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UNB

Conheça as histórias dos primeiros colocados na 2ª chamada do vestibular

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postado em 20/09/2012 18:42 / atualizado em 21/09/2012 15:53

A segunda chamada do vestibular do 2º semestre de 2012 da Universidade de Brasília, divulgada na segunda-feira (17/9), aprovou mais 279 candidatos. Para estes estudantes, que precisaram contar com a paciência na espera da data do resultado por conta das greves dos professores e servidores da instituição, a aprovação veio com gosto de superação e surpresa. O Eu,Estudante conversou com os três primeiros colocados da segunda chamada. Conheça a história deles. Tuzza Back Carrijo, 18 anos A estudante foi a 1ª colocada na 2ª chamada do vestibular. Aprovada para o curso de medicina — o mais concorrido da instituição —, ela conta que sempre quis ser médica e admite que sabia que seria necessário estudar muito para conquistar a vaga. "Sempre fui estudiosa, sempre gostei de ter um bom boletim. Até a 8ª série (atual 9º ano) estudei em colégio pequeno, os professores conheciam a gente pelo nome. Isso me deu uma boa base para que, no ensino médio, eu continuasse me esforçando para conquistar meu sonho", afirma Tuzza. No fim do 3º ano do ensino médio, em 2011, Tuzza prestou vestibular para a UnB e para a Escola Superior de Ciência da Saúde (Escs) e não foi aprovada. Depois disso, o cursinho pré-vestibular de seis meses foi um desafio para a estudante, que era acostumada com boas notas e com a expectativa constante de professores e familiares. "Foi muito complicado. Você se sente mal consigo mesma quando algo que você espera não acontece. Os professores tentam dar apoio, mas só com perseverança se consegue", afirma a caloura. Durante o cursinho, a rotina de estudo era puxada. O dia começava às 7h da manhã. O intervalo de almoço, de apenas uma hora, era feito em casa e, às 14h, a estudante voltava para o cursinho para estudar até as 23h, quando saía com o desligar das luzes e o fechar das portas do prédio. "Ia para casa apenas para dormir. Fiquei amiga dos porteiros. Eles pediam para eu sair porque não podiam perder o horário do ônibus", relembra, rindo. Embora não esperasse passar no vestibular do meio do ano por conta da forte concorrência, Tuzza corrigiu a prova com o gabarito oficial e se surpreendeu. "Eu tinha ido muito bem. Quando saiu o resultado da primeira chamada fiquei abatida, mas não desanimei. Vi o espelho de desempenho e eu tinha ficado na 30ª colocação, de 28 vagas. Continuei estudando, mas sempre com esperança", relata. Foi o pai da estudante que viu o nome da filha na lista de aprovação. Reunidos na UnB, pai, mãe, três irmãos e os padrinhos da nova universitária comemoraram a conquista. O sentimento é resumido, mas forte: "Foi incrível, é incrível". Ana Virgínia Torquato de Aquino, 18 anos Moradora de Fortaleza, no Ceará, a segunda colocada da segunda chamada do vestibular teve que percorrer 2,2 mil quilômetros para fazer as provas da UnB. Aprovada em medicina, a estudante não possui familiares na capital federal e nem nasceu no Ceará. Natural de Cuiabá, no Mato Grosso, Ana Virgínia mudou-se sozinha para a casa dos avós, em Fortaleza, em busca de melhores oportunidades de estudo. "Vim fazer o resto do ensino médio no Ceará por necessidade. Sempre fui estudiosa e sempre quis algo maior do que as oportunidades que minha cidade oferecia. Ou vinha para Fortaleza, ou ia para São Paulo, como tenho família aqui, era mais fácil", detalha a estudante. Desde que terminou o ensino médio em 2011, Ana Virgínia prestou vestibular para as universidad es Estadual e Federal do Ceará, para a estadual do Mato Grosso, para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e para a UnB, além de fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Aprovada para a segunda fase da Unicamp e da Estadual do Ceará, a cuiabana se apaixonou pela UnB. "O conceito da universidade é muito bom. Me interessei pela proposta inovadora, pelos corredores amplos, pelas salas do pavilhão que me deixavam ver a grama e a parte de fora da sala", destaca ela. Ana recorda que saiu com mau pressentimento do primeiro dia de prova. O pai, por telefone, foi quem convenceu a filha a fazer o segundo dia de vestibular. Com o resultado negativo na primeira chamada, a estudante voltou a estudar e deixou de lado as chamadas futuras. "Quando vi no desempenho individual que havia ficado em 33ª de 28 vagas ainda achei que não fosse possível cinco pessoas desistirem. Entrei na internet para ver o resultado da segunda chamada esperando um milagre", relembra. Há quase três anos em Fortaleza, Ana acredita que foi a disciplina nos estudos que a fez ter sucesso no momento da prova. Ela fez seis meses de cursinho. Durante a semana, assistia às aulas pela manhã e, quando não estava em sala, ficava na biblioteca estudando, além de separar um tempo, semanalmente, para caminhar e correr na rua. "Estou feliz e me sentindo muito competente. Estudei muito e estou provando o fato de que se você estudar, você vai conseguir passar em uma universidade boa", comemora. Rogério Freitas Paz de Lacerda, 31 anos Distante 13 anos de disciplinas cobradas em vestibular e com vontade crescente de voltar a estudar, o professor de matemática foi o terceiro colocado na segunda chamada do vestibular da UnB. Aprovado para o curso de engenharia civil, ele dá aula para turmas do ensino médio e de cursinhos pré-vestibulares. Formado pela UnB, Rogério já chegou a cursar dois anos e meio de ciências da computação também na instituição. Jovem, o então estudante parou o curso para se dedicar ao ensino. Desde lá, são mais de 10 anos em sala de aula e sem estudar matérias como história, biologia, química e português, cobrados em vestibulares. "O diferencial é que tive uma base de ensino consistente. Nem era dos melhores alunos da sala, mas, enquanto estudei, não tinha a preocupação de só passar nas provas. Eu tentava compreender o processo e não apenas decorar, por isso, consegui relembrar grande parte do que vi há mais de uma década", acredita ele. Assim como agora, em 2009, Rogério não conseguiu ser aprovado na primeira chamada do vestibular da UnB por conta de um item errado. O professor conta que, desta vez, ficou na sala de prova até o último minuto. Surpreso com o resultado em segunda chamada, ele garante que vai fazer o curso até o fim e que vai continuar dando aulas de matemática. "Não tenho pressa em terminar o curso. Quero fazê-lo sem comprometer a qualidade do ensino, pois busquei essa nova graduação para aperfeiçoar o conhecimento que possuo. Quando tiver que encarar novas situações na vida, quero estar preparado", ressalta. Ele estava dentro de sala de aula no momento que soube do resultado da segunda chamada e foi ovacionado pelos alunos presentes. Ao chegar em casa, contou para a noiva, que termina um curso de arquitetura, e para o pai. "Todos ficaram muito felizes. A primeira reação dos alunos foi de completa euforia. Depois, eles ficaram um pouco depressivos, achando que poderiam ter sido eles a passar no vestibular. Conversamos e mostrei que com perseverança e vontade de aprender da maneira certa tudo é possível."
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