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Educador português fala sobre mudanças no ensino a professores do DF

José Francisco Pacheco, fundador da Escola da Ponte, em Portugal, critica modelos tradicionais de educação

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postado em 08/05/2013 19:29 / atualizado em 09/05/2013 10:59

Gustavo Aguiar

Crédito: Moisés Yousef/ Divulgação
Em palestra voltada aos professores, gestores e coordenadores dos colégios públicos do Distrito Federal, o educador português José Francisco Pacheco criticou o modelo tradicional de educação adotado pelas escolas brasileiras.  Na conversa, o especialista apontou a burocracia e a ingerência das instâncias públicas em garantirem um modelo de educação que o professor chama de “transformação vivencial”.

O encontro ocorreu na manhã desta quarta-feira (8) com educadores de Santa Maria, na administração da cidade satélite, e na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do DF (Eape), na Asa Sul, durante a tarde. A conversa buscou inspirar os educadores da cidade para experiências e novas práticas educacionais bem-sucedidas, como a Escola do Porto (leia mais abaixo), em Portugal, fundada por Pacheco, e o Projeto Âncora, que o professor coordena em Cotia, na região metropolitana de São Paulo.

Um dos alvos de críticas do educador foi a estrutura e os métodos do Ministério da Educação (MEC) para elevar os índices de qualidade de ensino no país. “O ministério promove uma educação caduca. Enquanto aumenta número de provas, vestibulares, índices de avaliação e contrata ainda mais funcionários para gerir a estrutura de ensino no país, o MEC reafirma a visão ultrapassada que tem do ato de educar. O Brasil está fazendo o oposto dos países com os melhores índices de educação no mundo, como é o caso da Finlândia”, lembra Pacheco. 

Modelo ultrapassado
Segundo o pensador, as salas de aula são nocivas à educação. “Isso é resquício de um modelo medieval de ensino que já está ultrapassado”, afirma. Para ele, a estrutura adotada pela maioria das escolas  não garante ao aluno a autonomia e a independência que deveria. “A sala de aula virou uma prisão, com grade curricular e carga horária. Quem não quer aprender na 'prisão', torna-se um evadido. Os termos são os piores possíveis para falar de ensino e aprendizado.”

Na opinião de Pacheco, “o aluno é um reflexo de seu professor, e esse modelo antigo tolhe tanto um quanto o outro. Vi que cursos, seminários e salas de aula não davam resultado algum no que eu queria propor como modelo de educação. Os índices bons se mantinham, os ruins também. E os problemas se perpetuavam.”

O professor acredita num modelo em que o educador seja capaz de transmitir confiança, autonomia, responsabilidade e segurança. “Isso não se faz numa sala de aula”, avalia. Para ele, formar professores capacitados para novos modelos de educação é essencial para que a experiência dê bons resultados. “O modo como o professor aprende reflete na maneira de como ele ensina.”

Crédito: Moisés Yousef/ Divulgação
Reforma na casa
Na opinião da educadora Ana Izabela Costa, para que projetos como o do professor José Pacheco funcione no DF, é preciso reformar a estrutura de educação. “Precisamos de uma revolução. A nossa educação é como uma casa que não tem mais condições de ficar em pé, mas nós continuamos fazendo pequenos reparos, mesmo sabendo que ela vai cair”, compara.

Ana Izabela associa o fracasso do modelo escolar tradicional à visão ultrapassada de educação criticada pelo professor português. “Todo o sofrimento, a angústia e o adoecimento em que vivem os professores na cidade é reflexo disso.”

Rosana Fernandes, professora lotada na regional de ensino de Ceilândia, acredita que o modelo do professor Pacheco é possível de ser replicado em Brasília. “O grande desafio é o próprio educador assumir essa responsabilidade para si, e mudar as próprias concepções sobre a educação, que já estão cristalizadas”, afirma.

Educar para o futuro
José Francisco de Almeida Pacheco é o fundador da Escola da Ponte, em Portugal, um modelo pedagógico que, desde 1976, dispensa divisão entre séries e disciplinas, estimula a independência do aluno e o autodidatismo. A filosofia que norteia o projeto é de que uma escola não precisa ter muros para funcionar. “Escola são pessoas”, afirma Pacheco. 

A experiência vem sendo reproduzida em Cotia (SP) desde 1995, por meio do Projeto Âncora. Hoje, quase 700 crianças e adolescentes em situação de risco frequentam a escola e se integram em cursos profissionalizantes e de informática, atividades de circo e teatro, oficina de artes, aula de música, práticas esportivas, creche, entre outras. “Tudo sem nenhum apoio do governo”, lembra Pacheco.

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