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Educação

Lista do Sisu mostra bom desempenho de cotistas

Entre as 10 maiores notas de corte preliminares divulgadas pelo MEC, três estão no sistema de cotas. Especialista destaca que índices podem acabar com o estigma de que o modelo diminui a qualidade das instituições

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postado em 09/01/2013 12:43 / atualizado em 09/01/2013 12:49

Renata Mariz , Julia Chaib

Balanço do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), aberto até sexta-feira para estudantes se inscreverem em 101 instituições públicas de ensino superior que usam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como porta de entrada, mostra um alto desempenho de alunos cotistas. Entre as 10 maiores notas de corte do país, três foram obtidas por candidatos que poderão se beneficiar da reserva de vagas. No caso do curso de medicina da Universidade Federal de Ouro Preto, está mais difícil ingressar pelo sistema de cotas. A pontuação mínima, para esses estudantes, chegou a 808,70 — maior que a nota de corte na ampla concorrência, de 808,56. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Educação, ontem, que também anunciou a concessão de bolsas de R$ 400 mensais para cotistas.

A pontuação mínima para entrar em cada curso é calculada com base na nota dos estudantes que se inscreveram naquela graduação desde que o Sisu foi aberto, na segunda-feira. O sistema avalia os melhores índices dos candidatos para chegar à pontuação de corte. Como os alunos fazem duas opções e poderão migrar entre os 3.751 cursos oferecidos até sexta-feira — quando termina o prazo para as inscrições — as notas podem mudar. Até ontem, 1,2 milhão de estudantes tinham feito o cadastro.

Apesar de se tratar de informações preliminares sobre os 10 cursos com maior nota de corte até agora, o desempenho de cotistas pode derrubar mitos, de acordo com Afonso Celso Danus Galvão, professor doutor da Universidade Católica de Brasília e especialista em educação. “Isso pode servir para mostrar que talvez não haja tanta diferença real entre alunos cotistas e não cotistas. Com isso, o argumento de algumas pessoas, de que as cotas acabariam por diminuir a qualidade de cursos, porque os alunos cotistas não entrariam bem preparados, não se confirma”. Entretanto, Galvão ressalta que os dados podem levantar novas discussões. “Ao mesmo tempo, as notas de corte altas questionam a necessidade de se ter um sistema de cotas, por revelar que, de certa forma, os cotistas estariam bem preparados.”

Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o mais importante nesse momento é que os alunos fiquem atentos aos índices mínimos do curso pleiteado, calculados pelo MEC uma vez por dia, às 2h da manhã. “Viu que não dá para entrar, o candidato pode mudar de instituição, de estado ou procurar outro curso”, afirmou. Mercadante ressaltou que cotistas também podem, no decorrer da semana, tentar vaga em ampla concorrência, se for vantajoso. Valerá a última inscrição feita.

Samara Dallana, 21 anos, está confiante de que entrará na faculdade de medicina. Até a tarde de ontem, a estudante tinha pontuação suficiente para estudar na Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Ceará (UFC), ambas entre as 10 instituições mais procuradas. “A minha primeira opção era a Universidade Federal de Ouro Preto, mas, embora eu tenha ido bem na redação e nas provas, a nota de corte é muito alta.”

Liminares
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) suspendeu ontem decisões judiciais que obrigavam o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), organizador do Enem, a disponibilizar as redações corrigidas dos candidatos antes do prazo estipulado no edital — 6 de fevereiro. A decisão vale para o Rio de Janeiro, que concentrava pelo menos 150 casos, e para o Espírito Santo. Sobre demandas de outros estados, o MEC informou que recorrerá de todas, por serem casos pontuais. Até o momento, apenas dois candidatos que ingressaram na Justiça receberam detalhes da correção dos textos. Tais informações foram enviadas antes de o TRF da 5ª Região derrubar liminar da Justiça Federal do Ceará que obrigava o MEC encaminhar aos candidatos o espelho de correção.

Prazo prorrogado
Foram prorrogadas as inscrições para o programa Ciências sem Fronteiras, que concede a graduandos brasileiros bolsas para estudar no exterior. O prazo terminará em 24 de janeiro. A alteração foi provocada por uma mudança no sistema em que o candidato faz a opção. No lugar do nome do curso, como ocorria antes, agora o universitário marcará a área do conhecimento desejada.

Mais difícil de entrar

Das 10 maiores notas de corte, três são na concorrência entre cotistas. Na Federal de Ouro Preto,
está mais difícil entrar pela reserva de vagas do que pela ampla concorrência. Confira as maiores pontuações:


Instituição  /  Curso  /  Nota de corte
Universidade Federal do Rio de Janeiro  /  Medicina  /  819,27 (ampla concorrência)
Universidade Federal de Uberlândia  /  Medicina  /  813,03 (ampla concorrência)
Universidade Federal de Ouro Preto  /  Medicina  /  808,70 (cotista)
Universidade Federal de Ouro Preto  /  Medicina  /  808,56 (ampla concorrência)
Universidade Federal do Paraná  /  Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia  /  808,12 (ampla concorrência)
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro  /  Medicina  /  807,84 (cotista)
Universidade Federal do Paraná  /  Medicina  /  806,52 (ampla concorrência)
Universidade Federal do Rio de Janeiro  / Medicina   / 805,93 (cotista)
Universidade Federal do Paraná  /  Comunicação Social  /  804,38 (ampla concorrência)
Universidade Federal do Rio de Janeiro  /  Engenharia Química  /  802,05 (ampla concorrência)
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