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Educação

Professor brasileiro entre os melhores

Alexandre Lopes trabalha com alunos especiais e foi escolhido um dos quatro melhores educadores dos EstadosUnidos

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postado em 15/04/2013 11:13 / atualizado em 15/04/2013 11:20

Larissa Domingues

A vocação e o esforço levaram o brasileiro Alexandre Lopes, 44 anos, a integrar a lista dos quatro finalistas que disputam o título de melhor professor dos Estados Unidos. Daqui a pouco mais de Uma semana,em23 abril, ele estará na Casa Branca, sede do governo norte-americano, onde o prêmio será entregue pelo presidente Barack O bama.Natural de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lopes mora nos Estados Unidos há 18 anos e, há oito, dá aulas em escolas da Flórida, onde foi considerado o melhor educador de 2012.

Com menos de uma década de experiência, Alexandre se tornou um dos líderes da Carol City Elementary School, uma escola de educação fundamental que recebe alunos com distúrbios como o autismo, em uma região carente do condado de Miami-dade, na Grande Miami. No colégio, Alexandre dá aulas para crianças entre3e5anos, do chamado maternal.

“Para cada aluno com autismo, há dois sem.Meu método é o da inclusão total, no qual ensino a mesma coisa, da mesmama neira, para os meus alunos com e sem deficiência intelectual”, explica. “Uso muita música e procuro atingir as crianças por meio de todos os sentidos. Busco também trabalhar para trazer a cultura da criança para o contexto da escola.”

O trajeto percorrido até concorrer ao título de melhor professor do ano nos Estados Unidos começou em 2011, na Carol City. “Primeiro, virei o professor doano da minha escola. Depois, já no ano passado, fui escolhido o educador do ano da região de Miami onde trabalho, a Miamidade. Então, no fim de 2012, fui selecionado professor do ano da Flórida”, pontua. Em 23 de abril, além de Alexandre, estarão os professores do ano dos demais estados norte-americanos, mais um educador das escolas militares dos EUA pelo mundo. Aluno de doutorado em uma universidade norte-americana, Alexandre concorre com três professores do ensino médio.

Para o educador, além do orgulho de ser prestigiado com o título de melhor professor da Flórida, esta é uma oportunidade de mostrar a realidade dos estudantes. “Meus alunos têm deficiências, são carentes e grande parte é imigrante, aprendendo a falar inglês. Representam uma classe minoritária da sociedade americana, é uma chance de mostrar a vida desses meninos e meninas, dar voz a eles”, explica. Como título de professor do ano, o educador começou a apresentar palestras por vários condados da Flórida e do país. Desde que começou a lecionar, Alexandre já teve dois alunos brasileiros.

Tragetória

Enquanto morava no Brasil, Alexandre não imaginava que se tornaria professor. Aqui, conciliava os estudos com o trabalho em companhias aéreas. Aos 26 anos, um grande amor o levou a morar nos Estados Unidos. Lá, empregou-se como comissário de bordo na United Airlines. O relacionamento amoroso terminou, mas Alexandre não voltou ao Brasil.

Só em 2002, a vida de Alexandre começou a tomar a forma que é hoje. Após o ataque terrorista de 11 setembro, a companhia área onde trabalhava entrou em concordata e ofereceu aos exfuncionários uma licença, com alguns benefícios, sem salário. “Aquela foi a oportunidade que me faltava. Depois de um tempo voando, eu me sentia muito desancorado socialmente e queria voltar a estudar, fazer algo que me atrelasse socialmente, mas me sentia um pouco inseguro, porque já tinha mais de 30 anos”, conta. Ele decidiu conversar com uma conselheira acadêmica e fazer os trâmites de validação de diploma estrangeiro. “Quando fui falar com ela, imediatamente pensei que queria dar aulas. Só que eu considerava dar aulas de português e inglês.”

A especialista consultada pelo brasileiro, então, perguntou se ele já havia considerado atuar com educação especial. Ela disse que era uma área carente de professores. “Fiz uma aula de introdução e acabei gostando muito do curso de capacitação. Logo que terminei, consegui uma bolsa de mestrado para estudar educação especial com foco em intervenção na primeira infância”. Logo após receber o título de mestre, Alexandre recebeu uma proposta para lecionar no colégio que trabalha hoje.

 

Meus alunos têm deficiências, são carentes e grande parte é imigrante, aprendendo a falar inglês. Essa é uma chance de dar voz a eles”

 

Alexandre Lopes, professor

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