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Formação de professores no Brasil

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postado em 01/05/2014 15:29 / atualizado em 01/05/2014 15:32

No discurso de posse, o ministro da Educação, José Henrique Paim, colocou, de forma assertiva e correta, a questão da formação de professores como uma de suas prioridades. Ele sabe, por seu lado, que não pode simplesmente fazer mais do mesmo. Os últimos estudos mostram que tanto a formação inicial como a continuada de professores no Brasil não responde às necessidades atuais e futuras da escola pública.

Na minha opinião, o trabalho “Professores no Brasil: impasses e desafios” — realizado pelas professoras e pesquisadoras Bernadete Gatti e Elba de Sá Barreto e publicado em 2009 com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) — é importante referência, sem esquecer “Formação continuada de professores: uma análise das modalidades e das práticas em estados e municípios”, publicado em 2011 pela própria Bernadete, com apoio da Fundação Victor Civita. Ambos evidenciam com muita clareza como a formação docente no Brasil está longe das salas de aulas. Muita teoria e pouca prática. A formação continuada serve para tapar os “buracos” deixados pela formação inicial.

Posto isso, entendo que o ministro Paim deveria convidar reitores, pró-reitores de graduação e coordenadores de cursos das licenciaturas a debruçarem-se sobre as evidências expostas nos trabalhos de Gatti e Sá Barreto. A maioria, lamentavelmente, não conhece esses trabalhos, o que apenas revela como as licenciaturas são tratadas no Brasil, ou seja, em um plano de importância secundária pelas instituições de ensino superior.

Mas não vou me debruçar sobre esse contexto. Quero, na verdade, realçar a importância da mais recente obra sobre esse tema, que foca a formação continuada de professores, a ser disponibilizada em breve, e gratuitamente, para todas as secretarias de Educação do Brasil. Fruto de uma parceria do Instituto Ayrton Senna (IAS) com o Boston Consulting Group (BCG), com apoio da Cross Content, o livro, em formato eletrônico, traz novas evidências sobre a formação continuada de professores no Brasil, além de reforçar os argumentos de Gatti e Sá Barreto.

Para isso, foram consultados, por meio eletrônico, 2.732 professores e gestores educacionais de todo o país e entrevistados importantes especialistas nacionais e internacionais. Além disso, o trabalho traz estudos de caso de práticas de sucesso adotadas no Brasil e no exterior, como em Sobral, no Ceará; Xangai, na China; e Victoria, na Austrália.

Não podemos mais ter escola do século 19, professor do século 20 e aluno do século 21. Esse aluno precisa — e merece — ter professores criativos, inovadores e bem-preparados. Nos países que estão no topo da educação mundial, como Finlândia, Cingapura, Coreia do Sul e Canadá, um professor sai da universidade com formação sólida, que dialoga com a prática da sala de aula. Em alguns casos, passa por espécie de residência docente antes de começar efetivamente a exercer o ofício, como se faz aqui com os médicos. Esse cuidado é essencial para a formação das gerações futuras.

O tema é da mais alta relevância para o futuro de qualquer país que queira ser de fato protagonista no atual e no futuro cenário mundial. Não há país livre e soberano sem bons professores. Vários estudos mostram que, entre as variáveis que podem melhorar a educação, a qualidade do professor é a que mais influencia o desempenho escolar dos alunos. Bons professores influenciam ainda os ganhos financeiros futuros dos alunos. Por exemplo, eles podem impactar a renda futura anual agregada de uma classe de 20 alunos em até US$ 400 mil!

Portanto, o fato de o ministro Paim dar prioridade à formação de professores é positivo. O que não pode acontecer é continuar a fazer mais do mesmo. As instituições de ensino superior precisam mudar urgentemente o modo de formar os futuros professores. O aumento de recursos financeiros para essa finalidade é importante, mas não é a única ação efetiva, dado o tamanho da urgência. Os alunos agradecem!
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