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A insatisfação dos professores

Profissionais de ao menos 10 estados se mobilizam no país em busca de melhores condições de trabalho. Protestos ocorrem um dia depois de docentes paranaenses serem repreendidos com violência por policiais. Governador é alvo de críticas

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postado em 01/05/2015 11:53 / atualizado em 01/05/2015 13:02

Andre Shalders , Marcella Fernandes /

No dia seguinte à brutal repressão policial a professores e servidores públicos que protestavam em Curitiba, onde 200 pessoas ficaram feridas em confronto com PMs, docentes de redes estaduais e municipais cruzaram os braços e promoveram atos em vários estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Roraima, para reivindicar melhores condições de trabalho. Em Maceió, a categoria planeja uma mobilização na segunda-feira. Ao todo, profissionais de 10 estados e oito redes municipais já cruzaram os braços desde o início do ano, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Em Curitiba, manifestantes voltaram a se reunir ontem, em ato de apoio aos professores agredidos na quarta-feira. De acordo com o APP-Sindicato, que representa os docentes paranaenses, cerca de 3 mil pessoas foram às ruas na quinta. Com as mãos, jovens pintaram manchas vermelhas no mastro das bandeiras em frente à Assembleia Legislativa. A categoria decidiu manter a greve e realizará novos protestos hoje e no próximo dia 5. “Esse projeto de lei nós perdemos, mas estamos entrando em plena campanha salarial”, afirma Janislei Albuquerque, secretária de Formação da APP-Sindicato, referindo-se ao projeto de lei estadual que modifica regras previdenciárias do funcionalismo paranaense. Segundo Janislei, a luta da categoria agora será por reajuste salarial.

Devido à violência policial, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), foi alvo de críticas de diversos setores. Entidades civis, sindicatos, internautas, parlamentares e o ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência (SDH-PR), Pepe Vargas, repudiaram a atitude de Richa, atribuindo-lhe a responsabilidade pela ação policial que resultou em mais de 200 feridos. Depois de defender a PM logo após o confronto, Richa recuou. “Se fosse apenas um ferido já seria lamentável. Tenho um grande respeito pelos professores e sou norteado por princípios democratas e de respeito à lei”, disse.

A declaração, entretanto, não foi suficiente para reduzir as críticas. O ministro Pepe Vargas disse que houve “uso desmedido da força” e “violência desnecessária”. Segundo ele, a Secretaria de Direitos Humanos aguarda manifestações para apurar possíveis violações de direitos no caso. “Na nossa opinião, movimento social não deve ser tratado como caso de polícia, e sim como movimento reivindicatório”, comentou Vargas. As agressões aos professores começaram depois que estes tentaram avançar em direção à Assembleia Legislativa, protegida por uma linha policial.

Ministério Público

Richa também foi criticado no Congresso e pode ter de responder pelas agressões sofridas pelos manifestantes. “Vamos dar entrada, na segunda ou na terça-feira, na Procuradoria-Geral da República, a uma representação contra o governo do Paraná e a pessoa do governador. Houve ali uso abusivo da força. Esperamos que o Ministério Público Federal instaure um inquérito para apurar as responsabilidades”, disse ao Correio o deputado Chico Alencar (PSol-RJ). O MP do Paraná começou a investigar se houve excesso na repressão. Pessoas agredidas na quarta-feira começaram a ser ouvidas ontem. O órgão havia recomendado ao governo do estado que a intervenção policial se limitasse a garantir a segurança dos manifestantes, além da contenção de eventuais infrações penais.

Segundo o diretor de Comunicação da CNTE, Joel Santos, a entidade pedirá a organizações de direitos humanos e até à Organização Internacional do Trabalho (OIT) que repudiem a repressão sofrida pelos professores e o governo paranaense. “A CNTE entende o que ocorreu ontem (quarta) no Paraná como um atentado gravíssimo à liberdade de expressão dos professores”, disse o dirigente.

Em nota, a APP-Sindicato informou que acionará criminalmente o governo paranaense. “A APP entrará com ações criminais contra o estado e pede, a quem foi ferido na batalha desigual que Richa promoveu, que faça um boletim de ocorrência e encaminhe à APP”, diz o texto.

Nas redes sociais, internautas ironizaram o governador paranaense com vídeos e imagens. Em uma delas, um PM paranaense que teria se ferido durante o confronto é acusado de falsear os supostos machucados com groselha. Em outro vídeo, atribui-se a assessores de Richa comentários jocosos sobre as agressões sofridas pelos professores.

Pesquisa aponta melhora na educação
A escolaridade do brasileiro subiu oito pontos percentuais nos últimos 10 anos, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Data Popular. Em 2003, 28% da população ocupada tinha o ensino médio incompleto ou completo. Em 2013, o percentual subiu para 36%. Já o total de trabalhadores com formação universitária completa aumentou de 12% para 14% em 10 anos, enquanto o de trabalhadores com ensino fundamental incompleto ou completo diminuiu de 50% para 43%.

 

Marcha em São Paulo

 

 

Em greve há mais de 40 dias, professores do estado de São Paulo decidiram, ontem, manter a paralisação. Eles realizaram assembleia no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde se reuniram por volta das 14h. De lá, seguiram em passeata pela Avenida Paulista e a Rua da Consolação até a Secretaria de Educação estadual, na Praça da República, onde chegaram no fim da tarde. De acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp-SP), o ato reuniu cerca de 50 mil pessoas, e 60% da categoria aderiu ao movimento. Já a Polícia Militar estimou o público em 2 mil. Os docentes reivindicam reajuste salarial de 75,33% e melhores condições de trabalho. A próxima assembleia será em 8 de maio, após audiência de conciliação no Tribunal de Justiça de São Paulo, no dia anterior. O sindicato informou que entrou com pedido de dissídio coletivo “tendo em vista que o governo estadual não apresenta qualquer contraproposta à pauta de reivindicações dos professores”.
 

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