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Estudo aponta quais são as principais reclamações dos professores

Pesquisa realizada pela Fundação Lemann mostra que indisciplina e a defasagem de aprendizado dos estudantes são problemas recorrentes no ensino fundamental brasileiro

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postado em 30/03/2015 10:53 / atualizado em 30/03/2015 12:20

Kelsiane Nunes /Especial para o Correio

A falta de suporte para lidar com alunos que precisam de atenção especial, a indisciplina e a defasagem de aprendizado dos estudantes são os principais problemas presentes nas salas de aula das escolas públicas do Brasil, segundo pesquisa Conselho de Classe – A visão de professores sobre a educação no Brasil. O estudo, divulgado semana passada, é organizado pela Fundação Lemann em parceria com o Instituto Paulo Montenegro e o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).


O levantamento foi feito durante o segundo semestre de 2014 e ouviu mil professores de ensino fundamental da rede pública em 50 municípios das cinco regiões brasileiras. “Tentar entender o olhar do professor, as angústias e os problemas para poder desenvolver políticas públicas de educação aplicáveis” são os objetivos da pesquisa segundo o coordenador de projeto da fundação Lemann Ernesto Martins Faria.


O levantamento aponta que 64% dos docentes sentem falta de apoio para dar algum tipo de atenção especial aos estudantes. Faria explica que nesse levantamento foi feita uma análise geral das condições de ensino e que esse indicativo pode estar relacionado as particularidades de cada aluno. “Diariamente, o profissional tem que lidar com turmas heterogêneas em que os alunos apresentam problemas de defasagem no ensino, necessidades especiais, abuso de drogas e conflitos familiares. Muitos educadores não encontram suporte para lidar com isso”, explica. A dificuldades com conhecimentos básicos dos alunos é responsável por 12% das reclamações dos profissionais.


A indisciplina dos alunos foi a terceira causa de maior insatisfação dos educadores, com 14% das reclamações. Segundo Faria, esse problema pode ser resolvido com maior participação dos responsáveis dos estudantes. “Os professores precisam utilizar mecanismos que envolvem todos os alunos e os pais no processo do ensino. Assim os responsáveis ajudam fora do ambiente escolar ensinando fundamentos éticos”, fala. Para ele, a escola além de ensinar o conhecimento cognitivo é necessário desenvolver aspectos socio-emocionais. “Os mestres precisam manter os estudantes motivados e engajados. Além disso, é preciso lidar também com os problemas externos vividos pelos alunos como conflitos dentro dos lares. Se formos esperar que o núcleo familiar lide com todos essas dificuldades de indisciplina, não dá resultado”, opina.


Professores desmotivados


A desvalorização da carreira de professor também foi apontada pelo levantamento. Apenas 20% dos profissionais estão satisfeitos com o salário recebido e só 17% se sentem reconhecidos pela sociedade em geral. Isso pode trazer prejuízos a educação dos estudantes, segundo Faria. “A baixa renumeração e a falta de reconhecimento no ambiente de trabalho podem desmotivar os profissionais. Para garantir qualidade de ensino, os docentes precisam se sentir admirados. Com o estímulo, eles tem maior capacidade de motivar os alunos aos estudos”, argumenta.


Tecnologia nas salas de aula


A pesquisa veio para quebrar alguns mitos, segundo Faria. “O levantamento mostra que 92% dos educadores estão abertos ao uso de tecnologia nas salas de aula e que eles acham que materiais de tecnologia de qualidade facilitam o aprendizado dos alunos”, aponta. ”A partir dessas respostas é preciso pensar em uma forma de garantir maior infraestrutura tecnológica nos colégios e preparar os professores para usar as plataformas nas classes”, completa.

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