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Educação que vai além da sala de aula

Professora lidera projeto que ensina diabéticos a ter boa qualidade de vida

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postado em 15/10/2014 14:36 / atualizado em 15/10/2014 16:06

Kelsiane Nunes /Especial para o Correio

Kelsiane Nunes/Esp. CB/D.A Press
Para educar as pessoas sobre as necessidades que a diabetes trás e dar autonomia para que elas aprendam a cuidar de si, a professora da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB) Jane Dullius desenvolve desde 2001 o projeto Doce Desafio. "A iniciativa é um tratamento de prevenção em saúde, voltado para diabetes com ênfase em atividade física", explica Jane. A ideia surgiu quando ela fazia doutorado e desde então ela se dedica a manter o projeto.

A iniciativa já fez 20 mil atendimentos. "O intuito é que os diabéticos possam adiquirir conhecimento, experiência e serem acompanhados não só em atividade física, mas também em relação a saúde que é a chave para ter uma qualidade de vida boa tendo uma doença crônica como a diabetes", completa Jane, que tem diabetes tipo 1. "Sou diabética há 43 anos e tenho certeza que muito da minha qualidade de vida tem a ver com minha boa educação, conhecimento e habilidade para lidar com as situações que a doença impõe", defende a coordenadora.

Estrutura do projeto

Hoje, o projeto atende quatro grupos em três cidades: dois grupos no Plano Piloto, um no Paranoá e outro em Ceilândia. A equipe é composta por 11 professores e cerca de 56 estudantes universitários. Os colaboradores são de cursos como nutrição, pedagogia, estatística, medicina, enfermagem, famárcia e fisioterapia. "Os estudantes universitários ministram as atividades com os diabéticos sobre a supervisão de professores", explica a coordenadora do projeto.

A iniciativa tem quatro objetivos fundamentais: atender pessoas com diabetes, capacitar estudantes universitários e profissionais da saúde a atuarem em educação sobre diabetes, desenvolver pesquisa e produção científica na área e divulgar informações sobre o tratamento da doença para a comunidade. "A função número 1 do projeto é o ensino, seja ele para os pesquisadores, alunos universitários ou diabéticos atendidos", explica a professora Jane.

Os atendimentos são divididos em quatro momentos distintos. O primeiro é a avaliação das condições do diabético ao chegar no projeto. Os monitores verificam a pressão arterial, nível de glicemia e fazem levantamento do que a pessoa comeu e se toma medicamentos. Depois passa-se para o exercício físico orientado. "A manutenção de uma vida ativa, não sedentária, é o principal fator que inibe a manifestação dos efeitos da diabetes tipo 2, a mais comum entre a população", justifica Jane. O terceiro momento é dedicado a uma atividade educativa, que são discussões sobre temas que afetam a rotina do diabético. Para finalizar o atendimento, é feita uma nova avaliação das condições da pessoa.

A professora afirma que o projeto a ensinou que cada pessoa aprende de forma diferente. “Temos no programa diabéticos pós doutorados e analfabetos, crianças e pessoas com mais de noventa anos, de bem com a vida e amarguradas. Você descobre que não tem um método para ensinar todo mundo”, comenta Jane. A aluna do 4º semestre de pedagogia da UnB Larissa Lira afirma que o projeto complementa o conhecimento adquirido na sala de aula. "Consigo aprender como deve ser a relação entre professor e aluno, além de ver na prática as metodologias de ensino e avaliação", conta a aluna.

Conhecimento para a vida

Participante do projeto há 6 anos, dona Maria Coelho não gosta de perder um atendimento. Ela participa de um dos grupos do Plano Piloto, que se reúne no Centro Olímpico da UnB. "Lá é muito bom. Os alunos cuidam da gente com muito carinho", elogia. "Depois que entrei no projeto, passei a fazer atividade física regularmente. Com isso, minha diabetes está sempre controlada", aponta.

Filipe Luzine é um dos monitores do projeto. Ele está no 8° semestre de educação física da UnB. Ele participa do Doce Desafio desde março de 2011 de formar contínua. Atualmente, ele atua no CO e em Ceilândia no Centro de Saúde 3. "Me apeguei às pessoas que trabalham e participam do projeto. O retorno é surpreendente. Os diabéticos dizem que ajudamos na vida deles", conta. Filipe afirma que os anos de dedicação lhe renderam boa experiência profissional. "O maior retorno é aprender como lidar com a doença na teoria e como aplicar e transmitir o conhecimento para os participantes", completa.

Participe das atividades

Plano Piloto - Centro Olímpico da UnB Setor de Clubes Norte, L4 Norte, Asa Norte

Segundas, quartas e sextas em dois horários. Das 8h às 10h e 14h às 16h.

Ceilândia Sul - Centro de saúde nº 3 QNM 15, Lote D, Área Especial.

Terças e Quintas das 8h às 10h30

Paranoá - No Praia (ao lado do Centro de Saúde no Paranoá)

Segundas-feiras, das 14h30 às 17h

Informações no telefone: (61) 3107-2556

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