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Dor de cabeça com o Fies

Alunos de medicina da Católica enfrentam dificuldades para renovar o financiamento por causa de problemas burocráticos. Cinco estão próximos de se formar e temem a interrupção dos estudos

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postado em 14/05/2015 11:07 / atualizado em 14/05/2015 12:01

Gabriela Vinhal

Daniel Ferreira
Um grupo de 30 alunos do curso de medicina da Universidade Católica de Brasília (UCB) vive dias de angústia. Termina na próxima segunda-feira o prazo para levar a documentação ao banco e renovar o contrato do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), mas eles ainda não conseguiram concluir todo o procedimento. No grupo, cinco estão próximos de se formar e temem não ser possível estar na faculdade no semestre que vem, já que não conseguem dar andamento à renovação no sistema do Fies e não têm condições de pagar as altas mensalidades.


Caso a renovação não seja realizada até o próximo dia 18, os estudantes têm até 29 de maio para reabrir o processo e tentar uma segunda renovação. Mas o que preocupa os alunos é justamente a dificuldade em dar andamento à solicitação no site. A estudante do 10º semestre Raissa Figueiredo Lacerda, de 27 anos, pediu, ainda em março, o aditamento (renovação do contrato com o Fies). No entanto, na época, seu formulário apareceu como “não simplificado” — quando é realizada alguma alteração. Raissa explica que não fez nenhuma mudança nos dados e a renda do seu fiador no sistema caiu de R$ 20 mil para.


R$ 4.700, e que a alteração foi feita pelo próprio Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação (FNDES). O salário do fiador deve ser equivalente ao dobro do custo da mensalidade, que está, atualmente, na faixa de R$ 5 mil. Com a queda da renda no cadastro do site, Raissa não estaria, portanto, apta a conseguir a renovação do financiamento.

Após corrigir os dados e confirmar o retorno da renda do fiador para R$ 20 mil, o aditamento de Raissa tornou-se preliminar, ou seja, ainda não confirmado, com a justificativa de que a UCB teria aumentado o preço do curso em 6,97% — valor acima da taxa limítrofe do FNDES, 6,41%. Entretanto, a estudante conta que a maioria dos companheiros de classe tem Fies e quase todos conseguiram concluir a renovação. “Não faz sentido esse tipo de argumento, porque o valor da mensalidade é o mesmo para todos”, reclama.


Mesmo com a confirmação de solicitação da renovação do financiamento, a aluna não consegue imprimir o Documento de Regularidade de Matrícula (DRM), procuração imprescindível para dar continuidade ao processo no banco. “Quando entro no meu perfil do Fies, a opção sequer aparece na minha página. Por isso, a universidade não consegue imprimi-lo”, explica. Ela já registrou algumas reclamações na UCB, no site e no serviço de atendimento por telefone do FNDES, que a aconselhou a esperar pelo término do prazo e, se não conseguisse, ligar novamente para saber como proceder.


O estudante Pedro Henrique Alves Mendes, 27 anos, também do 10º semestre, vive o mesmo drama de Raissa. Após perder o primeiro prazo para levar o DRM ao banco por problemas com o fiador, em 8 de maio, o aluno precisaria abrir um novo pedido de renovação para continuar na luta pelo financiamento. Entretanto, Pedro não consegue dar início ao pedido de renovação, pois “não aparece a opção no site”, segundo ele. O estudante reclama que nem a instituição nem o FNDES sabem explicar o que está acontecendo. “Parece que estamos sendo enganados”, desabafa Pedro.

Semelhanças

A um semestre de se formar, a aluna Letícia Garcia Ricarte, 23 anos, explica o estresse que vem passando porque não consegue imprimir a Declaração de Regularidade de Matrícula. “É difícil ficar 100% focada nas atividades da universidade quando ainda não sei se semestre que vem vou continuar estudando. Nunca tive problemas com o Fies, mas tinha que acontecer no penúltimo semestre do curso?”, lamenta. Goiana, ela ressalta a burocracia que é para concluir o financiamento, porque precisa ir até Goiânia com os documentos em mãos ao lado do fiador e a mulher dele. “Se sair em cima da hora, corro grande risco de perder o prazo”, conclui.


O Correio entrou em contato com o FNDES para saber quais medidas os alunos deveriam tomar diante das recorrentes falhas no sistema e, segundo o órgão, o aumento no valor da mensalidade não deve ser um motivo para a não renovação do financiamento. Os estudantes que não conseguirem imprimir o DRM devem ligar no número de atendimento do FNDES e registrar a queixa.


O prazo para iniciar o processo de aditamento encerra-se em 29 de maio. Caso o prazo específico de algum aluno expire antes desta data, o estudante deve recomeçar o processo. De acordo com o FNDES, após o dia 29, cada caso será analisado separadamente.


Em nota, a UCB informou que a instituição tem se esforçado para que todos os estudantes renovem os contratos no tempo previsto e que já solicitou ao FNDES esclarecimentos sobre a falha no sistema relacionada à emissão do DRM, além de protocolar ofício no órgão relatando os fatos ocorridos. No entanto, questionada sobre as medidas a serem tomadas caso os alunos percam o prazo de renovação e ultrapassem o período de matrículas, a universidade não se manifestou.

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