Entrevista Márcia Abraão

Foco na expansão e nas contas

A candidata da chapa 80-O amanhã fazemos juntos diz que pretende concluir o processo de ampliação da universidade e vai avaliar, em primeiro lugar, se eleita, a execução orçamentária, para reduzir eventuais deficits

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postado em 10/09/2012 13:11 / atualizado em 10/09/2012 13:14

Thaís Paranhos

A um dia da consulta que escolherá o novo reitor da Universidade de Brasília (UnB), os dois candidatos intensificam a campanha e reforçam os compromissos com a comunidade acadêmica. Em entrevista ao Correio, a professora do Instituto de Geociências Márcia Abrahão voltou a falar de temas que considera importantes, como a segurança dos câmpus, o orçamento e a expansão da universidade, além de indicar qual será a primeira medida a ser tomada caso seja eleita. A ex-decana de Graduação ressaltou a importância de a universidade concluir o plano de expansão e lembrou que foi durante a gestão dela que o processo foi implantado. Segundo a professora, houve um aumento de quase mil docentes, 550 técnicos e o número de estudantes saltou de 25 mil para 35 mil. “Temos que concluir as obras e dar condições plenas para que os cursos funcionem e para o desenvolvimento de pesquisa nos câmpus”, disse. Preocupada com o orçamento da instituição e com o deficit de R$ 72 milhões, Márcia adiantou que, caso seja eleita, fará uma avaliação minuciosa das contas da UnB. “Essa questão trouxe a UnB para a maior crise em 2008. É preciso acompanhar passo a passo a execução orçamentária de 2012 para que a universidade execute, integralmente, o seu orçamento e reduza o deficit, se houver”, completou. Veja abaixo a entrevista com a candidata da chapa 80 — O amanhã fazemos juntos. Na edição de ontem, o Correio informou erroneamente que o número da chapa era 86, de Ivan Camargo.


Nos últimos anos, a UnB caiu em vários rankings relacionados à qualidade do ensino. Como pretende melhorar esse quesito e elevar a universidade nos patamares de colocação nas pesquisas?
Importante ressaltar que a UnB caiu nos rankings de pesquisa e pós-graduação. Esses rankings acabam influenciando os demais. Nos de ensino de graduação, a UnB tem aumentado a sua pontuação. Pretendemos implementar políticas específicas para os programas de excelência, emergentes e para os novos. Vamos aumentar o grau de internacionalização da universidade, trabalhar para que a instituição aumente o número de programas de pós-graduação nível internacional 6 e 7. Agora, vamos trabalhar para melhorar os indicadores sem excluir os docentes. Hoje, a universidade tem menos de 50% dos professores na pesquisa e na pós-graduação.

Quais serão os incentivos para os estudantes de baixa renda? Que tipo de benefícios vão manter, melhorar ou adicionar?
O governo federal tem o Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) e nós vamos fazer com que o orçamento do Pnaes seja 100% distribuído de forma participativa, para que a comunidade conheça e possa definir os critérios de distribuição. Vamos ampliar a quantidade de bolsas permanência. Hoje, nós temos uma quantidade grande de alunos de baixa renda. Um dos grandes problemas na graduação é a evasão, que tem várias causas, entre elas a questão sóocioeconômica. Então, nós vamos trabalhar fortemente para reduzir a evasão e, dentro dessa política, iremos promover uma permanência qualificada. Vamos fortalecer e reestruturar o Decanato de Assuntos Comunitários, que trata dessa área, para se adequar também às necessidades. Vamos ter moradia estudantil e restaurante universitário em todos os câmpus.

A senhora é a favor das cotas para escolas públicas? Alguns estudiosos alertam para o risco do aumento da evasão e da queda na qualidade do ensino. Acha que existe esse risco? Se, sim, como evitá-lo?
Acho que essa é uma política compensatória, importante no país. As políticas compensatórias são importantes por determinado período. Esse projeto especificamente, o único questionamento que eu faço é que ele não foi discutido com as universidades. Nós tivemos uma decisão do Senado, do Congresso, sem discutir com as universidades. Nós somos favoráveis a cotas. O que nós fizemos e vamos ampliar na nossa administração são programas de bolsa para estudantes que participam de tutoria. Eu instituí tutoria para disciplinas de matemática, física e química para estudantes de exatas. Logo no segundo semestre, o estudante tem o acompanhamento de um próprio colega que ganha bolsa nas disciplinas de matemática, física e química. E isso nós temos que expandir para toda universidade, independentemente se o estudante entrou por cota ou não. Isso é uma política para a redução de evasão importante que tem que ser ampliada.

Como resolverá o problema da segurança nos câmpus?
A universidade não está ilhada. Então, nós temos que trabalhar de forma integrada com os governos do DF e federal. Internamente,  vamos melhorar a iluminação, a capacitação dos técnicos do setor de segurança, dar mais condições de trabalho, de equipamentos e viaturas, aumentar o transporte inter e intracampus. Vamos também aumentar a tecnologia. Além disso, pretendemos fortalecer o Conselho Comunitário de Segurança e discutir temas polêmicos, de modo que toda a comunidade participe das discussões também.

O que fará para consolidar o processo de expansão? Quais são os principais desafios nessa área?
Nós implantamos o processo de expansão, no Gama e em Ceilândia, e também mais alguns cursos de Planaltina, além do Câmpus Darcy Ribeiro. Contratamos 380 docentes para os três primeiros câmpus. Criamos 36 cursos. Houve um aumento de quase mil docentes, 550 técnicos. A universidade passou de 25 mil para 35 mil estudantes. É um programa robusto. Então, o que nós temos que fazer? Nós vamos consolidar o programa. Isso é ponto pacífico, foi uma decisão do Consuni (Conselho Universitário), que eu participei e nós vamos consolidar. A consolidação tem várias vertentes. Tem a física, pois nós temos que concluir as obras, dar condições plenas para que os cursos funcionem. Hoje, já temos programas de pós-graduação em todos os câmpus. Temos de dar condições também para o desenvolvimento de pesquisa. Os novos docentes e novos técnicos são altamente preparados. Precisamos ainda equipar, em termos de laboratório, e construir restaurante, moradia. Os principais desafios no momento são concluir a parte física e construir novas áreas para atender, agora, a próxima etapa, que é de mais suporte para a pesquisa e pós-graduação e para laboratório e moradia para os estudantes.

Vai implementar a redução da carga horária para os servidores técnicos administrativos? Quais serão as políticas para essa categoria?
Vamos implementar a carga horária de 30 horas. Foi uma decisão do Cade (Centro de Acompanhamento e Desenvolvimento Educacional) e deveria ter sido concluída em julho. Então, quando assumir em novembro, se não tiverem concluído, eu vou concluir. Vamos valorizar os técnicos administrativos com curso de capacitação, formação, inclusive em nível de graduação. Pretendemos fortalecer a presença dos servidores técnicos administrativos em cargos de chefia. Nós vamos valorizar a experiência e a competência dos nossos servidores também na administração da universidade.

Como resolverá o problema do deficit orçamentário? A volta das fundações é a saída? Como retomar esses convênios/financiamentos sem correr o risco de abrir espaços para fraudes?
Esse é um problema. A questão trouxe à universidade para a maior crise que ela viveu em 2008. O deficit orçamentário é de custeio. Ao longo dos anos, a universidade vem caminhando para isso em função de ter feito contratos de terceirização na época sem lastro legal. E isso aí só vem ampliando ao longo dos anos. Nós vamos, primeiro, avaliar com cuidado essa previsão de deficit. Vamos fazer programa de redução de despesa de custeio, principalmente água, luz, telefone, um planejamento orçamentário adequado. De modo que a gente tenha total controle do nosso orçamento na hora de executar. As fundações são uma instituição privada, para que a universidade possa captar recursos de modo que isso não entre no orçamento da instituição. Agora, também são instrumento de utilização desde que com controle público e de acordo com o estabelecido no Conselho Universitário. Nós não podemos deixar a universidade retornar àquelas práticas que vigoraram até 2008, quando entrou na sua crise mais dramática. Isso nós não vamos fazer. Vamos trabalhar sempre dentro da legalidade. E também buscar fonte de recursos tanto dos órgãos públicos quanto dos privados. Vamos buscar todas as fontes de recurso, mas executar corretamente e fazer economia como uma dona de casa sabe fazer.

Como vai lidar com a questão dos terceirizados? Vai acabar com os contratos precarizados?
Os terceirizados são aqueles de cargos que não têm mais vaga no concurso público, como o pessoal de limpeza etc. Isso aí, nós vamos manter. A gente vai ter que melhorar a forma de contratação para que os serviços sejam mais bem executados. Quanto aos precarizados, essa foi uma forma de contratação que a UnB estabeleceu ao longo dos anos. Em 2007, já havia uma decisão da Justiça mandando a UnB regularizar a situação. A universidade, como outras ações, não fez. Vamos trabalhar de modo que essas pessoas tenham a condição de continuar na universidade de uma forma regularizada e fazer uma negociação com a Justiça para a gente trabalhar daqui para frente, mas sem penalizar as pessoas que estão lá e são muito úteis para a universidade. Ao mesmo tempo, vamos atrás de vagas públicas para a universidade.

Como incentivar a pesquisa na universidade e a formação de novos pesquisadores?
No caso da graduação, nós temos que ter ampliação das bolsas de iniciação científica. Incentivar a participação dos nossos estudantes no programa Ciência sem Fronteiras, porque com isso vem a internacionalização. E fazer uma política de pesquisa que seja específica para os programas e para as áreas de excelência, e para aqueles emergentes e os que estão há anos estagnados, de modo que a universidade tenha um salto de qualidade que ela precisa ter, que ela não teve nestes últimos 15 anos na área de pesquisa e pós-graduação.

Qual será a primeira medida caso seja eleita reitora da UnB?
A primeira medida vai ser uma avaliação minuciosa das contas da UnB. Eu assumo em novembro, perto do fim do exercício. Então, vamos fazer uma avaliação minuciosa das contas da UnB, acompanhar passo a passo a execução orçamentária de 2012 para que a universidade execute, integralmente, o seu orçamento e reduza o deficit se houver. Também verificar, imediatamente, a situação do andamento das obras. Essas são as ações imediatas.

Como avalia o processo eleitoral deste ano?
Bom, esse é o meu primeiro processo eleitoral. Foi um processo tranquilo, porém cansativo. A Comissão Organizadora da Consulta (COC) criou muitas normas, burocratizou a consulta, atrapalhando também no fim da greve. Mas o clima entre os candidatos foi muito bom. Infelizmente, agora, no fim do segundo turno, eu estou sendo vítima de boatos e mentiras. Lamento que isso tenha acontecido. Não tenho revidado porque tenho consciência do meu papel dentro da universidade. Estamos fazendo uma campanha educadora
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