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Correio Braziliense

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Corrida para Celebrar a força de viver

Familiares e amigos organizam disputa em homenagem a Renata Rangel, que se recupera de um AVC sofrido em fevereiro. Uma das atividades preferidas da educadora física é correr

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postado em 05/05/2015 13:08 / atualizado em 05/05/2015 13:15

Maryna Lacerda


Amigos e parentes participarão da Corrida do Milagre, que será disputada no Taguapark  (Minervino Junior/CB/D.A Press)
 

 

Amigos e parentes participarão da Corrida do Milagre, que será disputada no Taguapark


Nome: Renata Miranda Rangel Idade: 33 anos Profissão: educadora física e funcionária pública Atividades: corrida e musculação (Rodrigo Bobrov/Divulgação)
 

 

Nome: Renata Miranda Rangel Idade: 33 anos Profissão: educadora física e funcionária pública Atividades: corrida e musculação



Renata Rangel tem uma rotina de superação. Aos 33 anos, a educadora física e professora sofreu um acidente vascular cerebral e a principal suspeita é de que o uso de um anticoncepcional tenha levado à formação de um coágulo no cerebelo. Atleta, ativa, saudável e sem apresentar os motivos clássicos que se costuma associar ao AVC, ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital particular desde fevereiro. Ainda assim, a cada dia, Renata avança na readaptação, em detalhes que parecem mínimos, mas refletem a imensa força de vontade para retomar a vida. Por isso, gestos sutis, como mexer um dedo ou realizar um exame preventivo, serão celebrados pela Corrida do Milagre, neste sábado, no Taguapark.

A ideia surgiu por meio das redes sociais e tornou-se realidade em apenas 20 dias. Isso porque, assim que amigos, familiares e colegas de trabalho souberam do AVC que Renata sofrera, formaram um grupo de oração no WhatsApp. “A cada melhora dela, alguém brincava que participaria das corridas com ela. Foi então que os amigos do grupo de corrida sugeriram fazermos um evento para alertar para a necessidade de se ter mais informação sobre o uso de anticoncepcionais”, explica a cunhada da homenageada, Nefertiti Gomes Bobrov, 40 anos. De acordo com Nefertiti, a importância de se informar mais para saber dos riscos de acidentes vasculares associados aos métodos hormonais é o ponto mais destacado por Renata. “Ela insiste que é preciso fazer o exame para identificar a tendência à formação de coágulos e, por isso, faremos a corrida, atividade de que ela gosta muito”, diz a contadora.

A educadora física é casada há 15 anos com Rodrigo Bobrov Lopes, 38, com quem tem dois filhos. Um dia antes de dar entrada no pronto-socorro do hospital, Renata sentiu dores intensas nos braços e foi medicada com um analgésico. Na manhã seguinte, os sintomas se agravaram e ela foi submetida a duas tomografias. Somente após 24 horas e uma ressonância, descobriu-se o acidente vascular isquêmico, quando não há derramamento de sangue nos tecidos. Desde então, Renata tem vencido os maus prognósticos. “Disseram que ela morreria, que ela ficaria em estado vegetativo, que ela viveria entubada. E ela foi superando cada etapa”, conta Nefertiti.

 De tanto surpreender com os detalhes, a melhora se tornou uma rotina carinhosamente ansiada. “Eu tenho uma brincadeira com ela. Digo ‘hoje eu tô aqui, quero saber a novidade de hoje’”, afirma o marido, Rodrigo. Por ter conhecimento na área — Renata havia se dedicado, nos meses anteriores ao AVC, ao estudo da reabilitação de pacientes vítimas do acidente —, ela aplica a si os exercícios para retomada dos movimentos. “Tudo o que ela conquistou até agora é porque fica treinando enquanto está internada. Ela não teve nenhum dano na parte cognitiva”, conta Rodrigo. Segundo ele, para avançar ainda mais na recuperação, Renata precisa do recurso de home care, ainda não concedido pelo plano de saúde.

A hipótese de que Renata tenha sofrido o acidente por causa do uso do anticoncepcional se deu por eliminação. Ela é jovem, não tem pressão alta e as taxas de colesterol estão dentro dos limites esperados para a idade. Também sempre foi ativa e costumava correr 15km por dia. “O único detalhe era o uso do medicamento”, afirma Rodrigo. A predisposição para a formação de trombos, a trombofilia (leia Para saber mais) não havia sido investigada anteriormente por meio de exames. “Esse tipo de informação não é divulgada. A gente nunca tinha parado para ler e, se soubesse que o anticoncepcional oferecia risco a ela, teria feito a vasectomia há muito tempo”, afirma Rodrigo. O caso de Renata alertou a todos em volta. “Ela fala para todas as amigas para procurarem informação. Muitas retornaram aos ginecologistas para reavaliar o uso do medicamento”, afirma.


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Corrida do Milagre

» Quando: sábado, às 16h
» Onde: Taguapark
» Participação: gratuita


Para saber mais

Entupimento de veias

A trombofilia é a predisposição ao desenvolvimento da trombose, a formação de coágulos sanguíneos. Esses coágulos percorrem vasos e artérias e podem provocar o entupimento de veias e interromper o fluxo do sangue, provocar isquemias e embolias. A trombofilia se manifesta em cerca de 20% da população mundial e se origina tanto de fatores hereditários como adquiridos. É diagnosticada por meio de exames de sangue, que avaliam todas as etapas do processo de coagulação. Além da análise clínica, o histórico familiar é levado em consideração. Isso porque, se algum familiar próximo tiver problemas circulatórios, pode haver indício de risco.

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