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Correio Braziliense

Amazônia protegida

Dominar o Estatuto da Terra, a lei de crimes ambientais e a disciplina básica de raciocínio lógico é essencial para garantir uma das 150 vagas oferecidas pelo MDA

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postado em 24/11/2013 14:32 / atualizado em 24/11/2013 14:33

Ana Rayssa
Estão abertas as inscrições para o processo seletivo simplificado do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). São 150 vagas temporárias nos níveis médio e superior. As provas estão marcadas para 19 de janeiro e serão aplicadas em Brasília e em mais 13 cidades. Os aprovados vão trabalhar na regularização fundiária da Amazônia Legal, uma área que engloba nove estados brasileiros que sofrem com problemas econômicos, políticos e sociais parecidos. Há oportunidades para candidatos com graduação em qualquer área e outras reservadas para graduados em 10 áreas diferentes, como engenharia de agrimensura ou engenharia cartográfica, engenharia agronômica, ciências contábeis e tecnologia da informação. No nível médio, as áreas são administrativa, de informática ou de agrimensura.

A banca avaliadora é a Fundação Universa e a prova contará com 50 questões — 20 de conhecimentos gerais e 30 de conhecimentos específicos. Quem for selecionado vai atuar em funções de apoio à fiscalização do serviço de georreferenciamento, vistorias, análises de processos de destinação de áreas rurais e urbanas, supervisão de georreferenciamento, entre outras.

O último concurso para o MDA ocorreu em 2008 e foi homologado em 2009. Foi assim que engenheiro agrônomo formado pela UnB Rodrigo Machado conseguiu ingressar no órgão. “Depois que obtive uma base nas matérias básicas, como português e direito administrativo, direcionei meus estudos para as matérias específicas. No último concurso, caíram muitas questões relacionadas a atualidades da agricultura familiar, ao Estatuto da Terra e à lei de crimes ambientais (Lei nº 9.605, de 1998)”, realata.

Na época, além de fazer o concurso para o ministério, Rodrigo  se dedicava às provas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o que contribuiu no estudo de matérias da área. Outra dica que o ex-concurseiro dá aos que estão se preparando é ler a publicação A economia da reforma agrária: evidências internacionais, do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead), do próprio MDA, disponível para download gratuito no link bit.ly/19HuoRb.

Diferencial
Para cargos que necessitam de graduação em áreas como engenharia agronômica e engenharia de agrimensura, além das matérias básicas do direito, um diferencial pode ser o direito agrário. Segundo o professor de direito privado da Universidade de Brasília (UnB) Frederico Viegas Lima, estudar de forma profunda o Estatuto da Terra e questões da Reserva Legal é de extrema importância. “O direito agrário está cada vez mais ligado ao meio ambiente, então, aproximar-se da legislação das Áreas de Proteção Permanente (APP) e sobre georreferenciamento pode ser um grande diferencial também”, explica. O professor indica a leitura da obra Curso de direito agrário, de Arnaldo Rizzardo (Editora RT; 768 páginas; R$ 127,28).

As matérias básicas de todos os concursos públicos também serão cobradas na seleção, como noções de informática, raciocínio lógico-quantitativo, atualidades, legislação, noções de direito e língua portuguesa. Para o professor de matemática e raciocínio lógico do Alub Concursos Rogério Carrijo, uma estratégia para alcançar bom desempenho na disciplina é estudar as regras de lógica. “Muitas pessoas pensam que se consegue resolver essas questões com interpretação de texto, mas dessa forma não é eficiente. O tempo é um fator muito importante, e se o aluno sabe as regras formais da lógica, ele vai direto ao ponto e acerta a questão”, explica. Um exemplo de regras formais são os conectivos e argumentos lógicos. “O aluno deve estudar as Leis de Morgan, equivalência lógica e questões de disjunção e condicional”, completa Rogério.

O diretor do Grancursos, professor Wilson Granjeiro, explica que a Fundação Universa possui uma estrutura de cobrança que une aspectos positivos do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) e da Escola de Administração Fazendária (Esaf), duas bancas tradicionais nos concursos. As provas terão questões de múltipla escolha, com cinco opções em cada, e, na parte de português, a banca normalmente exige muita interpretação de texto. “Pode chutar à vontade nessa prova, pois não há anulação de acertos, mas é preciso ficar atento aos detalhes dentro dos textos. Geralmente, caem muitos termos humanistas, e reescrever os textos pode ser uma boa tática”, sugere o professor.

Na disciplina de noções de informática, Granjeiro afirma que, com base nos últimos certames organizados pela banca, o grau de dificuldade tem sido baixo. “Não se deve dar tanta atenção à informática, pois eles cobram noções de software, segurança da informação e navegadores da web, que são matérias relativamente mais fáceis”, diz. Para essa parte, a sugestão é refazer a prova do Ministério da Agricultura de 2009 e as de outros ministérios que a Fundação Universa organizou. Como leituras complementares para as demais disciplinas básicas, Granjeiro sugere obras dos autores Pedro Lenza e Alexandre de Moraes, de direito constitucional, e da autora Maria Silvya Zanella di Pietro, de direito administrativo.

O que diz o edital
Ministério do
Desenvolvimento Agrário

Vagas: 150 (110 para nível superior e 40 para nível intermediário — técnico)
Áreas de atuação (técnico): administrativa, informática e agrimensura
Cursos superiores contemplados: engenharia de agrimensura ou engenharia cartográfica, engenharia agronômica, ciências contábeis e tecnologia da informação
Inscrições: até 16 de dezembro
Remunerações: de R$ 1.700 a R$ 8.300
Taxas: R$ 35 e R$ 65
Prova: 19 de janeiro (data provável)
Edital: inscricao.universa.org.br
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