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Menino executa professor

Garoto atira na cabeça de docente em suposta tentativa de assalto na Vila Vicentina, em Planaltina. Hoje, após o enterro, amigos, parentes e alunos farão manifestação na cidade

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postado em 05/05/2014 14:00

Mirelle Pinheiro , Ricardo Daehn

Guilherme assumiria o cargo de PM em Florianópolis nesta semana (Arquivo Pessoal) 
Guilherme assumiria o cargo de PM em Florianópolis nesta semana


Uma manifestação de familiares e amigos do professor de inglês Guilherme Moura de Jesus, morto ontem, depois de reagir a uma tentativa de roubo no sábado, deve ter a participação de estudantes do Centro de Desenvolvimento Global, local onde a vítima trabalhou. Com mais de 500 acessos e reações que demonstraram apoio aos familiares — atingido por um tiro na nuca, na Vila Vicentina (Planaltina) —, uma página intitulada 'Força, Professor Guilherme' registrou a solidariedade dos indignados com a morte do docente, que será velado no Cemitério de Planaltina, a partir das 8h. Após o enterro, previsto para as 10h, o ato deve tomar as ruas da região administrativa. Guilherme foi alvejado enquanto fazia atividade física em um Ponto de Encontro Comunitário, em frente à Igreja São Vicente.

O coordenador do curso em que o professor trabalhava, Álvaro Manuel da Silva, comenta que a mobilização de hoje tem como objetivo a garantia de que a “polícia consiga fazer o trabalho dela e que a morte do Guilherme não seja mais uma, em meio à impunidade que ocasiona esses crimes”.

Ex-professor de 130 alunos, Guilherme já tinha se desligado da atual escola, e a despedida dos alunos aconteceu em 10 de abril, data que coincidiu com a comemoração do aniversário do amigo Álvaro. “Na festa, ele estava muito feliz por estar quase concretizando o antigo sonho de ser policial. Temos realmente que nos manifestar de forma pacífica. Não há como seguir assistindo à morte de pessoas de bem como o Guilherme”, concluiu.

Por volta das 8h30 de sábado, o professor teria sido abordado por um garoto que, segundo testemunhas, não aparentava mais do que 11 anos. O menino pretendia levar a bicicleta e o celular do professor. Foragido, o infrator, quando for apreendido, será encaminhado para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).

Policial

Guilherme tinha 28 anos, e morava com os pais e a irmã em Planaltina. Era considerado uma pessoa muito calma. Além de professor, era entusiasta de um grupo de música em uma igreja do bairro. Convocado pela Polícia Militar, por meio de concurso, o jovem estava prestes a, na próxima quinta-feira, seguir viagem para Florianópolis, onde assumiria o cargo. “Ele estudava para concurso público desde que se formou. Para a família, o clima era de festa, devido à aprovação no certame. Agora, interromperam os sonhos dele e os nossos", disse a também professora e tia do jovem Urânia Feitosa.

Após o assalto, Guilherme foi levado para o Hospital Regional de Planaltina, mas, como o estado de saúde do professor era gravíssimo, ele foi transferido, ainda no sábado, para o Hospital de Base. A família foi avisada da morte cerebral às 22h. No entanto, o coração de Guilherme parou às 10h de ontem.

Praticar atividades físicas fazia parte da rotina do jovem. Segundo Urânia, Guilherme era adepto de esportes e costumava malhar na academia ao ar livre da Vila Vicentina, local onde ocorreu o assalto. Testemunhas afirmaram que um garoto, acompanhado de outro adolescente, anunciou o assaltou e pediu o celular. Em seguida, efetuou o disparo que atingiu a nuca de Guilherme. A ocorrência foi registrada na 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina).

“O sentimento que fica é de indignação. Um trabalhador honesto, pacato, sem vícios, se tornou mais uma vítima da violência que assombra os moradores de Planaltina”, desabafou a tia. “O Estado proporciona locais para a comunidade cuidar da saúde, faz academias, mas não cuida da segurança dos frequentadores. Um celular vale a vida do meu sobrinho? Nos sentimos desamparados”, completou.
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