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EDUCAÇÃO FINANCEIRA »

Finanças para os pequenos

Pedagoga ajuda a desenvolver método capaz de ensinar, de forma didática, crianças e adolescentes a investirem com responsabilidade. O projeto beneficia alunos da rede privada e deve alcançar, em breve, escolas públicas da capital

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postado em 07/05/2014 11:36

Gisele Martins, 11 anos, comprou um tênis de R$ 200 ao economizar a mesada: %u201CSaber mexer com dinheiro é muito importante%u201D (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press) 
Gisele Martins, 11 anos, comprou um tênis de R$ 200 ao economizar a mesada: Saber mexer com dinheiro é muito importante


Silvana, uma das autoras do projeto: consciência e responsabilidade (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press) 
Silvana, uma das autoras do projeto: consciência e responsabilidade


Fluxo de dinheiro, gastos mensais e despesas financeiras não são mais assuntos exclusivos para investidores e adultos. A economia e a educação financeira fazem parte de um universo cada vez mais juvenil. São crianças e adolescentes que aprendem, dentro da sala de aula e inclusive fora do ambiente escolar, sobre como utilizar o dinheiro com responsabilidade. O projeto de Educação Financeira na Escola foi desenvolvido para alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental em 2013. Em um ano, aproximadamente 30 mil estudantes da rede particular de ensino, entre 6 e 14 anos, passaram a ter mais consciência na hora de economizar.

E em plena Semana Nacional da Educação Financeira, que começou na segunda-feira em todo o país (leia Para saber mais), o Distrito Federal também virou palco dos cifrões e das finanças para os mais jovens. Mas, diferentemente do que vai ocorrer em solo nacional até sexta-feira 9 de maio, a capital tem como espectadores o público infanto-juvenil. Para aprender a prática, os alunos do ensino fundamental treinam as experiências de economia e de gastos em um método chamado de engenhoca.

No projeto, as receitas mensais são representadas por um grande reservatório de água, e o fluxo do dinheiro é ilustrado por torneiras. Em cada uma delas, estão as despesas fixas. É o caso dos gastos com educação, alimentação, lazer, moradia e investimentos. A ideia da conscientização do uso do dinheiro começa quando é necessário regular o jato da torneira. A partir do momento em que se consegue controlar o fluxo do que jorra pelas bicas acaba sendo possível acumular valores para investir em outras prioridades, como segurança, viagens e compras.

Uma das autoras do Educação Financeira na Escola, Silvana Iunes explica que o intuito é gastar de forma controlada. O método pode, inclusive, alcançar a rede pública de ensino. “Três escolas do GDF procuraram conhecer a respeito do programa. A proposta não é impedir o uso do dinheiro, mas implantar a consciência de como investir com responsabilidade. Quando começa a ter controle, entende-se todo o processo”, destaca a pedagoga. “O objetivo é mostrar para o público infantojuvenil que pode chegar um dia em que não haverá necessidade de se trabalhar para gerar dinheiro. Isso porque haverá uma quantia que foi poupada”, esclarece.

Maturidade

Desde cedo, Gisele Martins, 11 anos, sabe a importância de economizar. A aluna do 6ª ano recebe R$ 20 por semana dos pais, mas, em vez de gastar o dinheiro com guloseimas, a futura investidora poupa a mesada. Com isso, a menina comprou um tênis de R$ 200 e, no fim de 2013, iniciou uma nova economia para trocar de celular. “Antes, eu gastava todo o dinheiro que ganhava para comprar balas, chicletes e doces. Hoje, eu prefiro deixar guardada a mesada por mais tempo para só depois comprar aquilo que realmente eu quero muito. Saber mexer com dinheiro é muito importante”, ressalta.

O colega Davi Freitas, 11 anos, também comprou um videogame de quase R$ 300 com o que recebe da família em datas comemorativas. No Natal, no Dia das Crianças, no aniversário e no fim do ano, o estudante ganha cerca de R$ 100 dos pais e dos avôs. Para ele, dinheiro é sinônimo de futuro. “Estou poupando de novo para comprar um videogame melhor. A juventude está lidando desde cedo com a economia, e é bom aprender como usar o dinheiro hoje para, no futuro, a gente estar craque”, destaca.

Inclusive os mais novos adotam a filosofia de ser consciente. É o caso de Micael de Moura, 8 anos. Aluno do 4º ano, ele guarda todos os dias em um cofrinho o dinheiro do lanche que faria na escola. Para não passar fome, o garoto leva de casa. Dessa forma, economizou mais de R$ 300. “É bom porque mais para a frente eu vou ter experiência para usar tudo o que guardei com responsabilidade”, aponta.

A engenhoca está exposta desde ontem no terceiro piso do Taguatinga Shopping. Alunos de 13 escolas passarão pelo local para aprender sobre o fluxo do dinheiro. Ao todo, serão mais de 250 estudantes que devem visitar o método. A exposição instalada próximo à praça de alimentação do centro comercial fica aberta ao público até as 18h de hoje.
A diretora do Colégio Alub, no Pistão Norte, Ana Carolina Santos, levou uma turma do ensino fundamental para a atividade externa. Para a professora, a consciência a respeito do consumismo começa dentro de casa e é aprimorada na escola. “A economia é tema inclusive de cidadania e ética. A educação financeira faz parte da realidade da maioria das crianças e dos adolescentes e, por isso, é tão importante implantar isso no ambiente educacional”, considera.

Micael, 8 anos, juntou R$ 300 com o dinheiro do lanche: exemplo (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press) 
Micael, 8 anos, juntou R$ 300 com o dinheiro do lanche: exemplo


A engenhoca no detalhe: reservatório e torneira como forma de ensino  (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press) 
A engenhoca no detalhe: reservatório e torneira como forma de ensino






Para saber mais

Fluxo e mercado

O Brasil recebe a 1ª Semana Nacional da Educação Financeira. As atividades começaram na segunda-feira e duram até sexta-feira. O evento ocorre em várias cidades do país e é organizado pelo Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef). Um dos objetivos do encontro é aumentar a consciência do investidor brasileiro e mostrar a responsabilidade em controlar o fluxo do dinheiro. Além disso, o evento serve para mostrar os reflexos da receita no desenvolvimento do mercado de capitais. O site do evento (www.semanaenef.gov.br/) oferece a programação detalhada em todo o país.

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