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20 grandes concursos esperados para este ano

Dados do Ministério do Planejamento mostram que existem 20 mil postos federais vagos. Expectativa é de que, em um primeiro momento, sejam publicados editais para órgãos com maior defasagem de servidores, como o INSS

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postado em 05/01/2015 11:39 / atualizado em 05/01/2015 11:46

Rodolfo Costa , Bárbara Nascimento

Apesar do arrocho fiscal previsto para 2015, boas oportunidades devem ser abertas para quem almeja uma vaga na administração pública federal. Conforme o Ministério do Planejamento, cerca de 20 mil postos estão vagos e precisam ser preenchidos, isso sem contar cargos que ainda dependem de aprovação do Congresso Nacional para existirem. Os especialistas no setor apontam pelo menos 20 grandes seleções que devem movimentar a vida dos concurseiros este ano (confira arte).

Diante da necessidade de cortes de gastos, o governo deverá estabelecer prioridades na hora de definir quais editais serão abertos. No topo da lista devem estar, por exemplo, os órgãos com grande defasagem por conta de aposentadorias e necessidade de substituição de terceirizados. A Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac) estima que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está entre os casos mais graves, com um deficit de 19 mil servidores, considerando 10 mil que estão em condições de se aposentar. “Esses concursos têm que sair, senão a máquina pública para”, aponta a diretora executiva da Anpac, Maria Thereza Sombra.

Ela espera ainda que o enxugamento das contas públicas passe pelo corte mais rigoroso dos cargos terceirizados. Mesmo com a recente política de substituição desses postos por meio de concursos, vivemos uma realidade em que milhares de aprovados estão na fila esperando para tomar posse em um cargo que é ocupado por esses profissionais”, critica.

O especialista em mercado de trabalho Carlos Alberto Ramos, da Universidade de Brasília (UnB), acredita que o programa de austeridade fiscal do governo, contudo, pode fazer com que as nomeações sejam mais lentas neste ano, respeitando a lista de prioridades do governo. “Editais podem ser postergados, e contratações de servidores devem ser realizadas com o pé no freio, em ritmo lento”, prevê.

Segundo semestre
Em um primeiro momento, os especialistas acreditam que o governo deve esperar o retorno das novas políticas, com resultados sólidos na arrecadação e no crescimento para, só então, fazer nomeações. Por isso, a maior movimentação é esperada na segunda metade do ano. “Devemos observar mais prudência na hora de aprovar editais. Só serão abertas vagas essenciais”, analisa o professor de administração financeira e orçamentária e orçamento público do IMP Concursos, Anderson Ferreira. “O governo tem anunciado outros contingenciamentos e medidas para reequilibrar as receitas, como aumento de tributação e mudanças no seguro-desemprego. Não haverá apenas o corte para o lado do funcionalismo”, completa.

No pior dos cenários, diz ele, 2015 será um ano equivalente a 2014. No ano passado, 20,6 mil vagas foram autorizadas ou providas. “Isso quer dizer que alguns concursos podem ser retardados, mas isso não deve desanimar o candidato. As vagas precisam ser preenchidas, o que aumenta expectativa para os próximos anos”, completa Ferreira. “A não realização de concursos pode fazer o Estado perder a governança. O país precisa manter a capacidade de administração com o mínimo de eficiência para promover o interesse público”, diz.

Algumas seleções, inclusive, serão imprescindíveis para o equilíbrio das contas públicas, destaca ele. “A própria Receita Federal tem o quadro defasado e precisa de mais servidores para otimizar o processo de arrecadação”, afirma. Outros certames que estavam previstos para sair ao longo de 2014, mas não foram lançados, são esperados já neste ano, como o do Tribunal de Contas da União (TCU), da Receita Federal e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

 

Previsão

A previsão feita na Lei de Diretrizes Orçamentárias inclui todos os cargos a serem preenchidos ou criados nos Três Poderes, incluindo postos militares (preenchidos por concurso ou não). Isso não significa, no entanto, que todas essas vagas serão preenchidas no exercício de 2015, esclarece o Ministério do Planejamento.

Chance em vários estados


Apesar dos possíveis cortes previstos para seleções em 2015, nos primeiros dias do ano, a situação é boa para quem quer uma vaga na administração pública. Ao menos 38 mil postos estão abertos atualmente para certames federais, estaduais e no Distrito Federal. Quem almeja uma vaga em uma universidade deve ficar atento: hoje encerram-se as inscrições para 154 cargos de nível superior e médio nas universidades federais do Amazonas, de Goiás e do Espírito Santo. Na Defensoria Pública do estado de Mato Grosso, as inscrições também terminam hoje para uma das 109 chances. Esta é a última semana, ainda, para quem quer concorrer por um dos 45 postos da Petrobras, que envolvem salários de até R$ 8,8 mil. As inscrições vão até o dia 12 , segunda-feira que vem, no portal da banca organizadora, a Cesgranrio.

 Entre os grandes concursos previstos para encerrarem inscrições ainda em janeiro estão as seleções para o Banco do Brasil, com 2.499 vagas para formação de cadastro de reserva, e para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), que oferece 978 oportunidades de níveis superior e médio, além de formação de cadastro de reserva. Para essa última, os salários vão desde R$ 1,7 mil a R$ 8,2 mil. Para ambos os órgãos, o período para inscrições termina em 19 de janeiro. Atenção também ao certame do Ministério da Previdência Social, que oferece 40 vagas e remuneração de até R$ 6,1 mil. Os interessados têm até o fim do mês para concorrer.

Sem desânimo
Mesmo que, por conta do corte de gastos do governo, o ano não continue tão aquecido para os certames, a dica é não desanimar. Passar em um concurso público requer dedicação e paciência. Esse, aliás, é um bom momento para focar e se adiantar nos estudos. Iniciar a preparação apenas quando o edital é publicado é um erro, garantem os especialistas.

Estudar provas de certames passados, revisar exercícios e exames aplicados pela banca examinadora do concurso de desejo são alguns dos melhores métodos para fixar o conteúdo, recomenda Gilber Botelho, professor de língua portuguesa de cursinhos preparatórios. “Se não praticar, perde a fluência. A repetição é a mãe da aprendizagem”, ressalta. Também é importante ter foco nos conteúdos básicos, como gramática.

Organizar-se e estabelecer um foco é imprescindível. “O ideal é ele saber qual área planeja seguir e onde trabalhar”, aconselha o diretor-presidente do Gran Cursos, José Wilson Granjeiro. Para isso, é importante estudar a legislação do órgão almejado, os conteúdos específicos e conhecer atributos e requisitos para sair na frente da concorrência.

O estudante Emiliano Luiz Neto, 22 anos, bateu na trave no último concurso que prestou, para a Polícia Civil do Tocantins, realizado em 2014, e não quer ficar para trás. O sonho da estabilidade o motiva a estudar por mais de 12 horas por dia. Prestes a tentar a seleção para o cargo de perito criminal da Polícia Civil de Goiás, em fevereiro, garante que não abandonará os livros se não for aprovado. Para isso, ele tem uma estratégia. “Eu me formei em física no fim de 2013, e durante os quatro anos de curso, economizei o dinheiro que ganhei com estágio e trabalho. Hoje, uso essa reserva para bancar meus estudos e não perder o foco”, afirma.

Em maio, fará dois anos que o estudante Joel de Castro Oliveira, 40, não mede esforços para ingressar no serviço público. No entanto, tamanha dedicação já está no limite. Após esbarrar na tentativa de passar em órgãos da área de segurança pública, ele vai apostar as fichas no concurso da Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal (Sesipe/DF) para agente penitenciário. Caso não seja aprovado, admite a possibilidade de ir para a iniciativa privada. “Já estou cansado. Minha esposa tem sustentado a casa, mas diante da inflação elevada, eu preciso ajudar”, diz. (BN e RC)


 

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