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Apesar de pouco conhecida, a banca que aplicará a prova da PRF não deve trazer questões muito complexas. Concurseiros precisam dominar raciocínio lógico, português e noções de direito

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postado em 14/04/2014 10:17

Memorizar as conjunções é um dos desafios do candidato Júlio Mota, 34 anos (Lucas Vidigal/Esp. CB/D.A Press  ) 
Memorizar as conjunções é um dos desafios do candidato Júlio Mota, 34 anos

O concurso da Polícia Rodoviária Federal oferecerá 216 vagas para agente administrativo em todos os estados. Para o Distrito Federal, estão previstas oito oportunidades. O edital foi divulgado no início da última semana e quem for participar do certame deve ficar atento à banca examinadora responsável por aplicar a prova: será a Fundação Carlos Augusto Bittencourt (Funcab), pouco conhecida dos concurseiros.

Para especialistas em concursos públicos, a Funcab não apresentou questões muito complexas em certames anteriores. Segundo o professor de raciocínio lógico do curso preparatório Grancursos Luis Telles, a organizadora deve cobrar textos curtos e simples no enunciado, sem utilizar notação e simbologia, típicas da disciplina. “Eles vão dar uma sequência de fatos para que o aluno marque a conclusão correta”, aposta Telles.

Ainda de acordo com o professor, o mais importante para se dar bem na parte de raciocínio lógico é ler com atenção os enunciados, que, em outras bancas, seriam cobrados na forma de simbologia. “Tabela verdade pode cair em forma de texto. Então, quem pensa que raciocínio lógico está mais próximo de matemática se engana, pois a prova vai exigir muito mais interpretação de texto”, afirma.

Já as questões de língua portuguesa devem cobrar mais gramática. “Até 80% da parte de português dos certames organizados pela banca focam no conhecimento das funções gramaticais”, afirma o professor Fernando Pestana, autor do livro A gramática para concursos (Ed. Elsevier / R$ 146,90/ 1.112 páginas). De acordo com o especialista, os assuntos que mais aparecem, como sinonímia e coesão referencial e sequencial, exigem bom vocabulário. Outro conteúdo que merece atenção especial é o uso das conjunções, que sempre está presente nos exames da banca. “Não tem outro jeito, o candidato precisa memorizar um pouco delas a cada dia para acertar todos os itens”, recomenda.

Decorar conjunções será o maior desafio para o administrador Júlio Mota, 34 anos. “Esse é um assunto que preciso estudar mais, pois tenho um pouco de dificuldade”, conta. Porém, pela formação em área próxima ao cargo concorrido no certame, Júlio terá facilidade para responder questões sobre noções de administração e de direito administrativo. “Ética e noções de direito constitucional eu também tenho mais tranquilidade, já que aparecem em outros concursos”, afirma.

Foco
Para quem teme que a Funcab aumentará o nível de cobrança no conteúdo de noções de direito, o professor e advogado especialista em concursos públicos Fabio Ximenes afirma que o edital não trouxe nada que chamasse muito a atenção. Segundo ele, o melhor é manter o foco no que já vem sendo cobrado em outras seleções. “Em direito constitucional, por exemplo, sempre caem itens sobre o artigo quinto da Constituição”, afirma.

Porém, como o cargo oferecido é de agente administrativo, podem ser cobradas questões relativas ao assunto mesmo na parte de direito constitucional. “O artigo 37, que fala da administração direta e indireta, e até mesmo a parte de segurança pública, que começa no artigo 144, devem aparecer”, comenta Ximenes.

Além disso, o candidato provavelmete não encontrará novidades na prova de direito administrativo. Para Ximenes, o melhor é dar enfoque à Lei nº 8.112 — que trata do estatuto dos servidores públicos — aos atos e poderes administrativos e à Lei nº 8.666, de licitações. “Bancas menos conhecidas, como a Funcab, exigem que o aluno tenha cuidado com o texto e a literalidade da lei, sem cobrar jurisprudência.”

O que diz o edital
Polícia Rodoviária Federal

Vagas: 216 — oito para o DF
Cargo: agente administrativo (nível médio)
Remuneração: R$ 2.043,17
Inscrições: até 30 de abril
Taxa: R$ 60
Prova: 25 de maio
Edital: www.funcab.org

PASSE BEM / Língua portuguesa
Preserva-se o sentido de: “Em que pesem essas diferenças, quando falamos em Ética, atribuímos valores, positivos e negativos às condutas.” (parágrafo 3), com a substituição de EM QUE PESEM por:
A) A despeito de
B) A partir de
C) À vista de
D) À luz de
E) Acerca de

Gabarito: A
Comentário: Se, no dia da prova, você tivesse um bom conhecimento de coesão sequencial, mais especificamente dos conectivos (normalmente conjunções/locuções conjuntivas e preposições/locuções prepositivas), certamente acertaria essa questão sem ter de voltar ao texto. Note que a expressão “em que pesem” tem sentido concessivo, introduz uma ressalva ou uma ideia em oposição a outra dentro do período em que se encontra. Tanto isso é verdade que poderíamos reescrever a frase do enunciado usando outras expressões concessivas, como uma locução prepositiva (apesar de, não obstante, nada obstante, a despeito de, sem embargo de) ou uma conjunção/locução conjuntiva (embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que): “Apesar dessas diferenças, quando falamos em Ética, atribuímos valores, positivos e negativos às condutas”. Portanto, só poderíamos marcar a letra A, porque a locução prepositiva “A despeito de” é a única que tem valor concessivo. As demais expressões conectivas têm valor de B) limite espaço-temporal, C) opinião, D) conformidade, opinião, E) assunto.

Comentário do professor Fernando Pestana sobre questão do concurso para perito criminal da Sesp/MT, elaborada pela Funcab
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