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Estudo diagnostica desafios para a formação continuada de professores

Pesquisa do Instituto Ayrton Senna entrevistou quase 3 mil educadores brasileiros

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postado em 07/07/2014 18:00 / atualizado em 07/07/2014 18:15

Ana Paula Lisboa

Na tarde desta segunda-feira (7/7), o Instituto Ayrton Senna lançou o estudo Formação continuada de professores no Brasil: acelerando o desenvolvimento dos nossos educadores. A pesquisa foi realizada em parceria com o The Boston Consulting Group (BCG) e entrevistou 2.732 educadores brasileiros, entre professores, diretores, coordenadores pedagógicos e secretários. Também foram entrevistados especialistas e reunidas boas práticas brasileiras e internacionais que servem de base para o avanço da área. Na sede do instituto, estiveram presentes personalidades do setor educacional que conferiram recomendações para melhorar a qualificação dos professores brasileiros.

O relatório é um grande diagnóstico sobre a capacitação oferecida aos professores que já estão em serviço. O texto aborda desafios, resultados e recomendações para a área. Segundo a pesquisa, a carência de incentivos formais para a formação continuada e a baixa aplicabilidade do conteúdo das ações oferecidas estão entre as principais barreiras da qualificação de educadores. Entre os participantes, mais de 70% dos entrevistados afirmou que as atividades de formação continuada oferecidas pela escola em que trabalha são teóricas, envolvendo acesso a material didático, reuniões pedagógicas e participação em eventos. Atividades customizadas e práticas - que se revelam mais eficientes - são minoria: menos de 2% dos educadores entrevistados disseram ter acesso a esse tipo de formação.

Segundo o estudo, entre as linhas de ação para eliminar as lacunas do ensino brasileiro, “a capacitação de professores é a alavanca mais acionável, ou seja, mais aberta ao direcionamento por parte de secretarias de Educação e escolas e a que mais influencia o desempenho dos alunos”.

Daniela Arai, analista de projetos da área de Avaliação e Desenvolvimento do Instituto Ayrton Senna, elenca os principais motivos da ineficiência da formação continuada de professores: “Falta de incentivos formais para eles se engajarem em formação continuada: os professores brasileiros são os que tem menos incentivo e os que mais precisam arcar com os custos da formação; falta de tempo; baixa aplicabilidade das iniciativas de formação continuada, que são, muitas vezes, coletivas, teóricas e fora de sala de aula; e alta rotatividade de professores já que há grande número de contratos temporários”.



Segundo a analista, é importante haver empenho para melhorar a formação continuada porque os maiores beneficiados disso são os estudantes. “Com um professor qualificado, os alunos podem aprender de 47% a 70% mais. O impacto no desempenho é muito grande quando você mexe na qualidade do professor”, diz. Segundo Daniela, as ofertas de formação continuada não são, necessariamente, ruins. “O problema é que elas não são adaptadas às necessidades existentes. Como oferecer o necessário sem ter um diagnóstico? Por isso, esse estudo é tão importante”.

Segundo Daniela, uma qualificação eficiente não é impossível. “No estudo, mostramos cases que deram certo e que não são tão difíceis de serem executados. Para fazer do jeito certo, é só olhar boas práticas de sucesso que podem servir de exemplo”. Para Daniela, além do setor público, a população e o segundo e o terceiro setor precisariam se engajar em prol da formação continuada de professores.

Entre as boas práticas citadas pela pesquisa está o projeto de tutoria pedagógica adotado pela Secretaria de Educação de Goiás. “Nesse programa, o tutor observa as salas de aula e propõe ações customizadas, sempre em contato com o coordenador pedagógico. Também há um professor itinerante que passa entre as diversas escolas, planejando aulas com os professores iniciantes e propondo novas práticas pedagógicas”.

Acesse o estudo Formação continuada de professores no Brasil: acelerando o desenvolvimento dos nossos educadores
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