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Mãozinha para o estudo

Cursinho comunitário gratuito conta com a ajuda de professores voluntários a ensinar a quem não tem condiçõesde pagar aulas particulares. Iniciativa funciona em duas unidades e tem, atualmente, mais de 300 alunos na capital

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postado em 10/02/2014 11:26 / atualizado em 10/02/2014 11:28

Thiago Soares

Antonio Cunha
O sonho de um jovem de passar em certame público. Essa foi a motivação para que um empresário de Brasília criasse aulas prepararatórias para os concurseiros do Distrito Federal. Assim surgiu o Cursinho Solidário, que hoje atende, gratuitamente, mais de 300 pessoas. São alunos que agora enxergam com esperança uma forma de ingressar na carreira pública.

O empresário e professor Godofredo Gonçalves Filho, 29 anos, foi o primeiro a lecionar, ao lado de dois professores que apostaram no projeto. Tudo começou quando um rapaz pediu a ele  ajuda para comprar uma apostila preparatória. Então, o empreendedor decidiu que somente um livro não seria suficiente para dar o apoio àquela pessoa. Mais do que isso, somente um aluno não seria o bastante. Godofredo queria beneficiar mais gente.

Havia um motivo forte para o esforço de dar apoio ao jovem. Era uma forma de o professor agradecer o acolhimento que Brasília teve com ele — contrariando a fama de cidade fria e pouco receptiva. Em 2001, aos 19 anos de idade, Godofredo chegou à capital para realizar o sonho de ingressar em uma faculdade de administração. “Eu cheguei sem nenhum tostão no bolso, mas a cidade me acolheu muito bem. Tudo o que eu quis conquistei, desde a minha formação profissional até a minha carreira”, relata.

Proposta feita, agora era hora de correr atrás dos alunos. Em uma rede social, Godofredo anunciou a criação do cursinho. Aos poucos, os interessados foram atrás dele buscando mais informações. “A ideia inicial era dar aula a pequenas turmas, de no máximo 20 alunos. Só que a procura foi grande”, explicou. Deu certo. No fim de 2012, o sonho começou a se tornar realidade. E deu chances a estudantes como a administradora Sheilene Oliveira Campos, 39 anos. Em sua busca por cursos preparatórios, ela sempre esbarrava no obstáculo de não ter condições de arcar com os custos de aulas em instituições particulares, ainda mais por estar desempregada. Até que ela achou o Cursinho Solidário. “A iniciativa é muito boa. As pessoas carentes têm potencial, porém, as oportunidades só vão para aqueles que possuem condições. Eu chorei muito quando soube da informação. É um sonho”, lembra Sheilene.

Esforço
Os exemplos de alunos que lutam por um emprego estável são muitos. Assim como os esforços deles. Rogério Ferreira Borges, 40 anos, se desdobra para participar do curso. Ele é vigilante noturno. Sai do trabalho direto para as aulas. “A oportunidade é única e exemplar. Hoje, em Brasília, cursinho virou moda, só que nem todos têm condições de bancar as aulas”, aponta Rogério. Ele não está errado. Atualmente, os custos com um curso preparatório no módulo básico variam entre R$ 1 mil e R$ 2,5 mil. Mas os valores podem chegar a quase R$ 4 mil para pacotes mais completos. O vigilante explicou que já estava economizando para tentar ingressar em algum cursinho particular, quando viu a oportunidade de estudar de graça e ainda perto de casa, em Samambaia. Hoje, a iniciativa tem unidades na cidade e também em Planaltina.

Atualmente, mais de 30 profissionais se dedicam para ensinar no Curso Solidário. Marisa Moreira da Silva, 37, foi uma das primeiras professoras voluntárias do projeto. Ela relata que os alunos são esforçados e comprometidos com a meta de serem aprovados em um concurso público. “É gratificante ajudar as pessoas a realizarem sonhos. É um projeto lindo e, se depender de mim, vai continuar muito atuante.”

“A iniciativa é maravilhosa. As pessoas carentes têm potencial, porém, as oportunidades só vão para
aqueles que têm condições”
Sheilene Oliveira Campos, aluna
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