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TRABALHO

Concurso plagiado

Seleção para a SEDF acumula queixas de candidatos

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postado em 12/12/2013 13:22 / atualizado em 12/12/2013 13:46

Daniel Ferreira
As acusações vão da falta de fiscalização à repetição de itens de provas anteriores. Apesar da pressão pelo cancelamento do certame, banca examinadora diz que ele será mantido

Novas denúncias colocam em xeque o concurso para professor da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF), cujas provas foram aplicadas no último domingo. Somam-se agora às reclamações de falhas na fiscalização — filmadas por uma candidata com o próprio celular e divulgadas na última segunda-feira — acusações de plágio de questões e quebra de isonomia. Candidatos pedem o cancelamento do processo seletivo. 

Segundo apontam pessoas que fizeram o exame, pelo menos sete enunciados da prova de conhecimentos específicos em matemática foram copiados de uma seleção de 2012 para a Fundação Helena Antipoff (FHA) — vinculada à Secretaria de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplg/MG) —, também organizada pelo Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC).

 

A questão 31 de matemática da secretaria do DF é igual à de número 44 da fundação mineira (no caderno de 20 horas); o enunciado 33 da SEDF tem a mesma ilustração do 50 da FHA; a pergunta 36 do teste da capital federal se assemelha à 58 do outro (somente os números são diferentes), bem como das questões 37 e 59 dos respectivos concursos.No item 38 do exame brasiliense, apenas a opção III é distinta da de número 31 (de 40 horas) da FHA. As questões 39 e 40 da secretaria do DF, por sua vez, são idênticas às 32 e 42 da fundação de Minas (veja fac-símiles).

Candidato a uma das 804 vagas da rede de ensino do Distrito Federal, André Pereira, 34 anos, percebeu o plágio ainda durante o concurso, porque havia estudado para certames em MG.“Isso fere a isonomia. Quer dizer que eu e qualquer outra pessoa que tenha feito esses testes anteriores ficaremos em situação melhor que os demais?Não é certo”, reclamou.

Sem proibição
Apesar da expectativa de que a seleção seja cancelada, Max Kolbe, consultor jurídico da Comissão de Fiscalização de Concurso Público da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF, diz que as acusações de plágio não são suficientes para tal medida. “Não há norma que proíba a repetição de questõesem diferentes processos seletivos. Emvirtude de a matéria ser a mesma, é possível cobrar sentenças idênticas ou semelhantes”, garantiu.

Ele diz, porém, que a apresentação de materiais que comprovema falta de fiscalização compromete o andamento do certame. Kolbe aconselha aos inscritos que reúnam as provas e registrem um boletim de ocorrência. “Assim, eles poderão recorrer ao Ministério Público do DF e à Defensoria Pública.”

A professora Nathália Vieira, 28, conta que um celular tocou na sala em que ela fazia o teste. “Primeiramente, os funcionários da banca acharam que o som vinha do corredor.Mas, depois, constataram que o telefone vibrava dentro do local, mas nem procuraramsaber quem era o responsável, e ficou por isso mesmo”, reclamou.

“Além disso tudo, os fiscais conversavam (entre si) na sala. Tive que pedir para fazerem silêncio”, afirmou a candidata Dione Mendes, 52. “Os textos tinham erros de português. Acho um absurdo eu ter me dedicado tanto tempo para passar por esse desrespeito”, lamentou Eliane Maria de Andrade, 49.

Despreparo
O presidente do grupo Vestcon e ex-presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Ernani Pimentel, considera que a Secretaria de Educação do DF poderia ter contratado uma banca examinadora mais bem preparada. “Há uma clara falta de preocupação com a segurança da prova, que foi feita com pouco zelo. Além da má elaboração de algumas questões de gramática, há uma delas que apresenta duas respostas”, apontou.

A assessoria do IBFC alega que a seleção ainda está em fase de recurso—até 23 de dezembro, pelo site www.ibfc.org.br—e que, até o fechamento desta edição, não tinha conhecimento de questões plagiadas. De acordo com o instituto, caso seja comprovado que há perguntas idênticas às de outros concursos, serão anulados apenas os itens, e não a prova inteira.

Sobre a divulgação das imagens feitas via celular por uma candidata, a organizadora disse não ser motivo para interromper o concurso, porque, argumenta, não houve fraude. Para a banca, o vídeo mostra apenas o cartão de respostas em branco, sem o caderno de provas. A autora da gravação foi identificada e será desclassificada da seleção, sob o argumento de que provocou tumulto.

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