publicidade

De Brasília para Michigan

Responsável pela disciplina de Pensamento histórico econômico na UnB, Mauro Boianovsky será o primeiro brasileiro à frente da principal organização internacional de pesquisa sobre o tema

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 26/05/2015 12:36 / atualizado em 26/05/2015 12:37

Maryna Lacerda

Um professor da Universidade de Brasília será o primeiro brasileiro a ocupar a presidência da History of Economics Society (HES), a mais tradicional entidade de pesquisa da área de Pensamento Histórico Econômico. A indicação e a eleição de Mauro Boianovsky, 56 anos, para o cargo significam a legitimação do pesquisador, que há pelo menos 20 anos se dedica ao tema. À frente da HES, o gaúcho radicado em Brasília tem um desafio pela frente: ampliar o reconhecimento do campo de estudo em meio a economistas de outras áreas de trabalho. A posse dele será em 26 de junho, em conferência na Universidade de Michigan.

De forma simplificada, o pensamento histórico econômico consiste na investigação e na identificação das ideias que dão origem às teorias econômicas. Para isso, o pesquisador se vale da análise de fatores históricos, como a Grande Depressão (leia Para saber mais), e a relaciona com aspectos metodológicos, ou seja, com a forma como é feita a análise de dados. “Na Economia, é importante que se estude a história da disciplina, como as teorias foram desenvolvidas”, destaca o docente. Para ele, a nomeação para a presidência da HES é resultado também de uma expansão da percepção de continente. “A minha eleição reflete o reconhecimento e, até mesmo, um certo interesse nos debates que têm sido feitos aqui. É uma entidade fundada nos Estados Unidos, então, de certa forma, estão ampliando o sentido de ‘americana’ para incluir a América Central, a América do Sul, do México para baixo”, explica.

Em um ano de mandato como presidente eleito, Boianovsky tem a responsabilidade de organizar a Conferência Anual da HES de 2016. Além disso, ele encara a missão de convencer economistas dedicados a outras áreas da importância de incluir a abordagem da história do pensamento econômico. “É tentar atrair, sensibilizar os economistas em geral. É um desafio, porque a teoria econômica é muito complexa e é natural que eles sejam seletivos quanto à principal área de estudo”, pondera. Isso porque é comum que a abordagem seja erroneamente minimizada. “A história do pensamento econômico (HPE) vai além de mera curiosidade intelectual, ela facilita a compreensão das próprias teorias”, defende.

Prata da casa

Graduado em economia pela Universidade de Brasília, o professor explica que as primeiras fagulhas de interesse pela história do pensamento econômico surgiram cedo. “Lembro-me que, ainda na graduação, procurava entender as ideias por trás das teorias. Não somente na disciplina de HPE, mas em todas as outras. No mestrado, defini que seria minha área de estudo e não parei mais”, afirma. Boianovsky passou, então, do mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro ao doutorado na Universidade de Cambridge.

Em 1996, após obter o título de doutor, o docente foi convidado a voltar para a UnB como professor e pesquisador. Natural de Porto Alegre, Boianovsky veio muito jovem para o Distrito Federal. “A razão de eu ter vindo para cá foi a UnB. Não para estudar, mas porque meu pai, que era médico pediatra, foi convidado para ser professor da instituição”, conta. Hoje, a filha mais velha dele também é graduada pela instituição, no curso de biblioteconomia.

Para saber mais

Crise mundial

A Grande Depressão é considerado o pior momento de recessão econômica do século 20. Começou com a desvalorização agressiva dos títulos negociados, principalmente pela Bolsa de Nova York, em 1929, e adentrou toda a década de 1930. A crise levou a altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto das nações e retração intensa da produção industrial. Com a Grande Depressão, criou-se o terreno propício para o aparecimento de regimes ditatoriais, como o fascismo italiano e o nazismo alemão. Ambos defendiam a recuperação do orgulho nacional sob perspectiva ultranacionalista de direita e desembocaram na 2ª Guerra Mundial, a partir de 1936.

publicidade

publicidade