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Feliz concurso novo

Vagas não faltam para 2014, mas os concurseiros precisam recomeçar a temporada de estudos a todo vapor e pensar em resultados a longo prazo. Segundo especialistas, a aprovação costuma levar de seis meses a um ano

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postado em 13/01/2014 10:24 / atualizado em 13/01/2014 10:28

Daniel Ferreira
O ano mal começou, mas, para os concurseiros que pretendem conquistar uma das muitas vagas previstas para 2014, a jornada de estudos tem início agora. É preciso estabelecer a rotina de aprendizado e revisão de matérias básicas e específicas o mais rapidamente. E, embora o período de junho a dezembro se mostre escasso para nomeações, especialistas afirmam que os candidatos não podem relaxar nos estudos, com o risco de perder as oportunidades ofertadas.

“A atual tendência de cursos preparatórios é investir em métodos a longo prazo, que visam seleções que ainda nem contam com um edital. Por conta disso, as turmas não esvaziam, mesmo em períodos atípicos, como o começo do ano. O concursando, hoje, reconhece a importância de se organizar com antecedência”, explica o professor de direito constitucional do curso preparatório Vestcon Fabrício Sarmanho. É consenso entre os especialistas que a aprovação leva de seis meses a um ano.

Para 2014, estão previstas 47.112 vagas no Poder Executivo no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Desse total, 42.353 serão para cargos já existentes e 4.759 para substituir postos atualmente ocupados por terceirizados. Além disso, há a possibilidade de 5.438 contratações nos Poderes Legislativo e Judiciário e 6.697 nas Forças Armadas. De acordo com o Ministério do Planejamento, o foco dos postos na administração pública este ano estará nos setores de educação, saúde, Justiça, segurança pública e na área econômica.

Estratégias

Manter uma rotina de estudos e evitar distrações são as estratégias de Cleyton Santos, 27 anos, para não ser atropelado pela concorrência em 2014. Formado em administração, ele se aventurou como empresário, mas decidiu deixar o ramo e investir no desejo de seguir carreira pública. Atualmente, está inscrito em uma turma que aguarda o certame do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal para o cargo de soldado e não mede esforços. Cleyton destina as tardes ao estudo individual, além de assistir a aulas em vídeo e fazer o cursinho presencial à noite. “A partir da metade do ano pretendo aproveitar o tempo para reforçar os conhecimentos em algumas matérias básicas de maneira mais isolada, mas sem perder o ritmo com o restante”, conta.

Luara Corrêa, 25 anos, também não pretende descansar este ano. A jovem se prepara para o certame previsto da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados. Novata no mundo dos concursos, ela estuda desde agosto de 2013 e entende que os eventos previstos para o ano, como a Copa do Mundo e as eleições, podem atrasar a tão sonhada nomeação. “É um concurso de várias etapas e nem tem edital publicado no Diário Oficial da União ainda. Então, creio que fique para 2015 mesmo”, conta. Luara acredita que o esforço antecipado seja importante para aumentar as chances de passar, e que a presença em sala de aula a ajuda a se manter focada no objetivo. “Hoje, minha profissão é ser concurseira. Não tenho emprego, por isso, não há sentido em tirar férias”, explica.

Carreiras cobiçadas
Segundo o coach e professor de administração financeira e orçamentária Bruno Fracalossi, do site Ponto dos Concursos, as seleções federais costumam seguir um ciclo em que, normalmente, são abertos no segundo ano do atual mandato de presidente da República e se encerram em até seis meses antes do ano de eleições. “Com isso, é possível prever a abertura de novas seleções ao longo dos semestres, como a da Polícia Federal e Civil do DF e da Rodoviária Federal, além daqueles que já estão definidos”, explica. O segundo semestre contará com os jogos da Copa do Mundo e as eleições nacionais, eventos que devem fazer com que boa parte das seleções se concentre nos primeiros meses do ano.

Fracalossi acredita que 2014 oferecerá atrativos aos concurseiros devido à variedade de vagas, carreiras e órgãos que devem aparecer ao longo dos meses. “São postos de trabalho cobiçados. Alguns tribunais, como o Tribunal Regional do Trabalho, por exemplo, criaram vagas. Um auditor fiscal do trabalho ou perito da Polícia Civil, entre outras profissões, oferecem salários iniciais que ficam entre R$ 10 mil e R$ 14 mil — oportunidades que quem perder vai se arrepender”, aconselha. Como indicação de como manter o ânimo ao longo dos meses, o coach recomenda aos candidatos estabelecerem uma disciplina de estudos, montarem cronogramas e a refazerem provas antigas. “Mesmo sem edital na praça é preciso consolidar as matérias básicas e recorrentes a partir da leitura de material teórico, resumos e solução de exercícios.”

Na opinião de Fabrício Sarmanho, da Vestcon, ainda há a possibilidade de o número de vagas oferecidas aumentar devido ao deficit que certos setores do funcionalismo público apresentam. “Concursos como o da Polícia Federal possuem grande demanda de servidores e temos boas expectativas de preenchimentos de cargos, além dos tribunais, cujos concursos começam a vencer em breve, como é o caso do Superior Tribunal de Justiça (STJ)”, completa. O conselho do professor para se manter o ritmo dos estudos durante o segundo semestre é reservar tempo de analisar o nível de conhecimentos em matérias que já possui domínio, além de revisar as disciplinas básicas dos certames, como português, direito constitucional e informática. “É um momento que pode ser utilizado em um curso para trabalhar as deficiências que eles têm nesses tópicos”, diz.

Embora exista a ideia de que quando há eleições não é possível realizar concursos, a realidade não é bem essa. Os certames públicos em anos eleitorais são orientados pela Lei nº 9.504, de 1997, que restringe as nomeações ou exonerações de servidores nos três meses que antecedem o pleito — que ocorrerá em outubro — até a posse, em janeiro de 2015. “Isso foi idealizado para evitar favores políticos, mas não interfere de forma alguma na realização de concursos públicos”, explica o diretor pedagógico da rede de cursos preparatórios LFG, Francisco Fontenele. Essa restrição está ligada à esfera em que ocorre o processo de votos — no caso, nos níveis estadual e federal. Porém, se o concurso for confirmado antes dos 90 dias descritos na lei, as nomeações podem ocorrer a qualquer momento do ano.

De acordo com Fontenele, os dispositivos legais que existem para assegurar o funcionamento e a legislação de processos seletivos em ano eleitoral normatizam o caso. Assim, o principal fator que deve alterar os cronogramas será mesmo a Copa do Mundo. “Na primeira fase do torneio, algumas datas de jogos serão decretadas feriados municipais, não só pela importância do evento, mas também por razões de mobilidade e segurança. Com isso, algumas provas podem ser antecipadas ou atrasadas”, comenta o especialista, que acredita que a maioria das publicações de editais deve ocorrer até a primeira quinzena de abril.

Análise feita pelo Ministério do Planejamento mostra que o período eleitoral costuma afetar o número de autorizações na segunda metade do ano. Em 2010, no primeiro semestre, foram abertas 23,8 mil oportunidades em comparação a 5,8 mil no segundo. Já nas nomeações, a queda é ainda mais evidente: de 16 mil na primeira metade o número chegou a 695 nos últimos meses.

Despesas

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a remuneração no setor público supera em 92% a da iniciativa privada — com salários que variam de R$ 1,8 mil a R$ 23 mil. Esses benefícios, no entanto, têm efeito nos cofres públicos. De acordo com o PLOA, caso todas as vagas previstas para o ano sejam ocupadas, a despesas de 2015 serão de R$ 2,053 bilhões para os empregos já existentes e de R$ 224,9 milhões para aquelas destinadas à substituição de funcionários terceirizados.

 

 

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