Enem 2012

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postado em 06/11/2012 08:00 / atualizado em 05/11/2012 13:12

Grasielle Castro /Correio Braziliense , Julia Chaib

Publicação: 05/11/2012 04:00

Em Sidrolândia (MS), Pâmela de Oliveira Lescano deu à luz Everton no banheiro do local de prova. Ela fará o exame nos dias 4 e 5 de dezembro  (Rafael Brites/Região News) 
Em Sidrolândia (MS), Pâmela de Oliveira Lescano deu à luz Everton no banheiro do local de prova. Ela fará o exame nos dias 4 e 5 de dezembro

Cerca de 1,5 milhão de estudantes deixaram de participar neste fim de semana do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dados preliminares apontam que dos 5,79 milhões de inscritos, 4,17 milhões compareceram aos locais de provas — abstenção média de 27,9%. O percentual é próximo do registrado em anos anteriores — 26,4% em 2011 e 27,9%, em 2010. No Distrito Federal, dos 89,5 mil participantes, cerca de 32% faltaram. Além dos ausentes, outros 65 alunos foram eliminados por causa da internet. Ontem, mais 28 participantes repetiram o erro dos 37 candidatos que, no sábado, postaram imagens da avaliação em redes sociais.

O ministro Aloizio Mercadante afirmou ontem, em coletiva após o encerramento das provas, que esses casos, com o de uma pessoa de Campinas (SP), que publicou no Twitter no sábado de manhã um alerta falso de que a prova havia sido cancelada, serão investigados com rigor. A Polícia Federal apura os fatos e uma delegacia especializada em crimes eletrônicos foi acionada. “Uma irresponsabilidade como essa gera uma insegurança ou prejuízo muito grande. Precisamos melhorar a legislação e trabalhar em cima disso.” O ministro espera que as normas sejam atualizadas e os crimes cibernéticos melhores tipificados. Em 24 de outubro, outra pessoa também postou que o Enem seria cancelado. “Queremos analisar e ajustar a legislação a esses novos desafios.”

Uma série de incidentes pontuais marcaram o fim de semana de provas. No DF, uma mãe deixou o filho de cinco anos abandonado fora do prédio onde ela fazia o exame — o Conselho Tutelar foi acionado. O caso mais emblemático, entretanto, foi o da estudante Pâmela de Oliveira Lescano, 17 anos, que deu à luz um menino minutos antes de a avaliação começar, em Sidrolândia, a 70km de Campo Grande (MS). Uma fiscal a encontrou no banheiro sangrando, com o menino nos braços. O Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) foi chamado e os dois passam bem. Logo depois, o ministro ligou para a adolescente e informou que ela poderá fazer a prova em 4 e 5 de dezembro.

 
"Não tivemos nenhuma fraude até esse momento ou qualquer episódio que pudesse arranhar a eficiência do exame" Aloizio Mercadante, ministro da Educação

Participantes sabatistas (guardam o sábado por motivos religiosos) que fizeram o primeiro dia de prova em Rio Branco, onde teve falta de energia devido às chuvas, além de deficientes visuais do Rio de Janeiro, que reclamaram que o material não era adaptado, também poderão fazer o Enem no próximo mês. A avaliação já estava prevista para a população carcerária do país. A pasta avalia ainda a possibilidade de incluir nesse rol os candidatos de uma escola de Amargosa (BA), fortemente atingida pelas chuvas. O caso do estudante brasiliense Leonardo Guimarães Moreira, 18 anos, agredido na saída de uma festa no dia 28, também será estudado. De acordo com a irmã do jovem, Lauseani Santoni, 30, a família entrará na Justiça ainda esta semana para tentar assegurar o direito de o rapaz fazer o Enem. “Vamos entrar com um mandato de segurança. Ele está se recuperando bem e conseguirá fazer a prova.”

Falhas
De 2009 a 2011, nas três edições, o exame apresentou erros. No ano passado, questões do pré-teste vazaram e foram usadas no material de estudo do Colégio Christus, de Fortaleza. Um erro técnico na correção da redação fez com que um aluno conseguisse mudar a nota de zero para 880. Em 2010, os gabaritos divergiam das provas e, em 2009, a prova foi furtada e teve de ser adiada. Para Mercadante, o resultado deste ano foi positivo. “Não tivemos nenhuma fraude até esse momento ou qualquer episódio que pudesse arranhar a eficiência do exame”, disse. Segundo ele, a pasta aprendeu com as experiências anteriores e levará os aprendizados desta para o ano que vem.


Atrasados
No Distrito Federal, a cena dos estudantes que chegam atrasados e são eliminados se repetiu ontem. “Por três minutos, perdi a chance”, desabafou Luis Felipe Santana, 22 anos, que quer estudar matemática. Ele havia realizado as provas no sábado, mas disse que o ônibus demorou muito para passar. “Moro em Ceilândia Norte e tive de fazer a prova na Asa Norte, não deu tempo mesmo”, lamenta. Ruim também para Juán Cortez, 14, que chegou ao local um minuto depois de o portão fechar. “Estou no 1º ano do ensino médio e queria fazer o Enem como treinamento. Se eu tivesse buscando entrar na universidade, teria ficado muito chateado.”


Giro pelo país
» A paixão do pai pela Fórmula 1 terminou com o sonho de Carolina Weiber, 18 anos, em Vilhena, Rondônia. O pai só a levou ao exame após terminar de assistir à corrida de F-1— perto das 12h45. Quando ela chegou, os portões estavam fechados.

» A família da estudante Adriele Almeida, 16 anos, resolveu fazer uma oração antes de deixar a menina no local de prova e perdeu a hora. Quando a estudante chegou ao Colégio Estadual Luiz Viana Filho, em Salvador, o prazo de entrada já havia terminado. A candidata nem desceu do carro.

» No Ceará, todo esforço empenhado no primeiro dia de provas foi em vão para o estudante Luan Leite, 17 anos. Ao chegar ao local da avaliação ontem, ele procurou o documento de identidade e não encontrou. Ele acha que o esqueceu no bolso da calça do dia anterior.

» Três estudantes que iam fazer o Enem em Lajeado, no Rio Grande do Sul, sofreram um acidente de carro e não conseguiram participar da avaliação. Segundo a Polícia Militar, o Fusca que transportava os candidatos cruzou na frente de uma van e os dois carros tombaram na pista.

» Após rezar três missas, o padre Paulo Henrique Fassin seguiu para o local do exame, em São Carlos (SP). Paulo conta que decidiu fazer o Enem para tentar uma vaga no curso de psicologia e, depois de pedir a intercessão de São Carlos e de todos os santos, estava confiante.


Mais informações

Gabarito oficial
Será divulgado até quarta-feira

Resultados
Saem em 28 de dezembro
 
Vagas nas universidades em jogo


As amigas Aline Faustino e Ana Carolina estudaram o ano inteiro para conquistar vagas em universidades federais (Mariana Raphael/CB/D.A Press) 
As amigas Aline Faustino e Ana Carolina estudaram o ano inteiro para conquistar vagas em universidades federais

Entre os que fizeram o Enem, a maioria busca uma vaga no ensino superior. O exame é aceito nas 59 universidades federais e em algumas instituições privadas como critério parcial ou integral de ingresso. Na Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, a nota vale para as oportunidades que não foram preenchidas no vestibular tradicional. As amigas Ana Carolina Lacerda e Aline Faustino Veiga, ambas de 18 anos, fizeram o exame com este objetivo. “Vou tentar uma vaga no curso de arquitetura na Universidade Federal de Goiás (UFG)”, diz Ana Carolina. Já Aline pretende prestar psicologia Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Estudei o ano inteiro para isso.”

Entre os candidatos que disseram precisar de atendimento especial nesta edição está Marcela Reis, 17 anos. A mãe da estudante, Fernanda Lima, 47, explicou que, para conseguir uma hora a mais no tempo de prova, entregou o laudo do neurologista que atesta que Marcela é disléxica. “Ela tem problemas com tempo. No ano passado, não conseguiu concluir a prova”, disse. Segundo ela, Marcela foi muito bem atendida pela equipe do exame.

Entre as opções especiais, estão os sabatistas (que guardam o sábado por motivos religiosos). O aluno Walisson dos Reis Pereira da Silva, 26 anos, afirma não ter marcado a opção de atendimento diferenciado — eles tiveram de aguardar cinco horas em uma sala para realizar a prova às 19h. “Me colocaram como sabatista, de uma religião que eu nem conheço. Fiquei lá seis horas esperando, com fome, porque lanche não sustenta ninguém e fui mal na prova.”

Outras três pessoas, no Rio Grande do Sul, também disseram ter tido problemas com a marcação para sabatistas. O Inep, em resposta às alegações, enviou ao Correio as fichas de inscrições dos quatro estudantes, nas quais aparecia a opção “você guarda o sábado?” marcada positivamente por eles. “Se houve erro, foi dos participantes. A responsabilidade pela inscrição é do participante”, informou o Inep.
 
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