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Cursinhos iniciam reestruturação

Gran Cursos e Vestcon reduzem despesas e se preparam para enfrentar a crise do mercado

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postado em 05/12/2014 13:00

Rodolfo Costa

Unidade da Vestcon, na Asa Norte: poucos funcionários para atendimento aos raros alunos ainda presentes  (Rodolfo Costa/CB/D.A.Press) 
Unidade da Vestcon, na Asa Norte: poucos funcionários para atendimento aos raros alunos ainda presentes

A crise que atinge o mercado de cursinhos preparatórios para seleções públicas levou o Gran Cursos a realizar um forte enxugamento de sua estrutura para sobreviver aos novos tempos. O presidente do grupo, José Wilson Granjeiro, confirmou em entrevista ao Correio que está fechando duas unidades de grande porte, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG) e em Taguatinga, mas negou que a empresa esteja sendo incorporada por outra. Para substituir as unidades fechadas, quatro, de menor porte, serão abertas em Samambaia, Asa Norte, Asa Sul, em janeiro, e uma nova em Taguatinga, que deve ser inaugurada na próxima segunda-feira.


Mais do que um ano de Copa do Mundo e de eleições, a falta de concursos de grande porte em nível federal e distrital deixou o mercado em Brasília estagnado, sendo comparado por Granjeiro a 2011, primeiro ano de gestão da presidente Dilma Rousseff. “Naquele período, ficamos nove meses sem editais. Foi um período muito ruim porque todas as reservas secaram. Assim como estamos agora, não imaginávamos que teríamos receitas em desequilíbrio. Este ano, ficamos seis meses sem edital. Isso gera um furo no caixa”, explicou ele, garantindo que a debandada de alunos das salas de aula não é uma exclusividade da capital. “Esse fenômeno está acontecendo em todo o país”, disse.


Granjeiro não negou estar com dívidas, mas garantiu que os compromissos estão sendo controlados. “Vou começar 2015 com a situação tranquila. Não devo a professor nem a funcionário, e os débitos com fornecedores estão todos equacionados. Como tivemos problemas com receita, estamos colocando tudo em fluxo de caixa”, afirmou.
Diante da realidade econômica do país, Granjeiro decidiu cortar despesas trocando o aluguel da unidades maiores por outros mais baratos em outras localidades. Ele ressaltou que os atuais e os novos alunos não terão prejuízo, porque serão beneficiados com estruturas mais modernas e com cursos até 20% mais baratos.

Negativa
Logo na entrada da unidade da Vestcon, na Asa Norte, dos oito guichês para atendimento ao consumidor existentes, apenas um estava funcionando na tarde de ontem. Apesar de as salas de estudo e de laboratório de informática continuarem abertos, poucos concurseiros estavam no local. Nem mesmo a loja que vende livros, apostilas e outros materiais estava aberta.


Ontem, depois dos boatos de que o grupo estaria fechando as portas, o presidente do Vestcon, Ernani Pimentel, explicou que uma reestruturação do curso preparatório já estava prevista para o período de recesso de fim de ano. “Adiantamos uma semana no calendário previsto”, disse. Segundo ele, 80% dos funcionários foram demitidos por conta da atual situação financeira, que não atinge apenas o setor de concursos, mas a todos os outros”, lamentou.


No início da semana, trabalhadores chegaram a paralisar atividades em protesto por atrasos de pagamento, alunos prestaram queixas ao Procon e ex-funcionários entraram com ação na Justiça contra a empresa. Diante desse quadro, Ernani pediu 10 dias para os estudantes para ficar a “a par” da situação. “Vamos responder todos os questionamentos dos alunos, só precisamos de tempo”, garantiu. Ele ressalta que as aulas serão retomadas em 15 de janeiro e, até lá, manterá todos informados. “Até alunos que haviam solicitado o cancelamento da matrícula voltaram atrás e desejam permanecer no curso.”

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