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Brasília atrai graduados

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postado em 03/12/2013 14:00 / atualizado em 03/12/2013 11:15

Vera Batista , Diego Amorim

Carlos Vieira
O número de pessoas que atravessaram as fronteiras de seus municípios com a finalidade de trabalhar ou estudar cresceu de 7,4 milhões, em 2000, para 15 milhões, em 2010. No passado, o movimento migratório era comum entre as pessoas de baixas escolaridade e renda, mas, agora, são os profissionais com formação de nível superior que saem de suas localidades de origem. Divulgado ontem, o estudo Cidades em movimento: desafios e perspectivas das políticas públicas, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou ainda que Brasília foi a cidade que mais atraiu diplomados três anos atrás: 42,9 mil imigrantes com esse perfil, ou seja, 17,3 mil a mais que a quantidade de emigrantes.

As cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro foram as principais “exportadoras de cérebros” para a capital federal: da primeira vieram 122 mil diplomados e da segunda, 20,2 mil. Essas pessoas chegaram a Brasília atraídas, sobretudo, pelas oportunidades no funcionalismo público — lideram a lista dos queridinhos os órgãos chamados de elite, como Ministério Público da União (MPU), Banco Central, Tribunal de Contas da União (TCU), Tesouro Nacional, Senado e Câmara dos Deputados. “Esses deslocamentos apontam que o dinamismo da economia brasileira favorece a mobilidade, a formação escolar, a capacitação profissional e a inserção no mercado de trabalho”, explicou Marcelo Neri, presidente do Ipea e ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

Os enfermeiros Ramon Mendes, 28 anos, e Kelly da Silva, 43, participaram desse movimento migratório. Ele deixou para trás o município de Jequié (BA) e ela, Belo Horizonte. Ambos foram aprovados na seleção do Senado no ano passado. “Brasília representa a minha realização pessoal. Aqui, cheguei ao topo da minha carreira”, contou Ramon, que tem planos de trazer a mulher e o casal de filhos o quanto antes para perto. Kelly, por sua vez, já trouxe a mãe para viver com ela na “cidade do sossego”. “As pessoas reclamam, mas o trânsito ainda é excelente. Chego rápido ao trabalho. Temos uma qualidade de vida que não é possível encontrar em outro lugar”, lembrou.

Segunda casa
Também mineiro, Daniel Andrade, 33, nunca havia pensado em se mudar. Mas, cinco anos atrás, o publicitário e advogado desembarcou na capital federal atraído também pela Casa do Legislativo.  “Aqui é hoje a minha casa. É a segunda, mas é minha casa”, contou ele, que se casou na cidade com Fernanda e tem uma filha de 1 ano, Izabela.

Mas, ao mesmo tempo que recebeu mais moradores com formação de nível superior, Brasília, contraditoriamente, viu o número de favelas crescer em 50,7% no intervalo de 10 anos. “O alto valor da terra no Distrito Federal empurrou os mais pobres para o Entorno. O cobertor é curto. Os movimentos pendulares expõem também as dores do crescimento”, avaliou Neri.
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