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Correio Braziliense

Procuram-se arqueólogos

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional oferece 48 vagas em 21 cidades com remuneração de R$ 8,3 mil

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postado em 03/05/2015 14:34 / atualizado em 04/05/2015 09:48

Arquivo Pessoal

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está com inscrições abertas para o processo seletivo que visa contratar 48 arqueólogos. A oportunidade é temporária para contrato de 1 ano, prorrogável por mais quatro. Até 12 de maio, podem se candidatar graduados em arqueologia ou quem tem pós-graduação strictu sensu (mestrado ou doutorado) na área. É preciso comprovar experiência superior a cinco anos no ramo, após a conclusão do curso. A remuneração será de R$ 8,3 mil para uma jornada de 40 horas semanais. As vagas estão distribuídas entre as cidades de Brasília (12), Rio Branco (1), Maceió (2), Manaus (2), Macapá (2), Salvador (1), Fortaleza (2), Vitória (1), São Luís (1), Campo Grande (2), Cuiabá (1), Belém (3), João Pessoa (2), Curitiba (1), Natal (2), Porto Velho (2), Porto Alegre (2), Florianópolis (3), Boa Vista (2), Aracaju (2) e Palmas (1).

Processo seletivo
Organizada pela Cetro Concursos, a seleção consiste em avaliação curricular e prova, composta por 50 questões objetivas — 20 de conhecimentos básicos em língua portuguesa (10 itens valendo 1,5 ponto cada), direitos constitucional e administrativo e legislação aplicada ao Iphan (10 itens valendo 1 ponto cada); em conhecimentos específicos, serão 15 itens de conceitos e legislação aplicados ao patrimônio arqueológico e ao licenciamento ambiental valendo 2,5 cada e 15 de arqueologia valendo 2,5. O exame será aplicado em Brasília, Manaus, Belém, Teresina, Natal, Recife, Aracaju, Rio de Janeiro, Florianópolis e Cuiabá.

A professora de português Selma Frasão, do Alub Concursos, acredita que as questões deste certame terão nível intermediário, podendo chegar ao mais complexo. “A banca costuma cobrar itens com conteúdo muito direcionado, e as pessoas tendem a ter dificuldade nas regras, então eu recomendo quatro horas diárias de estudo, agregando todas as modalidades, téorica, prática e audiovisual (videoaulas), principalmente por causa do peso da disciplina.” Selma recomenda a leitura atenta aos textos e ressalta a necessidade de atenção aos comandos de compreensão e interpretação textual. “Com certeza, haverá alguma questão de substituição de termo, tendo que verificar o contexto em que ele se encontra. Outros conteúdos passíveis de cair são concordância verbal, regência, pontuação, crase e períodos subordinados, focando nas adjetivas pelo valor interpretativo”, prevê.

Catarina Molisani Sortaba, 27 anos, especialista em arqueologia e assistente de gerência em projetos do Fronteiras Arqueologia, acredita que, para ter sucesso, os candidatos devem ter a legislação e a história da arqueologia no Brasil na ponta da língua. “Em março, o Iphan lançou uma nova legislação, a Normativa nº 1/2015, que mudou tudo referente às normas de arqueologia preventiva, algo que o Iphan trabalha bastante, então creio que isso será algo de grande peso na prova”, alerta. Ela presume que esta prova será bastante parecida com a última, realizada pelo Instituto Americano do Desenvolvimento (Iades). “Há uma legislação nova, mas o Decreto nº 25/37, a Portaria nº 7/88 e a Lei 3.924/1961 vão continuar sendo relevantes.” Na parte específica, ela acredita que haverá bastante referência a materiais encontrados, sambaquis, primeiras escavações no Brasil, cartas patrimoniais e as pesquisas do Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento da Agropecuária (Pronapa).

Para passar
Graduado em arqueologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alexandre Cavalcanti, 26 anos, ainda não sabe se vai preferir trabalhar em Brasília ou em Fortaleza, caso seja aprovado. Ele decidiu fazer o concurso motivado pelo salário e pela possibilidade de aumentar a rede de contatos profissionais. “Para passar, estudo sozinho uma hora por dia. Não tenho dificuldade em nenhuma matéria, mas a recente revogação da Portaria nº 230 do Iphan e a publicação da Instrução Normativa nº 1 acabaram atrapalhando um pouco meu plano de estudos, pois, como meu trabalho de conclusão de curso tratou dos mecanismos legais de proteção ao patrimônio arquelógico, eu pretendia dar menos atenção a essa área. As mudanças me fizerem refazer meu planejamento”, revela. Alexandre acredita que a prova não vai ser difícil e espera que as questões sejam diferentes das do concurso passado. “Na última seleção, os itens não eram eficientes para medir a diferença de nível entre os candidatos”, opina. Ele acredita que a exigência de uma diploma específico em arqueologia é uma vitória para a profissão, porque ajuda na regulamentação da mesma e gera um trabalho de maior qualidade.


O que diz o edital

Processo seletivo simplificado do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

  • Inscrições: até 12 de maio, pelo site www.cetroconcursos.org.br
  • Taxa: R$ 195
  • Salário: R$ 8,3 mil
  • Vagas: 48
  • Provas: 14 de junho

Passe bem/ Arqueologia

Assinale a alternativa que apresenta o nome do sítio arqueológico, estudado por diferentes autores desde o século 19, onde se identificaram algumas das cerâmicas mais antigas do continente americano, com cerca de sete mil anos de idade.
(A) Lapa Vermelha IV
(B) Toca do Boqueirão da Pedra Furada
(C) Teso dos Bichos
(D) Taperinha
(E) Alice Boer

Comentário:
A questão mostra exatamente como é cobrado o conhecimento de tradição brasileira em arqueologia; nesse caso, numa questão mais regional e a importância que o Iphan dá a essa história e aos estudos relacionados a ela. É preciso estar atento ao fato de o enfoque do questionamento estar nas cerâmicas. A pesquisadora Ana C. Roosevelt descobriu, em uma expedição ao site arqueológico de Taperinha, nas minas de sambaquis do local, um depósito de cerâmicas que têm, segundo ela, aproximadamente 8 mil anos, e essa foi considerada uma das mais importantes descobertas arqueológicas da Amazônia. Em Lapa Vermelha IV, há um esqueleto de uma mulher datado de 11 mil anos, mas, como a questão foca nas cerâmicas, essa alternativa se torna incorreta e pode confundir por ser mais antiga que os 8 mil anos das cerâmicas de Taperinha. Em Alice Boer, Teso dos Bichos e na Toca do Boqueirão da Pedra Furada, a mesma confusão pode ocorrer por haver inscrições paleolíticas e pinturas de 12 mil anos.
Gabarito: Letra D

Questão retirada do concurso do Iphan para arqueólogo, realizado pelo Iades em 2014, comentada pela especialista em arqueologia Catarina Molisani Sortaba