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Preparação para a carreira de diplomata

A seleção do Instituto Rio Branco exige preparo rigoroso do candidato, que precisa dominar assuntos como história, economia, política externa e direito internacional

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postado em 01/07/2013 10:13 / atualizado em 01/07/2013 10:15

Gustavo Moreno
Conhecida por ser umas das seleções mais exigentes do país devido à abrangência de conteúdos, a prova do Instituto Rio Branco que seleciona candidatos para a carreira de diplomata cobra uma preparação regada a muita leitura, acompanhamento do noticiário e estudo de áreas específicas, como política externa e direito público. O certame, que é realizado anualmente, está com inscrições abertas até 9 de julho e oferece 30 vagas para o cargo. Divido em quatro fases, o concurso conta com uma prova objetiva e três discursivas, aplicadas pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB).

O estudante do último semestre de relações internacionais Daniel de Medina, 22 anos, está se preparando para o concurso há dois anos. Ele, que já fez o certame uma vez para se familiarizar, reconhece a rigidez da seleção. “É uma prova muito abrangente, que vai de política internacional até português. Isso me assustou um pouco no começo, porque exige muito do candidato. Tive a oportunidade de fazer a seleção antes, mas preferi me preparar bem”, conta o estudante. Daniel chega a ficar até 11 horas mergulhado nos estudos. “A área de política, que está sempre em destaque, me preocupa muito”, acrescenta.

Política internacional é um dos temas que mais tiram o sono dos candidatos por exigir acompanhamento da atuação do Itamaraty e do noticiário mundial. De acordo com a especialista em política internacional Cristina Pecequilo, autora do livro Os Estados Unidos e o século XXI (Editora Elsevier / 208 páginas / R$ 59), assuntos como Mercosul e política econômica na América do Sul, crise europeia e funcionamento do sistema financeiro internacional são certos de caírem na prova. Temas relacionados à Organização Mundial do Comércio (OMC) também poderão ser abordados, devido à eleição do brasileiro Roberto Azevêdo para a diretoria-geral da entidade, em maio deste ano.

“Acompanhar o noticiário ajuda, mas é preciso ter cuidado. O que importa é conhecer o contexto dos fatos”, considera a professora. Cristina ressalta que nenhum assunto deve ser privilegiado. “Todas as provas possuem igual importância, todos os conteúdos são cobrados”, completa.

A prova também cobra, tanto na fase objetiva quanto nas partes dissertativas, conhecimentos específicos em história brasileira e internacional, economia e direito internacional público. Para o professor de história do cursinho especializado O Diplomata Carlos Vidigal, o candidato pode considerar as provas dos três últimos anos como modelo para estudo, pois existem temas que sempre se repetem. Podem ser abordados assuntos referentes ao processo democrático brasileiro — desde independência, construção do Estado-nação e Primeira República, até temas mais recentes, como regime militar e redemocratização. “É uma prova muito contextualizada, que requer um conhecimento grande. A perspectiva que está presente em toda ela é o lugar do Brasil no mundo, como estamos inseridos no contexto sociopolítico e econômico global”, afirma o professor.

Peso de ouro
O concurso terá quatro fases. A primeira é a prova objetiva, prevista para ser aplicada em 18 de agosto. Ela conta com 65 questões de língua portuguesa, história do brasil e mundial, geografia, política internacional, inglês, economia e noções de direito internacional e público. As demais fases são exclusivamente discursivas e exigem do candidato empenho nos exercícios de redação e argumentação.

“As questões pedem sempre uma análise, exigindo argumentação do aluno. Por isso, é recomendável que ele faça exercícios com frequência, mas com intervalos de tempo. Assim, é possível se adaptar à correção e ao estilo da escrita”, recomenda o professor de português e política internacional do cursinho Atlas Maurício Costa.

Para a segunda fase, composta por uma redação de 650 palavras mais duas questões discursivas, o professor recomenda estudo de temas que envolvem o contexto político global, como meio ambiente, relações comerciais chinesas, censura na internet e acordo antinuclear. Já para as questões interpretativas, a dica é estudar as escolas literárias. “O diferencial do candidato é a capacidade de conhecer do assunto e de saber debater. Nessa prova, não existe decoreba”, comenta Maurício Costa. Essa etapa será aplicada em 15 de setembro.

A terceira fase do concurso será em 26 e 27 de outubro e em 2, 3, 9 e 10 de novembro de 2013, abordando os mesmos temas das provas anteriores. A última fase, de caráter apenas classificatório, ocorrerá em 10 de novembro, com provas discusivas de espanhol e de francês. O resultado final do concurso está previsto para ser divulgado em 10 de dezembro. Para concorrer, é necessário diploma de graduação em qualquer área de formação e idade mínima de 18 anos.

Leia e assista

Confira os livros e filmes que podem ajudar nos estudos:
Livros recomendados:

Iniciação à Literatura Brasileira
De Antônio Cândido
Ouro sobre Azul; 136 páginas; R$ 27

História concisa da literatura brasileira
De Alfredo Bosi
Cultrix; 568 páginas; R$ 46,50

Idéias em movimento: a geração de 1870 na crise do Brasil Império
De Angela Alonso
Paz e Terra; 392 páginas; R$ 55

Política externa após a redemocratização (Volumes I e II)
De Fernando Mello Barreto
Funag; 748 páginas; R$ 43

Diplomacia
De Henry Kissinger
Gradiva; 793 páginas; R$ 127,79
O povo brasileiro
De Darcy Ribeiro
Companhia das Letras; 480 páginas; R$ 63,50

Raízes do Brasil
De Sérgio Buarque de Hollanda
Companhia das Letras; 224 páginas; R$ 39,50

A América Latina:
males de origem
De Manoel Bomfim
Topbooks; 358 páginas; R$ 43


Filmes recomendados:
A Queda: as últimas horas de Hitler (2004)
Direção: Oliver Hirschbiegel

13 dias que abalaram o mundo (2000)
Direção: Roger Donaldson

O que diz o edital
Instituto Rio Branco

Cargo: diplomata
Vagas: 30
Salário inicial: R$13.623,10
Inscrição: até 9 de julho
Taxa: R$160
Prova: 18 de agosto
Edital: www.cespe.unb.br/concursos/IRBR_13_DIPLOMACIA
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