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Mais um dia difícil para estudantes que precisam do Fies

As aulas nas instituições de ensino superior já começaram e muitos alunos ainda não conseguiram o financiamento por conta de problemas no sistema de cadastramento

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postado em 19/03/2015 15:34 / atualizado em 19/03/2015 18:52

Elton Santos / Divulgação
 

Apesar da presidente Dilma Rousseff ter afirmado em coletiva de imprensa na quarta-feira (18), que todos os de 1,9 milhão de estudantes que têm contrato com o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) serão contemplados, o clima de preocupação ainda está presente entre os alunos. Desde que começou o período de registro e aditamento, alunos e instituições de ensino superior têm enfrentado lentidão e erros constantes Sistema Informatizado do Fies (SisFies), plataforma disponibilizada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC). O prazo para aditamento e para novas inscrições vai até 30 de abril.

Por meio da assessoria de imprensa, o FNDE afirma que “os contratos já existentes com o Fies estão assegurados”. A nota justifica que os problemas no sistema são por conta do grande número de acessos e que “sistemas de grande volume de acessos passam por esse tipo de situação, de forma sazonal, e os órgãos responsáveis estão tomando todas as medidas possíveis para superar as dificuldades.” Entre as medidas foram ampliados os horários de atendimento do telefone 0800 616161, que serve como central de relacionamento com os estudantes, para os finais de semana. Além disso, o orgão diz que faz reuniões periódicas com o MEC e entidades representativas das instituições de ensino para esclarecer e buscar soluções.

Desde o início da graduação, Barbara Thainara Freire, 24, financia o curso por meio do Fies e nunca teve problemas com o sistema de cadastramento. Porém, este ano a estudante do 7º semestre de odontologia da Universidade Paulista (Unip) não conseguiu fazer o aditamento (renovação e atualização de dados) do programa e se sente insegura com a situação. “Não sei o que vou fazer se não conseguir. Eu só estudo e meus pais não conseguem pagar essa dívida”, afirma. Ela tenta fazer a operação desde 28 de janeiro, quando o SisFies ficou disponível para fazer o procedimento de atualização. “Não consigo nem entrar na primeira página do aditamento. Aí fico nesse impasse. Já voltei a estudar, mas não consegui renovar o financiamento”, explica.

Os alunos da faculdade Upis Antônio Carlos Antunes, 49 anos, do 4º semestre de direito, e Chintia Gárcia, 32, estudante do 1º semestre de história, passam por situação semelhante. A aluna também tenta fazer o aditamento desde de janeiro, mas até agora não conseguiu. Ela entrou em contato com o FNDE, que alegou que o problema era da faculdade com o SisFies, mas ao falar com a instituição a informação era de erro no sistema do órgão. “Fica nesse jogo de empurra. Todo o dia acesso o site para ver se já passaram os problemas com o aditamento e até agora não nada. Fico preocupada. Se der algum problema, vou ter que trancar o curso”, conta Chintia. Antônio Carlos conseguiu fazer o processo de renovação pelo site, mas até agora o sistema não passou a confirmação da transição para a tesouraria da faculdade. “Entro no site do Fies e demora a carregar. Quando conclui, não me informa sobre a situação e a tesouraria da faculdade não recebeu a mensagem de que eu fiz o processo, ou seja, meu aditamento está suspenso e não sei porque”, conta.

Alternativas para minimizar os danos
As instituições de ensino superior afirmam que também enfrentam problemas com o Sisfies. Por meio da assessoria, a Unip afirmou que às vezes, para cadastrar o aluno, uma página demora cerca 15 minutos para carregar. Segundo a faculdade, esse é o motivo das filas que os alunos têm enfrentado. A instituição tem aceitado matrículas e renovações dos alunos que ainda não conseguiram o financiamento.

Os alunos da Upis que não conseguiram fazer o aditamento ou a inscrição do financiamento precisaram assinar um termo de compromisso para realizar a renovação e a matrícula no curso. Segundo o diretor administrativo, José Rodolpho Assenço, essa medida busca assegurar a instituição e garantir a aula ao alunos. “Tomamos essa decisão assim que começaram os problemas no final de janeiro. Os estudantes assinam um termo em que afirmam estarem cientes de que caso não consigam o Fies, não terão bolsa integral e terão de arcar com os custos ou trancar o curso e esperar nova oportunidade”, explica. O diretor também afirma que a lentidão do sistema tem ocasionado filas no atendimento dos alunos e que para evitar longo tempo de espera, está agendando com os alunos o atendimento e nos dias de muito movimento, desloca funcionários da área de tecnologia para reforçar o atendimento. “A culpa não é da faculdade, e sim do sistema. Nossos atendentes estão trabalhando em horários especiais e mesmo com essas medidas, tem alunos que são atendidos às 23h30”, afirma. As filas diminuíram, mas ainda há um período de espera.
Kelsiane Nunes/Esp. CB.

Dificuldade para os novos cadastros
Os problemas com o SisFies não são só com os alunos que precisam fazer o aditamento. Os que buscaram o financiamento neste ano também não conseguem se inscrever. A dificuldade de João Victor da Silva Barbosa, 18 anos, 1º semestre de enfermagem na Unip, é finalizar todas as etapas do cadastramento on-line. “Já consegui me inscrever, mas quando peço para fazer a simulação financeira, a plataforma trava e volta tudo para o início. Já fiz minha matrícula na faculdade e as contas já chegaram, mas o setor financeiro da instituição disse que se eu conseguir, não vou precisar pagar nada. Então até agora não fiz o pagamento”, conta.

Rebeca Samara dos Santos, 23, está no 6º semestre de administração na mesma instituição que João e sempre pagou o curso. Porém foi exonerada do cargo de assessora especial do Governo do Distrito Federal no início do ano e precisou recorrer ao Fies para continuar a faculdade. “Demorei uns três dias para conseguir me inscrever. No início eu usei dois computadores, o pessoal e o notebook, para ver se assim eu conseguia. Agora o problema é no atendimento da faculdade. Tem muita gente tentando o financiamento então as filas são grandes. Na última vez, esperei duas horas e meia e não consegui entregar a documentação. A informação que a faculdade me deu é que o sistema está lento e por isso os atendimentos demoram”, conta. Na quarta-feira (18), Rebeca finalmente conseguiu entregar os documentos e dessa vez, não enfrentou filas. O próximo passo da estudante é fazer o contrato com a instituição bancária, para depois ter o financiamento aprovado.

Mudanças nas regras
O fundo de financiamento abrange mais de 1,6 mil instituições de ensino superior. Em dezembro de 2014, as regras do financiamento passaram por uma série de modificações. O MEC estabeleceu que não será mais permitida a utilização simultânea ao Programa Universidade para Todos (ProUni) para que o estudante faça cursos em instituições diferentes, exigem média mínima de 450 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que o solicitante não tenha zerado a redação. Estudantes com bolsa parcial do ProUni podem requerer o Fies para cobrir o restante dos custos se ambos os benefícios se destinarem ao mesmo curso e soma dos dois não resultar em valor superior às despesas estudantis. Quem acumula os programas e não se enquadra nas novas regras deve escolher apenas um deles. Além disso, só terão atendimento pleno ao sistema de financiamento os cursos da instituições que tiverem nota máxima (5) na Avaliação do Ensino Superior. Graduações com notas 4 e 3 sofrerão restrições. Antes, bastava nota 3.

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