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Sem direito de errar

Preparação é fundamental para os concursos do Banco Central, e disciplinas específicas, como economia, geometria e gestão pública, devem estar na ponta da língua

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postado em 02/09/2013 10:25 / atualizado em 03/09/2013 16:29

Breno Fortes
A chance de trabalhar em um dos principais agentes econômicos do país, e o grande número de oportunidades de trabalho fazem do concurso público do Banco Central do Brasil (Bacen) uma das seleções mais esperadas do ano. O edital lançado para a seleção de 2013 conta com um total de 500 vagas abertas: 100 de nível médio para cargos de técnico e 400 de nível superior, em qualquer curso reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), para cargos de analista. A data provável da aplicação das provas é 20 de outubro, nos períodos da manhã e da tarde. A banca examinadora será o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB).

A seleção terá duas fases: na primeira, com provas objetivas e discursivas, os candidatos a analistas e técnicos terão que responder a questões de conhecimentos básicos, como língua portuguesa e inglesa, economia, direito administrativo e constitucional, raciocínio lógico, economia e gestão pública. Em conhecimentos específicos, a banca questionará os concorrentes a respeito de temas relacionados à área concorrida. A prova discursiva abordará questões abertas que tratarão de assuntos específicos dos cargos almejados. Para analistas, também haverá avaliação de títulos. A segunda etapa será composta pelo programa de capacitação.

Silvio Costa, 31 anos, sonha em ser analista do Bacen em Brasília. Ele destaca o grau elevado de dificuldade da prova: “Serão cobrados detalhes dos conteúdos listados”, diz. O candidato confessa também que não está preocupado com os conhecimentos básicos pedidos, mas sim com os específicos. “Alguns tópicos, como economia do setor público, não têm cursinhos que ensinem, nem livros que eu possa usar para estudar, então tenho de procurar conteúdo por conta própria”, explica. Silvio conta que o interesse principal em prestar a prova é adquirir experiência para futuras seleções do banco. “Tenho esperança de o Bacen abrir uma nova prova, em um prazo não muito distante, e espero já estar com conhecimentos acumulados para me garantir”, revela.

Atenção e preparo

A disciplina de economia será um dos destaques do concurso. Devido ao nível dos assuntos a serem cobrados, o professor de economia Waldery Rodrigues, do curso preparatório Igeep, classifica a seleção como “um dos melhores concursos que cobram a disciplina” e destaca o tópico de sistema financeiro nacional e de pagamentos brasileiro. “Essa parte está mais densa que no último certame, realizado em 2009, e é uma matéria mais institucional. A prova pode incluir perguntas como o que é uma caixa federal ou uma bolsa de valores, por exemplo”, diz.

Para o Professor Waldery, micro e macroeconomia são pontos específicos que demandam uma atenção extra. “São conceitos que costumam ser estudados em uma graduação e alunos que não têm familiaridade com esses assuntos podem encontrar dificuldades nesses itens. Sugiro que o candidato procure um curso, que seja presencial ou on-line, para se aprofundar nas matérias e tirar dúvidas”, aconselha. Estar acostumado aos termos técnicos utilizados na área é outra indicação do professor. “O Cespe costuma utilizar menos o sentido mais óbvio das palavras. Se o candidato não entender algum trecho do edital, ele deve procurar um dicionário de finanças, por exemplo, para se familiarizar com o vocabulário”, comenta. Para a parte discursiva, ele lista como possível tópico o impacto das crises financeiras internacionais na economia brasileira.

Geometria e aritmética serão requisitos para o bom desempenho nas questões de raciocínio lógico da prova. Segundo análise do professor da disciplina no Pró-Cursos, Vanderlan Marcelo, o Cespe tem procurado fazer alterações nas maneiras de cobrar o tema nas questões, e o candidato despreparado poderá enfrentar dificuldades. “Para resolver os itens serão necessários conhecimentos básicos, porém abrangentes, de geometria plana, aritmética/álgebra, matriz e lógica pura. O que é possível observar é que a banca não pretende mais criar questões de raciocínio-lógico somente relacionadas aos conceitos típicos da matéria”, explica.

Para Vanderlan, trata-se de “abuso intelectual” por parte da banca – ou talvez, uma tentativa de inovação. Como treino, o professor indica refazer certames recentes do Cespe, como as provas da Telebras e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). "Com questões de 2013 mesmo; nada de procurar material antigo", aconselha.

A matéria de direito constitucional será disciplina comum aos dois cargos do Bacen. O professor Luciano Dutra, autor do livro Direito constitucional essencial para concurso (Editora Elsevier; 132 páginas; R$ 63) aconselha prestar atenção nas questões mais cobradas pelo Cespe. "Geralmente as perguntas abordam decisões de jurisprudência recentes, como as do Supremo Tribunal Federal (STF). Por isso, o candidato precisa estar em dia com os informativos publicados por esses órgãos. Outro ponto fundamental é a leitura atenta da Constituição Federal. Alguns artigos, como o 5º, que trata dos direitos e das garantias fundamentais, são cobrados em todo concurso”, afirma.

Segundo o especialista, embora o assunto seja similar para os dois cargos, existem algumas diferenças que devem ser levadas em conta. “No edital para analista é possível destacar os Artigos nº 163 a 169, que tratam das finanças públicas, e os nº 170 a 181, a respeito de princípios gerais da atividade econômica. Normalmente, essas matérias não são trabalhadas em cursinhos básicos. Para o cargo de técnico, acredito que o foco estará nas disposições gerais da administração pública e dos servidores”, aconselha.

O professor Luciano explica que a preparação para a prova do Bacen deve ser a mesma, tanto para alunos do ensino médio como do ensino superior, devido ao número elevado de concorrentes e à dificuldade da prova. “A pessoa não tem o direito de errar, pois a nota de corte tem sido elevada para ambos”, conclui.

O que diz o edital
Banco Central do Brasil (Bacen)

Cargos:
Nível médio – técnico: suporte técnico-administrativo e segurança institucional
Nível superior – analista: análise e desenvolvimento de sistemas, suporte à infraestrutura de tecnologia da informação, política econômica e monetária, contabilidade e finanças, infraestrutura e logística, e gestão e análise processual
Vagas: 100 para técnico e 400 para analista
Remunerações: R$ 5.158,23 a R$ 14.289,24
Inscrições: até 9 de setembro
Taxa: R$ 70 e R$ 120
Prova: 20 de outubro
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