelizmente o senhor não começou.
 
Tréplica de Ivan — Algumas correções históricas: eu estava no Consuni quando foi aprovado. Eu estava no MEC, numa comissão do MEC, para avaliar os projetos do Reuni no Brasil inteiro, acompanhado do ministro da época. Todos os projetos, inclusive o da Universidade de Brasília, foram muito bem avaliados. Evidentemente, aprovado por todos os seus conselhos. Não existe a possibilidade de a Universidade de Brasília funcionar de uma forma não democrática. Acho muito desconfortável que a gente fique o tempo todo querendo denegrir a imagem do passado para falar: “Ah! Eles não faziam nada”. Eu, em momento nenhum nesta campanha, com os 10 candidatos do primeiro turno e agora com dois candidatos, em momento nenhum eu corro o risco de falar mal da minha amiga professora Márcia, que nos conhecemos há 20 anos, estamos batalhando juntos por essa universidade. Temos diferenças de linhas agora neste debate, mas vamos continuar juntos.

Pergunta da jornalista Lilian Tahan para Ivan Camargo —
Apenas 1% das cidades brasileiras dispõem de um orçamento superior a R$ 1 bilhão. Sob esse aspecto, a Universidade de Brasília tem um cofre igual ao de uma cidade de porte. No ano passado, a academia gastou R$ 1,1 bilhão. Para 2012, a previsão é a de chegar a receita da ordem de R$ 1,4 bilhão, e ainda assim há o risco de fechar o ano com deficit. O quadro evidencia problemas de gestão. São históricos os relatos da falta de estrutura, desde banheiros sem papel higiênico à carência de equipamentos essenciais para a pesquisa científica. Quais são seus planos para que as necessidades da comunidade acadêmica caibam dentro desse orçamento bilionário?

Resposta de Ivan Camargo – Obrigado, Lilian. Concordo com você. A dimensão do orçamento da Universidade de Brasília, R$ 1,3 bilhão, R$ 1,4 bilhão, é um dinheiro significativo e, como falei no bloco anterior, o compromisso que a gente botou na nossa campanha, o compromisso com a sociedade tem muito a ver com o compromisso de gastar corretamente o dinheiro público. O descontrole orçamentário que estamos vivendo. No começo deste ano, foi publicado na imprensa que o reitor da nossa universidade comentou de um deficit da ordem de R$ 72 milhões no custeio da nossa universidade. Isso, claramente, está relacionado com a má gestão. A atual má gestão. Não é à toa que a nossa campanha se propõe a mudar, a fazer uma gestão mais eficaz, e também a unir a nossa universidade. O que nós propomos para isso é muito simples: botar a universidade de volta nos eixos, não trazer para a universidade gente de fora para controlar os gastos da universidade. O servidor da UnB está sendo muito desvalorizado e a gente precisa resgatar o controle do próprio serviço na gestão da UnB. É essa uma das nossas proposições. Também há uma excessiva burocratização. Toda compra que é feita na Universidade de Brasília demora, no mínimo, seis meses para ser efetuada. Você comprar uma coisa para uma pesquisa que só vai chegar depois de um ano é um dinheiro jogado fora. A UnB tem feito isso de maneira sistemática e nós precisamos mudar. Outra demanda é essa dos estudantes. O DCE tem insistido muito nesse ponto. Precisamos de uma gestão na qual as coisas simples como banheiro, energia, internet, essas coisas têm que funcionar e é isso que vamos fazer com o orçamento.

Réplica de Márcia Abrahão — Excelente pergunta. Eu sou uma gestora que já provei minha capacidade de gestão na UnB. Estava na UnB recentemente. Os recursos do Reuni nós investimos mais de R$ 100 milhões integralmente, de forma colegiada, democrática, ágil, e é assim que nós vamos fazer porque nós já fizemos. Não estamos agora nos comprometendo para fazer o que não fizemos. Os problemas de gestão não começaram agora, são problemas que vêm de anos. A sociedade acompanhou a crise dramática de 2008, resultante de gestões que foram temerosas na universidade. O professor Ivan Camargo participou da gestão do professor Lauro, que teve aquela crise do Cespe, em seguida a gestão do professor Timothy, que era vice do professor Lauro, e a crise da editora, resultando na demissão de funcionários. A UnB deixou de pagar INSS e é óbvio que isso vai refletindo e ainda nós não conseguimos superar essas crises, mas com a nossa capacidade de gestão, do professor Marcelo Bizerril e minha, que já demonstramos, nós vamos sim fazer uma gestão eficiente, ágil, moderna e democrática.

Tréplica de Ivan Camargo — Confesso que não entendo porque a professora Márcia insiste em me colocar ou tentar me colocar na gestão da crise. Eu não participei da gestão da crise e ela sabe disso. Não tem motivo nenhum de ficar insistindo nesse ponto e a professora Márcia insiste em falar do passado. Eu, aqui na televisão, queria era falar do futuro, falar dos novos projetos, colocar a nossa universidade na vanguarda de novo, trazer acadêmicos internacionais para discutir a universidade, não ficar gastando o nosso orçamento, que é enorme em ineficiências e burocracias. Nós fizemos, criamos dois decanatos. Nós criamos, eu não, a gestão atual criou dois decanatos e fica um batendo cabeça com o outro. Cada documento para comprar alguma coisa precisa da assinatura de pelo menos dois decanos. Temos que simplificar os processos, desburocratizar, descentralizar, fazer exatamente o contrário que a atual gestão, que a Márcia participou.

Pergunta de Márcia Abrahão —
Professor Ivan, temos feito muitos debates e, recentemente, em um dos debates, o senhor falou que cobrou taxas de colação de grau num momento em que a universidade vivia crises. Agora nós estamos numa crise internacional, com redução de recursos, e na nossa gestão, na minha ou na sua, nós provavelmente não teremos essa quantidade de recursos que nós tivemos até agora. Na sua gestão, o senhor vai retomar a cobrança de taxas de colação de grau? Com essas crises que se avizinham, outras taxas poderão ser cobradas? Que outras taxas o senhor pensa em cobrar na área de graduação ou em outras áreas?

Resposta de Ivan Camargo — Na nossa gestão, vamos voltar a falar do passado. Na nossa gestão, de fato, todas as formaturas da Universidade de Brasília eram feitas individualmente por cada um dos estudantes. Essas formaturas eram caríssimas e eram segregatórias, por quê? Porque os alunos carentes não podiam participar porque eram muito caras. A UnB decidiu, à época, trazer a responsabilidade da formatura e dar a cerimônia que esse rito de passagem merece, precisávamos fazer isso. Na época, o Ministério Público deixou muito claro que a gente não poderia utilizar dinheiro público para essa cerimônia. Como nós julgávamos muitíssimo importante essa cerimônia, pedimos ou concordamos com os estudantes a questão de contribuições para a formatura. Essa contribuição foi gerenciada dentro da lei, da maneira mais transparente possível, e nós conseguimos transformar uma formatura mesquinha, pequena, para poucos estudantes, num grande evento, talvez o mais importante da universidade. É o momento que a universidade presta conta à sociedade: “Olha só, olha os nossos alunos formados”. Fizemos isso, entregamos o diploma, fizemos um belo trabalho, fazendo essa transformação e, principalmente, essas contribuições evidentemente eram voluntárias. E os alunos carentes não pagavam e participavam democraticamente daquela bela cerimônia de colação. Eu, quando fui diretor, entreguei uma vez um diploma numa colação independente para um ex-aluno meu. Foi uma cerimônia de dois minutos e o pai dele estava ao meu lado. Ele chorou, chorou. E isso me fez falar: nossa, como é importante essa cerimônia, como é importante dar valor a ela, e foi o que nós fizemos.

Réplica de Márcia Abrahão — É importante a gente resgatar a história porque nós temos muitos professores e técnicos novos que não conhecem a história da UnB. Alguns que entraram no ano de 2010 para cá, quando o professor Ivan estava fora da UnB, o importante é resgatar a história. Nós temos problemas financeiros e sempre teremos, o gestor não pode cometer ilegalidade para poder ultrapassar problemas financeiros. A cobrança de taxa é proibida pela Constituição. Nós, quando assumimos, após a crise, na gestão pró-tempore, interrompemos porque não podia. E a forma também como era feita não era uma forma adequada, tanto é que existem processos em relação a isso e infelizmente esses processos administrativos e judiciais são muito lentos. A universidade tem que ser gerida com criatividade, com muita ousadia, mas com muito respeito à democracia e às leis. Não existe argumento que faça com que a gente cobre taxas que são ilegais. Nós não faremos isso, nós iremos usar nossa capacidade de gestão que já foi muito demonstrada na universidade.

Tréplica de Ivan Camargo — Evidentemente, não vamos cometer nenhuma irregularidade. O papel da universidade é um papel didático. Se a universidade não for rigorosamente dentro da lei, como será essa sociedade? Essa sociedade que nós queremos crescer no futuro. Nós da UnB temos a responsabilidade, evidentemente, então total compromisso com a legalidade, e não cometemos nenhuma ação ilegal, isso é óbvio. Evidentemente temos que falar da gestão do Lauro Morhy, é uma gestão bem antiga, mas temos que falar do passado, todas as contas foram aprovadas. Já fizemos várias outras ações na universidade, por exemplo, ações de extensão, como a semana de engenharia. Ao final, os alunos se cotizam para fazer uma festa. Isso não tem nada de ilegal. Nós temos que nos pautar pela legalidade.

Considerações finais de Ivan Camargo — É, de fato, um prazer estar aqui neste debate. Discutimos ideias, discutimos o futuro da nossa universidade. É uma oportunidade única porque discutimos muito internamente, sair da universidade, ouvir a sociedade , ouvir os comentários das pessoas me parece absolutamente indispensável na situação atual da UnB. Eu estou na UnB há 34 anos, (tenho) compromisso total com a minha universidade. Considero, inclusive, que o meu papel no governo, no estado brasileiro como servidor público, enriqueceu muito as minhas aulas. Estar trabalhando na Aneel por dois mandatos diferentes me trouxe muitas informações. De fato, acredito que essa interação com a sociedade melhora a universidade, não piora, e é nesse caminho que nós vamos trilhar. Posso até dizer que esse primeiro turno me encheu de orgulho, foram 2.241 estudantes votando na nossa chapa, deu um orgulho danado. Também tenho orgulho de dizer do meu currículo várias coisas, mas uma particularmente: nos últimos 20 anos que tenho dado aula, sou homenageado por todos os estudantes. Nos últimos cinco anos, fui patrono das turmas. Isso me orgulha muito e vou continuar trabalhando pela universidade. E as urnas vão dizer qual é a melhor proposta. A nossa é muito clara: gestão eficiente, mudança e união.
A gente precisa sair desse processo eleitoral melhor do que entramos. A gente tem um apoio muito grande. Tenho uma parceira que é a professora Sônia Báo, que é uma mulher de garra, de fibra, que está junto comigo neste trabalho. Temos um grupo enorme de professores brilhantes, estudantes brilhantes e servidores brilhantes que estão trabalhando com a gente. Vamos fazer um belo trabalho na Universidade de Brasília. Peço à comunidade acadêmica que vote 86, A UnB Somos Nós.

 

 

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