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Educação

Professores não acatam decisão da Justiça e continuam em greve no Rio

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postado em 02/06/2016 18:00

Agência Brasil

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) orientou seus filiados a não aderirem à decisão da 2ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso determinando o retorno imediato das aulas no estado, estabelecida no dia de ontem (1°) e disse que vai recorrer da decisão. Os professores, que completam hoje (2) três meses de greve, estão fazendo uma assembleia, hoje, no Clube Hebraica, em Laranjeiras, zona sul do Rio, para definir os rumos do movimento. Na parte da tarde, a categoria promove  um ato em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual, cobrando negociações diretas com o governador em exercício Francisco Dornelles.

 

A titular da 2ª Vara da Infância, Juventude e Idoso da Capital, juíza Glória Heloiza Lima da Silva, determinou o retorno das aulas da rede estadual a partir de hoje. Em sua decisão, a juíza também assegurou a permanência e manifestação dos alunos que ocupam as escolas, desde que o façam de forma pacífica e sem prejuízo aos demais estudantes. A ocupação pode continuar ocorrendo em áreas comuns, tais como ginásios, pátios, quadras ou auditórios. Ficou ainda estabelecido que nenhum aluno que exerça este direito de manifestação, dentro desses limites, poderá ser alvo de coerção disciplinar por tal motivo.

 

Segundo Marcus Menezes, um dos diretores do Sepe, a determinação é de continuar a greve e não voltar às aulas. Ele disse que o Estado atendeu à classe em algumas pautas, porém, ainda não as oficializou. “Nós temos algumas pautas que foram, sim, atendidas pelo governo, porém, nada oficializado ou assinado. E a gente sabe como as coisas são. Não podemos aceitar isso sem ainda estar concretizado. Só prometer não adianta.”

 

Menezes afirmou que a decisão da Justiça será discutida na assembleia de hoje, mas "é certo que o Sepe recorrerá da decisão". “Vamos discutir tudo que vem acontecendo nessas semanas, inclusive a ocupação da Seeduc [Secretaria de Estado de Educação]. Precisamos buscar uma solução para tudo isso. O Estado persiste na alegação de que não tem dinheiro, mas, e as Olimpíadas? Aí eles têm? Temos duas pautas não atendidas, que são o reajuste inflacionário e o calendário de pagamento. São duas questões importantíssimas para a nossa classe, mas o governador alega isso [falta de dinheiro]. Fica complicado acreditar”, disse.

 

O Colégio Estadual Souza Aguiar, no centro do Rio, uma das várias escolas ocupadas no estado, também não aderiu à tomada de decisão pela volta das aulas. Segundo a aluna da unidade Beatriz Freire, que cursa o 2° ano do Ensino Médio, a ocupação está fazendo com que os alunos percam tempo e futuras oportunidades.

 

“A gente está perdendo muito tempo com isso. Eles poderiam ter escolhido uma outra forma de protestar, fosse na Alerj [Assembleia Legislativa] ou na Seeduc, mas não no colégio, nos impedindo de ter aula. Aí chego aqui, pensando que vou conseguir voltar a estudar e me deparo com a escola ainda fechada. É triste. Estou tentando terminar o 2° ano e, em 2017, tem vestibular. Isso preocupa muito. Não acredito que, nem com as aulas voltando, a gente consiga repor todo o conteúdo. Talvez com cursos fora da sala de aula. Só na escola não vai dar”, afirmou.

 

O aposentado e pai de aluno do Colégio Souza Aguiar, Antônio Francisco Brandão, reclamou muito ter encontrado a unidade ainda fechada e com uma barreira montada pelos ocupantes, impedindo a entrada de alunos e professores. “É decepcionante. Eu estava certo que eles acatariam e deixariam nossos filhos entrarem, mas chegando aqui, a gente dá de cara com isso. Tudo fechado e ainda com uma barreira para impedir a entrada. É muito ruim essa situação”.

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