Professores e gestores de centros olímpicos participam de capacitação

Curso, em parceria com secretarias do governo de Brasília, aborda metodologia de prevenção às drogas e à violência. Ideia é que docentes repassem informações a alunos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 07/03/2017 19:55 / atualizado em 07/03/2017 20:00

Renato Araújo

Como afastar os jovens das drogas, como evitar que eles entrem na criminalidade e qual é o papel do esporte nessas intervenções? Essas e outras questões começaram a ser debatidas nesta terça-feira (7), durante capacitação de 22 professores e gestores de centros olímpicos e paralímpicos do Distrito Federal, no Ginásio Nilson Nelson.

 

O treinamento, coordenado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) — agência da Organização das Nações Unidas (ONU) —, segue até amanhã (8). “É basicamente um programa que visa combater a violência e a criminalidade por meio da prática esportiva”, explica o assistente de projetos da UNODC Rodrigo Araújo. Brasília é a primeira capital a receber essa iniciativa, firmada por meio de parceria com o governo local.

 

A capacitação foi ministrada pelo belga Peer van der Kraast, criador de projeto de enfrentamento ao uso de drogas e à criminalidade, intitulado no Brasil de Vamos Nessa. “Essa oficina visa aproveitar os momentos de aula para aplicar a metodologia”, destaca o instrutor. “O objetivo é usar o esporte para que os alunos percebam os perigos do envolvimento com esses mundos”, reforça.

 

Durante a manhã, além de palestras e apresentação de slides, os educadores tiveram atividades práticas lúdicas, passíveis de serem aplicadas no cotidiano das aulas. Em uma delas, os envolvidos precisavam girar por 15 vezes e ler um texto. Posteriormente, escrever o máximo de palavras existentes na leitura. A ação simula a dificuldade de resposta de quem usa entorpecentes.

 

Além dos professores da Secretaria do Esporte, Turismo e Lazer, dois representantes do programa Esporte à Meia Noite, da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, participaram do treinamento.

 

Kraast explica que o propósito é trabalhar com as habilidades dos atletas. Segundo ele, não basta dizer aos alunos para não usar drogas, mas aumentar a responsabilidade deles e a capacidade de recusa.

 

Professores serão multiplicadores da metodologia

De acordo com o coordenador dos Centros Olímpicos e Paralímpicos do Distrito Federal, Adriano Matos, os participantes da capacitação serão multiplicadores da metodologia nas unidades. Atualmente, os 11 centros têm cerca de 200 professores e 37 mil inscritos. “Nosso foco, porém, é no público de faixa etária de 12 a 17 anos, aproximadamente 8 mil jovens, por estarem mais suscetíveis ao envolvimento com essas questões”, acredita.

 

Dênio Simões
 

Responsável pela unidade do Setor O, em Ceilândia, Gerson Vieira, de 44 anos, relata que casos envolvendo drogas e criminalidade são recorrentes. Segundo ele, é um desafio diário para o educador mediar os conflitos. “O primeiro passo é não excluir ninguém, seja qual for a situação”, enfatiza o gestor. “A medida seguinte é acolher por meio do esporte e de suas premissas, como respeito, dedicação e cooperação”, completa.

 

Há quatro anos no centro olímpico, Gerson atuou durante mais de 20 anos como profissional de futebol. Bicampeão Brasileiro da Segunda Divisão com Gama e Brasiliense, o ex-zagueiro acredita que a atividade física é uma importante ferramenta para combater as mazelas da sociedade. “Quem pratica esporte não tem tempo e nem vontade de se envolver com o que não faz bem.”

 

Agência Brasília