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Brasileiros são aprovados em programas do Google

Lucas Kanashiro, de Brasília, participa do Google Summer of Code

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postado em 03/07/2014 16:18 / atualizado em 03/07/2014 16:32

O brasiliense Lucas Kanashiro, da Universidade de Brasília (UnB), e o recifense Murilo Gun foram selecionados para programas da empresa Google. Lucas, 20 anos, é o primeiro brasileiro a integrar o time de estudantes que participam do Google Summer of Code, projeto que integra alunos e programadores profissionais no desenvolvimento de soluções em softwares livres. Já Murilo, 31 anos, passou no processo seletivo da Singularity University, mais conhecida como a Universidade do Google, localizada no Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, no Vale do Silício.

Lucas Kanashiro está no 8º semestre de engenharia de software do câmpus do Gama da UnB e foi selecionado para integrar o time de programadores envolvidos no projeto Debian Continuous Integrations. A seleção ocorreu em maio e Lucas vai trabalhar no projeto ao longo de três meses. “É uma experiência ótima. Vou melhorar meu currículo, ganhar um aprendizado técnico bem alto e até melhorar meu networking. Com o pessoal do Google, vou conhecer pessoas muito boas na área de software, em que pretendo trabalhar”, comenta. Além do ganho em experiência, ao final do projeto, o estudante vai receber uma bolsa de US$ 5,5 mil.

Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press
Para desenvolver melhorias no sistema operacional Debian, baseado no Linux, Lucas vai trabalhar virtualmente. Todo o trabalho é feito pelo computador, sem necessidade de encontros presenciais. “Nunca tinha trabalhado remotamente com muitas pessoas e isso é uma realidade do mundo de software. A comunicação é mais difícil, mas é bom para eu aprender desde cedo a lidar com isso”, esclarece.

O trabalho de Lucas será orientado pelo mentor Antônio Terceiro. Profissional experiente na área de software, Terceiro é responsável por revisar as soluções em programação sugeridas por Lucas e, caso necessário, propor decisões diferentes. Quando estudante e mentor entram em um acordo, enviam a conclusão do trabalho ao restante da equipe. “É importante porque ele me ajuda a resolver os desafios técnicos. Quando fico sem saber o que fazer, ele me mostra o caminho das pedras”, avalia.

Em 2014, o programa do Google selecionou 1.296 participantes de vários países para integrar a equipe de desenvolvimento de softwares livres de 190 organizações. Para ser selecionado no concurso, Lucas enviou uma proposta de projeto e teve seu histórico avaliado. Segundo ele, foi um fator importante a experiência de trabalho que teve no Laboratório Avançado de Produção, Pesquisa e Inovação de Software (Lappis), localizado no câmpus da UnB do Gama.

Segundo Lucas, as oportunidades proporcionadas pelo laboratório Lappis foram fundamentais ao seu crescimento profissional. “Na faculdade, não te passam tudo, mas você ganha uma base legal pra conseguir avançar”, explica. Além disso, o Lappis mantém parcerias com universidades e institutos de pesquisa internacionais, que proporcionam oportunidades de complementar o aprendizado. “Fora as parcerias do governo, como o Ciência sem Fronteiras”, completa.

Trajetória
Nascido em Luziânia (GO) e criado em Taguatinga (DF), Lucas Kanashiro passou no vestibular da UnB para Engenharias no Gama, mas ainda nem sabia qual núcleo da engenharia iria escolher para estudar. A decisão veio nos primeiros semestres, depois de cursar a matéria de computação básica.

Interessado em participar de empresas de referência na área de software, Lucas aceitou o convite do professor e coordenador do Lappis, Paulo Meirelles, a tentar o processo seletivo do Google Summer Camp. Quando descobriu que foi aceito, Lucas e a família comemoraram bastante. “Eles ficaram bem orgulhosos quando souberam o resultado”, conta.

Arquivo Pessoal
Brasileiro na Singularity University

O recifense Murilo Gun, 31 anos, também vai representar o Brasil em um programa do Google. Murilo foi selecionado para fazer o curso intensivo da Singularity University (SU), mais conhecida como a Universidade do Google. Localizada no Vale do Silício, a SU foi fundada pelo futurista Ray Kurzweil e pelo empreendedor espacial Peter Diamandis e funciona no Ames Research Center da Nasa.

Com o objetivo de aplicar tecnologias para encontrar soluções aos grandes desafios da humanidade, a SU seleciona estudantes do mundo todo que se dedicam a diferentes áreas do conhecimento. Além de ser formado em administração de empresas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com um MBA em gestão de negócios no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Murilo também atua como humorista, palestrante e empreendedor. “Apesar da Singularity ser uma escola com forte pegada tecnológica, o objetivo final da SU é resolver problemas. A tecnologia é apenas uma ferramenta. E a criatividade é outra. Por isso vim parar aqui”, acrescenta.

Na Universidade do Google, os alunos assistem a apresentações de profissionais oriundos de diversas áreas do conhecimento, além de experimentar produtos inovadores (como o Google Glass) e preparar atividades práticas, como a realização de palestras uns para os outros. Segundo Murilo, o aprendizado mais importante que adquiriu na SU até agora é uma previsão para o futuro. De acordo com ele, as três tecnologias que vão mudar o mundo são a biotecnologia, a nanotecnologia e a robótica. “Dessas três a que mais me encanta é a biotecnologia. O ser humano conseguiu "hackear" a vida. A biologia virou uma linguagem de programação. E isso abre um imenso universo de possibilidades”, conta.

A seleção para a SU também é diferenciada. Ao invés de prestar um vestibular, os candidatos devem enviar um currículo, responder a perguntas abertas, criar um vídeo, realizar entrevistas via Skype e entregar uma carta de recomendação. Diferentemente de outras instituições, a SU avalia a fluência em inglês pela própria entrevista, sem necessidade de apresentar um certificado de proficiência. “Eles valorizam muito a diversidade porque eles sabem que quanto mais diversificados forem os inputs dos alunos, maior a probabilidade de gerar conexões inovadoras. Acredito que a minha história de empreendedor nerd, artista cômico e professor de criatividade deve ter deixado eles no mínimo curiosos.”, conta.

Humorista e empreendedor
Murilo já fez de tudo um pouco. Logo aos 14 anos, em 1997, Murilo criou um site que ganhou duas vezes o prêmio iBest de melhor site do Brasil. A partir dessa experiência, passou dez anos trabalhando com tecnologia: criou algumas startups, se envolveu com produtoras web e lançou dois livros sobre comércio eletrônico e e-mail marketing.

E foi a partir de 2006 que Murilo se interessou pela comédia stand-up. Inicialmente, se revezava entre as carreiras de empresário e comediante. Depois de dois anos, especializou-se em shows de comédia para eventos empresariais. Além disso, passou a fazer palestras sobre criatividade orientada para solução de problemas. Em 2013, participou no programa de humor Amigos da Onça, transmitido pelo SBT, e hoje viaja pelo Brasil com seu espetáculo solo.
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