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Justiça derruba sonho de aprovados

A maioria dos candidatos classificados no vestibular da ESCS depois de falha do Cespe abriram mão da vaga por conta da demora no julgamento de liminares

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postado em 04/08/2014 11:39

No início do ano, o erro do Cespe motivou protestos de quem foi prejudicado: aulas acabaram suspensas e muitos estudantes entraram na Justiça (Breno Fortes/CB/D.A Press - 25/3/14) 
No início do ano, o erro do Cespe motivou protestos de quem foi prejudicado: aulas acabaram suspensas e muitos estudantes entraram na Justiça


Duas listas de aprovados com nomes diferentes mudaram a dinâmica de uma das melhores faculdades de medicina e de enfermagem do Distrito Federal. Quatro meses depois do erro cometido pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), muitos dos 58 estudantes classificados erroneamente desistiram da tão sonhada vaga na Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS). Apenas 16 ainda se mantêm em sala de aula por causa de liminares, que vão sendo derrubadas, uma a uma, ao longo do semestre. Na época da crise, a ESCS suspendeu as atividades, que foram retomadas pouco depois, com mais alunos do que a instituição pode suportar.

Com um ano de cursinho, Lúcio Henrique Correia Lopes, 18 anos, conseguiu passar na primeira lista da ESCS. O jovem morava em Goiânia e transferiu toda a vida para Brasília: alugou apartamento com amigos, comprou livros, uniforme, começou as aulas. Ele deu entrada em liminar contra a instituição que acabou considerada inválida pelo colegiado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). “O que me deixa muito triste é que eu era o próximo da lista de espera. Caso alguém desistisse, teria garantido a vaga”, lamenta.

Sem perspectiva de voltar para a faculdade, Lúcio encara uma nova velha realidade: voltou ao cursinho. “Estou muito desanimado. A minha convivência com o pessoal da ESCS ainda é grande, então não é algo que seja fácil de desligar.

Pensei em desistir, mas não faz sentido tentar outra coisa, então, vou insistir”, afirma. Diferentemente de alguns colegas desclassificados, ele não desistiu da instituição de ensino, porque sempre sonhou em estudar lá, onde o irmão mais velho se formou. “Erros acontecem. Apesar de tudo, acredito que essa é uma questão de crescimento e construção pessoal”, garante.

A ESCS, que não teve participação no erro do Cespe, fez o possível para atender os alunos que foram aprovados legalmente e os que mantiveram vagas por liminares. “Tivemos grandes dificuldades durante o semestre, mas cuidamos para que isso não prejudicasse muito o aprendizado dos estudantes. Tive que iniciar um ano de turmas de 14 alunos, com capacidade para oito. É atípico, mas temos a expectativa de que as coisas se resolvam aos poucos”, afirma a diretora-geral da escola, Maria Dilma Alves Teodoro.

De todos os estudantes que entraram na Justiça, 10 de medicina e seis de enfermagem se mantêm em sala de aula. Como nenhuma das sentenças ainda foi proferida, é difícil prever o futuro dessa turma. “Vamos ter que esperar a definição para nos organizar. Nossa metodologia é diferente, não trabalho com departamentos ou disciplinas, o curso é anual. Tem algumas características que dificultariam esse processo. Mas, se for determinado que temos que absorvê-los, o faremos sem prejuízo”, garante Maria Dilma.


Outras opções
Para o estudante Rafael Santini, 21 anos, a opção foi buscar outros resultados. Quando foi aprovado na lista errada da ESCS, ele também tinha passado no vestibular de medicina do UniCeub. “Estou tentando recuperar a minha vaga, acho que vou conseguir. A maioria do pessoal voltou para o cursinho, infelizmente. Ninguém está disposto a ficar esperando a resposta do TJDFT por causa do que vimos durante o semestre passado. Além disso, a Justiça não parece favorável à nossa causa”, lamenta. “Eu estou tranquilo, sei que vai dar tudo certo. Não vou ter que voltar para o cursinho, fazer todas aquelas mesmas matérias de novo. O problema disso tudo foi a viagem emocional, aquilo foi muito difícil para todos nós”, afirma.

Mas nem todas as notícias são tristes: com a segunda e a terceira chamadas do vestibular, alguns alunos prejudicados pelo Cespe garantiram vagas, por mérito, na instituição. “Por mais que essa situação tenha sido estressante, conseguimos absorver uma parte desses alunos dentro da classificação oficial”, comemora a professora. Foram chamados, para a medicina, oito alunos. Na enfermagem, entraram 12, até a quarta chamada.


Nota equivocada
O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), responsável pelo vestibular da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs), errou na pontuação das redações dos candidatos, fazendo com que 33 estudantes de medicina e 25 de enfermagem fossem aprovados sem a nota necessária. A primeira lista foi divulgada antes de a falha ser detectada.

Durante o começo do semestre letivo, o edital foi anulado e substituído por outro, com outros nomes.
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