Reconhecimento a quem inspira

Professoras de escola pública de Taguatinga concorrem a prêmio nacional por usarem tecnologia em sala de aula para cerca de 820 alunos. Votação popular é até segunda-feira (20)

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postado em 14/11/2017 19:53 / atualizado em 16/11/2017 14:01

 

 

Quem não teve aquele professor que marcou a época escolar e que se reflete na personalidade, na profissão ou no caráter?  No Centro de Ensino Fundamental 8 de Taguatinga, três professoras descobriram como elas inspiram alunos, de uma das melhores formas possíveis. Elas foram  indicadas ao prêmio Educador Inspirador, da plataforma Quizlet. As educadoras são as únicas finalistas do DF,  do prêmio que tem mais 68 participantes de todos os estados brasileiros. Pela primeira vez no Brasil, o concurso tem como objetivo reconhecer a importância de ensinar e promover a inovação na educação no país.


As finalistas são Odara Karine Silva Pereira Ribeiro, 33 anos,  Renata Turbay Freiria, 32, e Ivani Lima Santos, 48. A mais experiente delas, Ivani, tem 29 anos de sala de aula e já passou por todas as instâncias da Secretaria de Educação. “Sala de aula é o que mais satisfaz”, enfatiza. Há sete anos no CEF 8, a professora de geografia, graduada pela UnB, desenvolve há dois anos um projeto com todas as turmas de 8° e 9° ano da escola. Foi esse projeto, focado em ensinar os alunos como usar tecnologia na escola,  que fez com que ela fosse indicada ao prêmio. “A gente acha que as crianças  são digitais e que sabem tudo, mas os procedimentos simples, como fazer um slide e passar um e-mail, eles não sabem. Os alunos gostam de trabalhar com internet. Acham interessante. Eles passam a ler e escrever mais”, explica a professora.

As outras duas docentes, Renata e Odara, também têm o hábito de usar a tecnologia em sala de aula. O que a escola também incentiva pela disponibilização de uma rede de wi-fi para os alunos e  um laboratório de informática. “ Usando a internet, eu consigo que os pais acompanhem os alunos. A maior resistência para o uso da tecnologia são os pais. Eles acham que os alunos não estão estudando ao utilizar a internet. Mas  essa também é a melhor forma de alcançá-los”, analisa Renata, que é professora de ciências. Em sala de aula, elas procuram usar vídeos, sites e slides para que as aulas fiquem mais divertidas.

O caminho não é fácil

“Pensei em desistir no segundo dia”


Professora no CEF 8 há 7 anos, Ivani Santos relembra que escolheu essa profissão por se sentir inspirada por um profissional da área. “Eu era apaixonada por um professor no sentido bom. Gostava demais da aula dele de geografia. Decidi que iria fazer essa graduação, para desespero do meu pai, que queria que eu fizesse medicina”, lembra. Aluna destaque, passou na UnB de primeira e logo foi aprovada no concurso da Secretaria de Educação. De lá para cá, Ivani conta que todos os dias tem desafios. “Eu trabalhava em uma escola de lata, quando chovia a gente não podia encostar na parede que dava choque, era desesperador. E quando a gente chega, ninguém lhe dá a melhor turma. Recebemos aquela que nenhum professor mais antigo quer. Os meninos eram grandes e não sabiam ler nem escrever. No segundo dia, eu pensei em ir embora. Meu noivo disse para eu esperar e estou aqui até hoje”, diz. No ano passado, a professora ficou em segundo lugar do DF no prêmio Professores do Brasil.

“É minha paixão”

Professora de educação física há 10 anos e na escola há dois, Odara Karine diz que não esperava a indicação. “Eu fiquei muito feliz  e surpresa, achei que era uma brincadeira. Ainda mais pela aluna que me indicou. Fiquei muito feliz em saber que, de alguma forma, ela se sente inspirada pelas aulas e pela minha pessoa. É muito bom quando conseguimos tocar o aluno”, diz. Para ela, a profissão é um dom. “Eu sempre soube que eu queria ser professora, só tinha dúvida em relação à disciplina. Como era atleta, decidi pela educação física. E essa é a minha paixão”, relata. Apesar disso, ela conta que já teve momentos que pensou em desistir da profissão. “Ser professor é mais forte do que a gente. Quem é professor é porque gosta, porque é um dom, e a gente não pode abdicar dos nossos dons. Hoje, eu não penso mais em não dar aula”, afirma. “O nosso maior desafio  é fazer com que o aluno queira vir para a escola e queira aprender”, completa.

“Tentaram me convencer do contrário”

Na infância, Renata Turbay nem gostava de ir à escola, mas se descobriu professora ainda na adolescência. “Sempre lidei de uma forma muito positiva com o conhecimento, mas, particularmente, não gostava da escola, me sentia podada”. Aos 15 anos, ela começou a dar aula particular para ter uma renda. “Aquilo me satisfazia de uma forma muito boa”, ela conta ao informar  que cursou biologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).”Para desespero dos meus pais. Eles são educadores e estavam enfrentando uma fase de decepção  com a educação. Tentaram me convencer a fazer outra escolha, mas eu tinha muito certo o que queria. No primeiro semestre da faculdade, eu estava dentro de escola pública”, diz. “Lembro do meu primeiro dia como professora efetiva. Saí de lá não querendo voltar”. Nesse dia, a professora teve que separar uma briga que durou 15 minutos. “Acho que foi para começar com o pé-direito”, brinca. Sobre ser indicada ao prêmio, Renata diz que é um incentivo para continuar na carreira. “Esse reconhecimento parece um abraço”, ela compara. “É supergratificante. Quando você está morrendo de cansado,  chega um negócio desse para te dar um fôlego a mais. Além disso, essa é a comprovação de que projetos como esse devem ser valorizados”, completa.

Entenda o prêmio

Na primeira fase do prêmio, os estudantes indicaram os professores favoritos deles e contaram como eles inovaram as aulas por meio do uso da tecnologia. As indicações  foram avaliadas por um júri que escolheu os melhores candidatos de cada estado. Agora, é a fase de escolher os professores que serão premiados. A votação será aberta e pode ser feita pelo site, até segunda-feira (20). O resultado será divulgado no início de dezembro. Os mais votados de cada estado passarão por uma avaliação do júri da Quizlet, que escolherá o vencedor nacional. O ganhador e um aluno terão a oportunidade de conhecer a sede da plataforma em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos, com tudo pago. A Quizlet é uma plataforma de aprendizagem on-line e off-line gratuita com mais de 20 milhões de usuários por mês