SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Seleção

Candidato sob medida

Recrutadores revelam as características mais desejadas em jovens profissionais na hora da contratação

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 15/10/2012 09:44 / atualizado em 15/10/2012 09:47

Ser contratado como estagiário, aprendiz ou trainee requer, na maioria das vezes, passar por um processo de seleção extenso que avalia as qualidades e competências que as empresas procuram nos futuros profissionais. Com o grau de exigência do mercado cada vez mais elevado, os recrutadores exigem qualidades bem específicas, de acordo com a função que o jovem vai exercer. Uma pesquisa do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), feita com 2 mil gestores, revela que entre as características mais desejadas estão a postura profissional, a capacidade de adaptação, proatividade e também a facilidade para trabalhar em equipe (veja a tabela).

O superintendente de operações do CIEE, Eduardo de Oliveira, afirma que é cada vez mais comum as empresas não obterem o retorno esperado na hora de contratar os jovens. “Esperamos que, com a pesquisa, os estudantes possam se concentrar nos aspectos em que enfrentam maiores dificuldades. Ao se prepararem melhor, eles podem eliminar as barreiras que os impedem de iniciar sua carreira”, explica o responsável por intermediar as contratações entre a empresa e as instituições de ensino.

Perfil ideal
Para Jorge Matos, diretor do E-Talent, empresa que oferece soluções em gestão de pessoas e carreiras, quem contrata precisa ter clareza daquilo que deseja para não se arrepender no futuro. “Não adianta contratar um estagiário, um trainee ou um aprendiz para ocupar uma função passageira. É preciso pensar naquilo que o indivíduo vai fazer quando sair dessa fase de aprendizado”, afirma.

Em relação aos candidatos, Jorge orienta que verifiquem se realmente apresentam o perfil para a vaga oferecida. “Quando não se é aprovado em um processo de seleção, a negativa pode não significar incompetência, mas sim falta de adequação para o cargo e local pretendidos”, diz. Como, na maioria das vezes, o candidato tem os conhecimentos necessários, Jorge acredita que os processos de seleção vão considerar cada vez mais a capacidade que os novos profissionais têm para adaptar seu comportamento conforme as exigências da empresa.

Atenta às tendências do mercado, a estudante de ciências políticas Iana Alves, 22 anos, procurou entender como os profissionais da área fazem para conseguir um estágio. “Eu trabalhava na empresa júnior do meu curso e, durante essa experiência, aproveitei para conhecer pessoas que já atuam em assessoria parlamentar, que é a área de que mais gosto”, revela. Foi graças a sua postura proativa e curiosa que Iana acredita que foi contratada para estagiar na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Após enviar um currículo detalhado com suas experiências e interesses, ela foi chamada para uma entrevista com as supervisoras da área. “Procurei demonstrar que realmente queria aquela vaga, e que já conhecia o suficiente sobre as atividades que iria exercer. Por isso, acredito que fui bem”, conta a estagiária, que acompanha votações e discussões no Congresso Nacional relevantes para a empresa.

Kelliane Pereira, 17 anos, também teve que se esforçar antes de ser selecionada entre aproximadamente 2 mil pessoas para uma das 20 vagas do curso de técnico em redes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Uma parceria entre a instituição e a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), o programa permite aos alunos fazer um treinamento na empresa durante os meses de férias, com possibilidade de contratação no fim do curso. “Cadastrei meu currículo no site e fui chamada. Tive que deixar claro que almejava meu crescimento profissional e que estaria disposta a trabalhar na Caesb”, relata.

Durante os meses de treinamento, Kelliane e outros 19 aprendizes trabalham na área de suporte técnico da empresa. A estudante, que ainda cursa o terceiro ano do ensino médio, sempre busca renovar o aprendizado, estabelecer uma boa comunicação com os colegas e demonstrar interesse em crescer na empresa.

Domínio do mercado
Trainee na área de arquitetura da MRV Engenharia, Adriano Vieira, 25 anos, pode comprovar durante o processo de seleção que a capacidade de análise e resolução de problemas seria essencial para sua aprovação, assim como no desenvolvimento das futuras atividades. Depois de ter o currículo avaliado, ele fez uma prova on-line que cobrava conhecimentos em Excel, lógica e inglês. Aprovado nas duas etapas, Adriano participou de uma dinâmica de grupo com mais 15 pessoas, das quais cinco foram classificadas. “Acredito que passei porque tenho muita vontade de trabalhar em construção civil. Estudei a missão e os valores da empresa e me destaquei na entrevista com os psicólogos”, afirma.

A parte mais difícil para o trainee foi quando os candidatos tiveram que expor as forças e as fraquezas da empresa diante dos diretores da construtora. “Tive que comprovar meu conhecimento sobre vários setores do local onde ia trabalhar, assim como a base que recebi da universidade. Usei esses ensinamentos para apresentar as soluções”, relembra Adriano.

Começar a vida profissional como aprendiz pode ser um instrumento importante para ingressar no mercado de trabalho com qualificação. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determina que 5% a 15% da totalidade dos empregados lotados nas funções que demandam formação profissional sejam aprendizes. Por meio de ações de fiscalização feitas entre janeiro de 2008 e agosto de 2012, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) inseriu 416,9 mil aprendizes no mercado de trabalho. Somente nos oito meses deste ano, já foram formalizadas as contratações de 86,5 mil pessoas.

Tags:

publicidade

publicidade