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Correio Braziliense

Homenagem

Professores relatam histórias de sucesso durante solenidade

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postado em 08/05/2017 18:52

 

Garantir o acesso de populações ribeirinhas a água potável. A questão inspirou dois professores da educação básica a desenvolverem projetos que aliam o conhecimento da sala de aula a benefícios diretos às comunidades. Por isso, Wemerson da Silva Nogueira, de Nova Venécia (ES), e Valter Pereira de Menezes, de Parintins (AM), foram finalistas na última edição do Global Teacher Prize – prêmio internacional da área da educação – e receberam homenagens do Ministério da Educação na cerimônia de lançamento da décima edição do Prêmio Professores do Brasil. O evento foi realizado na manhã desta segunda-feira, 8, em São Paulo.

 

O professor capixaba tem 26 anos e já recebeu 20 prêmios ao longo de sua trajetória, oito deles pelo projeto Filtrando as Lágrimas do Rio Doce, incluindo o Global Teacher Prize 2017 – onde se destacou como primeiro brasileiro e latino-americano a figurar entre os dez melhores do mundo. Após o rompimento da barragem no município mineiro de Mariana, que matou 22 pessoas e causou destruição ecológica, Wemerson decidiu levar seus estudantes para estudar a tabela periódica na prática.

 

Por meio de um filtro simples feito à base de pedras e areia oxidada, capaz de filtrar os rejeitos de mineração, o professor e os alunos têm ajudado a população que vive às margens do rio Doce a ter acesso à água potável. Embora não seja recomendada para o consumo humano, é considerada segura para uso doméstico, como lavar roupas, e também para a irrigação. No início, foram 55 filtros. Hoje, são cerca de 1,5 mil, capazes de filtrar mais de 200 mil litros de água. A garantia é dada por empresas parceiras do projeto que colaboram com serviços como a análise da água.

 

O projeto começou com 30 estudantes do nono ano do ensino fundamental e do primeiro ano do ensino médio. Agora, são mais de 100. “Tiro os alunos da sala de aula e os levo até a comunidade de Regência, umas das afetadas pela tragédia. Lá na comunidade, os alunos têm uma perspectiva do que é fazer pelo próximo através da educação e consigo despertar o interesse desses alunos para querer, pelo menos, aprender sobre os elementos químicos, já que no rio Doce tem uma verdadeira tabela periódica”, detalha o professor.

 

Caçula de sete irmãos, Wemerson foi o primeiro da família a chegar à graduação, por meio de um curso de educação a distância que conseguiu pagar com esforço. Seus pais são agricultores e ele viu nos estudos a única forma de ter um futuro diferente. Sobre o projeto, disse ainda ter muito a fazer. “Nossa meta é ajudar 3 milhões de pessoas atingidas pela tragédia de Mariana.”

 

Ribeirinhos

O professor Valter Menezes, de Parintins (AM), também está de olho na água que chega às populações ribeirinhas. Com o projeto Água limpa para os curumins do Tracajá, ele e seus alunos do nono ano do ensino fundamental passaram a construir fossas biológicas para evitar o despejo de dejetos no rio.

 

O projeto inclui o desenvolvimento de filtros destinados ao tratamento da água, de forma a torná-la própria para o consumo. “São 70 famílias beneficiadas com o projeto das fossas biológicas, abertas para impedir a contaminação do lençol freático da nossa comunidade, de onde o povo tira a água para o consumo”, explica.

 

Segundo Valter, tudo começou com o questionamento de um estudante, em uma aula sobre meio ambiente e água. O jovem queria saber porque as crianças e demais moradores da região sofriam de diarreia. “A partir desse questionamento, buscamos alternativas. Adotamos a prática pedagógica do espaço não formal para trabalhar a questão da água, que é um problema mundial.”

 

Castanha

Primeiro brasileiro a ser indicado ao Global Teacher Prize, em 2016, o professor e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Márcio de Andrade também será homenageado durante o lançamento do Prêmio Professores do Brasil. Com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ele realiza palestras em escolas do seu estado.

 

Em uma delas, em 2011, foi procurado pela aluna do ensino médio Bianca Valeguski, que contou sobre a ideia de realizar um projeto de beneficiamento de castanhas de baru, comuns na região do cerrado. A partir da conversa, Márcio tornou-se orientador da estudante, que foi uma das vencedoras do prêmio Jovens Cientistas, em 2012.

 

“Ao propor o uso de uma espécie nativa para se transformar em um produto que atende uma necessidade específica, o projeto promove a preservação das espécies. A comunidade pode se beneficiar coletando e processando essa castanha”, explica o professor, ao destacar que, do ponto de vista educacional, o aluno também participa do ambiente em que está inserido.

 

Márcio defende que os estudantes utilizem a ciência para mudar a realidade dos locais onde vivem. “Se tem uma rede que vai promover transformação social, tecnológica e econômica do país é a educação”, ressalta.

 

 

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