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Concurso do Ministério do Planejamento usou, pelo menos, nove itens de outro certame, feito em 2012. Candidatos querem anulação dos tópicos

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postado em 31/07/2013 18:00 / atualizado em 31/07/2013 12:22

Lorena Pacheco

Uma série de semelhanças entre questões de dois concursos públicos deixou vários candidatos indignados. Segundo levantamento do Correio, pelo menos nove itens da prova para analista de tecnologia da informação do Ministério do Planejamento — elaborada pela Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Assistência (Funrio) e aplicada no último domingo — são praticamente iguais, com poucas mudanças nos enunciados, aos do certame para analista de segurança da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), organizado pela própria instituição, no ano passado. Entre as opções de resposta, na maioria das vezes, as bancas se limitaram a trocar a ordem dos tópicos.

A Funrio é uma fundação que trabalha em apoio à Unirio, o que torna o caso ainda mais delicado. O coordenador de projetos da primeira banca, Marco Aurélio Guimarães, admitiu que a prova foi elaborada pelo mesmo autor do certame de 2012. Dessa forma, segundo ele, não há plágio. “As questões serão analisadas na fase de recursos, e nenhum candidato deverá ser prejudicado”, afirmou.

O secretário executivo da Funrio, Azor José de Lima, no entanto, afirma que a fundação não participou, em nenhum momento, da organização do concurso da Unirio no ano passado. De acordo com ele, o caso está sendo avaliado pelos gestores da banca e, se comprovadas as semelhanças, as questões serão anuladas, e os pontos dos candidatos serão redistribuídos. A aplicação de uma nova prova não é cogitada, já que, segundo Lima, a quantidade de perguntas plagiadas é bem inferior ao total de questões — 80 perguntas.

Segundo a diretora executiva da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Maria Thereza Sombra, para preservar a isonomia do concurso do Ministério do Planejamento, as questões copiadas devem ser anuladas. “As irregularidades vêm à tona graças aos concursandos, que estudam resolvendo exercícios de provas de até 10 anos atrás e guardam na memória o conteúdo, tanto para aprender quanto para fiscalizar o concurso”, ressaltou. Ela recomenda que os concorrentes que se sentirem prejudicados recorram ao Ministério Público.

Favorecimento
Para os candidatos, a similaridade entre as questões favorece quem já havia resolvido a prova estadual durante os estudos. Um dos concorrentes, Sandro Lopes conta que ficou revoltado quando soube que questões semelhantes tinham sido aplicadas em uma seleção anterior. “Quando um colega disse que havia itens praticamente iguais, não acreditei.” Ele diz que se sentiu prejudicado. “Esse tipo de situação atrapalha a isonomia entre os candidatos. No mínimo, os tópicos deveriam ser anulados”, opinou.

Também candidato, Eduardo Santos conta que viu a equivalência após as denúncias de colegas em um fórum na internet. “Senti-me lesado. De repente, você vê todas aquelas questões e começa a duvidar da procedência do certame”, desabafou. “Na minha opinião, a prova deveria ser reaplicada.” A assessoria do Ministério do Planejamento afirmou que o assunto é de responsabilidade exclusiva da banca organizadora.

» Para graduados

As provas objetiva e discursiva do concurso com 200 vagas para analista de tecnologia da informação do Ministério do Planejamento foram aplicadas no último domingo, para 6.509 candidatos. Para concorrer, era necessário ser graduado em qualquer curso superior. Todas as oportunidades são para lotação em Brasília. Após o resultado dos exames, o candidato ainda deve ser submetido a avaliação de títulos. O salário inicial é de 7,6 mil.

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