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Reta final para os novos contratos do Fies

Universitários vivem calvário nos últimos dias de inscrição para conseguir o benefício. Quem não obtém o financiamento, recorre a instituições privadas ou desiste dos estudos

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postado em 26/04/2015 18:05 / atualizado em 27/04/2015 12:57

Breno Fortes

A quatro dias de terminar o prazo para inscrição de novos contratos no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), candidatos ainda enfrentam dificuldades para conseguir o benefício. Devido às mudanças que o programa sofreu desde dezembro, a oferta foi restringida. Segundo dados do Fundo Nacional da Educação (FNDE) da última semana, foram admitidos 242 mil novos beneficiários. Em 2014, o número chegou a 731,7 mil. As vagas, neste ano, ficam abaixo das 500 mil esperadas pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), com base no número de alunos aprovados em processos seletivos que solicitaram o benefício.

Na última semana, o Ministério da Educação (MEC) adiou o limite de renovação de contratos para 29 de maio, em meio às dificuldades provocadas pela alteração do programa. Segundo o FNDE, 296 mil alunos aguardam o aditamento. O prazo de 30 de abril, contudo, foi mantido para novos pedidos. Antes, a adesão podia ser feita durante todo o ano e não havia a exigência de 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além de não ter zerado a redação para aderir ao financiamento. A pasta também limitou o reajuste das mensalidades a 6,4% e está priorizando, nos novos contratos, cursos com nota máxima (5) no Conceito Preliminar de Curso (CPC), índice que avalia a qualidade. Vagas para graduações com notas 3 e 4 são analisadas a partir de aspectos regionais. Até o ano passado, bastava alcançar nota 3.

A administradora Lili Curalov, de 55 anos, não terá como pagar o curso de medicina da filha, caso não consiga o financiamento subsidiado pelo governo. Vivian Borba, 21, frequenta a Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, desde fevereiro. “Fiz um empréstimo para pagar a matrícula e estou com três mensalidades vencidas. É uma dívida de mais de R$ 20 mil”, afirma. Após entrar em contato com o MEC, a faculdade recomendou que a mãe da estudante alterasse o valor da semestralidade, a fim de se adequar ao teto do reajuste. O site, contudo, não grava a alteração e não há resposta. Uma das mensagens enviadas pelo site está há quatro semanas sem resposta. A família está mobilizada desde 23 de fevereiro, quando abriram as inscrições. “Eu tenho tentando a noite inteira. Nós ficamos quase 24 horas por dia on-line e não conseguimos”, conta Lili.

Alternativa
O mesmo problema ocorre com Giselle Alves Lopes, 19 anos, estudante do primeiro semestre de Publicidade na unidade de Contagem (MG) do Centro Universitário Una. A instituição informa que não há limitação de vagas, e que a questão deveria ser resolvida com o MEC. “Meu pai está pagando (a mensalidade de R$ 1.050 desde fevereiro), mas avisou que, até o próximo semestre, eu vou ter que pagar”, afirma. A família busca outras opções, como o financiamento privado, mas, em geral, os programas cobrem só 50% do valor da mensalidade — enquanto no Fies pode chegar a 100% —, cobram juros mais altos e oferecem prazo menor para quitar o empréstimo. É necessário ainda ter um garantidor com renda a partir de um salário mínimo sem restrições de crédito no SPC e no Serasa e comprovar renda mínima de duas vezes o valor da mensalidade.

Depois de tentativas recorrentes desde fevereiro, a estudante do primeiro semestre de pedagogia Carolina Canedo, 20 anos, desistiu do benefício e decidiu recorrer ao financiamento privado. Ela paga cerca de R$ 230, metade do valor da mensalidade. O restante será pago após a formatura, em até quatro anos, com correção da inflação. Os juros do Pravaler, maior programa privado de crédito universitário do país, podem chegar a 2,19% ao mês. No caso de Carolina, são subsidiados pela faculdade onde estuda, o Centro Universitário Estácio Brasília, devido a um acordo entre as instituições. A universitária tomou a decisão por causa das incertezas causadas pelas mudanças no Fies. “A faculdade falou que o MEC não passou o número exato estipulado de vagas e que, às vezes, a pessoa conseguia; em outros casos não, e eu já tinha começado a faculdade”, conta.

“Fiz um empréstimo para pagar a matrícula e estou com três mensalidades vencidas. É uma dívida de mais de R$ 20 mil”
Lili Curalov, administradora, que não tem como pagar o curso de medicina da filha

242 mil
Quantidade de novos beneficiários inscritos no Fies nas últimas semanas