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CRISE NO GDF »

Sem escolas, sem Na Hora

Cerca de 25 mil professores deixaram de comparecer às salas de aula da rede pública em protesto contra a suspensão de reajuste salarial. Os postos de serviços à população também tiveram o atendimento comprometido

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postado em 25/09/2015 13:07 / atualizado em 25/09/2015 13:16

Otávio Augusto


Na Escola Classe 40, em Ceilândia, não houve atividades (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

 

                                 Na Escola Classe 40, em Ceilândia, não houve atividades


Muitos pais que levaram os filhos para a escola no início da manhã de ontem ficaram decepcionados. Alguns colégios estavam com as portas abertas, mas não havia professores. Apenas os funcionários terceirizados bateram o ponto. No total, 470 mil estudantes não tiveram aula. Cerca 25 mil educadores, segundo estimativas do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), aderiram à paralisação, em protesto contra a suspensão do reajuste salarial. Hoje, tem aula normal. Quem recorreu aos postos do Na Hora enfrentou longas filas e serviços suspensos. A categoria afirma que 70% dos profissionais cruzaram os braços na quinta-feira.

Professores das 657 escolas públicas do DF haviam anunciado a suspensão das aulas na quarta-feira. O corte do reajuste salarial não agradou a classe. A dona de casa Nair Oliveira Silva, 53 anos, tentou levar o neto, de 6, para Escola Classe 40, no P Norte. Voltou para casa com o menino. “Estava com a porta fechada e fiquei sem explicação. Não havia nem aviso de quando voltariam as aulas. É um absurdo o governo aumentar impostos, cortar benefícios dos servidores e o cidadão arcar com o ônus. Onde vamos parar desse jeito?”, questionou.

Maby e Maria Cleide no Na Hora de Ceilândia: perda de tempo (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

 

                         Maby e Maria Cleide no Na Hora de Ceilândia: perda de tempo


A educadora Cláudia Dias, 32 anos, apoia o movimento, mas, para evitar as reposições, normalmente realizadas aos sábados, recebeu cerca de 12 crianças na Escola Classe, em Ceilândia. Alguns alunos nem faziam parte da turma oficial dela. “É uma causa mais do que justa. Ainda não consegui calcular o impacto da subtração do reajuste na minha renda. Vai defasar demais o salário do professor, que sofre com remuneração baixa”, queixa-se.

A Secretaria de Educação informou, em nota, que não é possível quantificar o prejuízo. Esclareceu apenas que os três turnos letivos sofrem com a adesão do movimento. Segundo a pasta, em média, 15 mil servidores da área administrativa não trabalharam ontem.

Interrupção de serviços
Os brasilenses que procuraram atendimento nos seis postos do Na Hora enfrentaram dificuldades para conseguir acesso aos poucos serviços que não estavam suspensos. Os maiores problemas estavam relacionados à emissão de Carteira de Identidade e a trâmites do Departamento de Trânsito (Detran). A Subsecretaria de Modernização do Atendimento Imediato ao Cidadão não soube precisar o tamanho da falha nos atendimentos.

A manicure Maby Martins, 30 anos, acordou cedo e saiu de Águas Lindas (GO) a fim de requerer a segunda via da Carteira de Identidade da mãe, em Ceilândia. O documento foi perdido há duas semanas. “Eu não consegui resolver o problema. Além do descaso em suspender o serviço, a falta de informação e de educação do servidor é muito ruim”, reclama. A aposentada Maria Cleide Santos, 53, não vai mais recorrer ao serviço na capital federal. “Lá (em Águas Lindas), demora mais, mas prefiro ir ao lugar e resolver, em vez de ficar andando à toa”, finaliza.

Na unidade de Taguatinga, a movimentação foi grande durante boa parte do dia. Mais da metade dos 18 serviços operaram com problemas. “Trabalhamos de acordo com o que tínhamos condições”, ressaltou uma das recepcionistas. Na Rodoviária do Plano Piloto, houve transtornos, e a espera chegou a quatro horas.

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