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Quer ser um diplomata?

Concurso do Instituto Rio Branco seleciona 30 pessoas com nível superior para o cargo. Remuneração inicial é de mais de R$ 15 mil

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postado em 28/06/2015 12:09 / atualizado em 28/06/2015 12:11

Tatyane Mendes
Um dos concursos mais aguardados e concorridos do país está com inscrições abertas. O Ministério das Relações Exteriores oferece 30 vagas, sendo 22 para ampla concorrência, seis para cotas para negros e duas para pessoas com deficiência. Os diplomatas representam o Brasil em outras nações e atuam em negociações de política externa. Ao longo da carreira, podem surgir oportunidades e convites para atuar em diversos países. O salário inicial de R$ 15.005,26 e o status do cargo são outros atrativos da função. Se a concorrência para as seleções do tipo já era alta, desde 2011, passou a ser ainda mais disputada porque o número de vagas oferecidas diminuiu consideravelmente, da média de 100 para 30 por concurso. No ano passado, o índice de concorrência foi de 230,61 candidatos por vaga.

Quem não se assustou com a concorrência deve se apressar: as inscrições foram abertas na última quarta-feira (26) e terminam na próxima sexta-feira (3) pelo site do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe). Segundo a assessoria do Itamaraty, o curto prazo para se inscrever foi estabelecido para que seja possível realizar as três fases do concurso ainda este ano. A primeira etapa consiste em prova objetiva, com 73 questões de certo ou errado, abrangendo conteúdos de língua portuguesa (14), história do Brasil (6), história mundial (11), geografia (5), política internacional (12), língua inglesa (13), noções de economia (6) e noções de direito e direito internacional público (6). A segunda fase é a prova escrita em língua portuguesa, que vale 100 pontos e traz uma redação de tema geral e dois exercícios de interpretação, de análise ou de comentário de textos. A última fase, que será distribuída ao longo de quatro dias, é composta de provas escritas de história do Brasil, política internacional e geografia, noções de economia, noções de direito e direito internacional público, línguas inglesa, espanhola e francesa.

Pelo sonho de passar
Formado em economia e cinema, Bernardo Feitosa, 25 anos, se prepara para o concurso há dois anos e meio. “Escolhi ser diplomata por razões ideológicas: quero poder influenciar decisões internacionais, ter um impacto global e poder trabalhar com direitos humanos.” O jovem dedica, no mínimo, oito horas diárias para estudar por conta própria, por meio de leitura, fichamentos, resoluções de provas antigas e, ocasionalmente, videoaulas. “Minha preocupação maior é com a parte de história, porque você tem que ter o embasamento para responder todas as questões e, na última vez que fiz a prova, as questões da matéria foram bem complexas.” Bernardo não está preocupado com a alta concorrência. “Isso não pode te afetar de forma alguma. Se você parar para pensar, pode ser que a maior parte das pessoas não esteja bem preparada.” Se aprovado no concurso, o aspirante a diplomata gostaria de ir trabalhar em Israel, por interesse na cultura e nos conflitos da região.

Sem fórmula mágica
Com tantas matérias para estudar, não há receita para aprender tudo de uma vez, mas, para a professora de direito internacional do curso Sapientia, Priscila Zillo, nesse momento de preparação é tudo ou nada. “Não é mais hora de ler doutrina e longos textos, é preciso praticar com exercícios, fazer muitas questões de provas antigas e repassar resumos.” Priscila aconselha que os candidatos se mantenham calmos e tenham um panorama de conhecimentos gerais. “Tem que ter tranquilidade na leitura da questão. A primeira fase cobra conhecimentos não aprofundados, de forma básica, mas, consistente. É preciso ter tudo na ponta da língua, consolidar os conhecimentos, mas não, necessariamente,  se aprofundar.” A professora acredita que serão cobrados conteúdos clássicos, como fontes do direito internacional, tribunais internacionais, direito integração e direitos humanos, que vêm caindo em peso em concursos devido a acontecimentos recentes.

Doutor em relações internacionais, professor de política internacional e diretor do curso Audiplo, que oferece formação específica para os candidatos ao concurso de admissão à carreira diplomática, Fabiano Mielniczuk garante que é essencial ter uma boa formação básica. “O candidato precisa, primeiramente, saber superficialmente todos os pontos do edital e, depois, se aprofundar por meio de livros e artigos, resolver exercícios de provas antigas, escrever bastante para se apropriar do conhecimento, além de participar de palestras e seminários.” Para Mielniczuk, a primeira fase é a mais difícil porque elimina a maior parte dos candidatos. Ele ressalta que a seleção, como um todo, tem um grau de dificuldade muito alto. “Geralmente, as pessoas demoram de três a quatro tentativas para passar, mas eu tenho alunos que tentam há 10 anos. Não é um processo que funciona com seis meses de estudo. Na hora da prova, é preciso estar tranquilo, seguro do que sabe e, se não souber, não arrisque: é necessário conhecer os limites do próprio conhecimento.” O professor estima que os conteúdos que cairão na prova estarão relacionados ao agrupamento econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics) e ao bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela (Mercosul). Também devem ser abordadas questões sobre o Banco Continental de Reservas, a participação do Brasil no combate às drogas e o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

Daniel Sousa, professor de economia do Curso Clio, acredita que a matéria tem se aproximado muito dos conteúdos de política internacional, portanto, é provável que estratégias de imersão econômica, macroeconomia aberta, comércio exterior e a integração do Brasil a outros blocos econômicos estejam no foco do concurso. “O candidato precisa ler, preocupando-se sempre em dar atenção maior para a parte de macroeconomia. É importante dar uma olhada em provas antigas para saber como o conteúdo poderá ser cobrado.”

Daniel ainda comenta que a prova aborda um número de temas muito abrangente e, para se sair bem, o candidato precisa ter a capacidade de conhecer um grande número de assuntos diferentes. “Na hora da prova, é válido fazer um rascunho das questões e começar pela parte que acredita ser mais fácil. Lembre-se de que não é preciso responder a todas as questões, assinale apenas as que você sabe.”


O que diz o edital

Concurso público para diplomata do Instituto Rio Branco
  • Inscrições: até sexta-feira (3) pelo site www.cespe.unb.br
  • Taxa: R$ 200
  • Vagas: 30
  • Salário: R$ 15.005,26
  • Provas: a primeira fase será aplicada em 2 de agosto em Brasília e nas 26 capitais. As datas das outras etapas ainda serão confirmadas.

Passe bem / Política internacional


A expansão da Otan tornou-se um novo ingrediente para fricções entre os russos e os membros da Aliança Atlântida. Com essa expansão, passaram a fazer parte da Otan alguns países participantes do antigo Pacto de Varsóvia, além de vários países balcânicos e bálticos.

Comentário
A alternativa está correta. Demandaram do candidato conhecimentos sobre as relações da Rússia com a Europa Ocidental e os Estados Unidos na dimensão militar (a expansão da Otan sempre foi vista como uma ameaça) e sobre seu entorno regional, sendo as Revoluções Coloridas dos anos 2000 (Rosa, na Geórgia; Laranja, na Ucrânia) a principal fonte de preocupação para a Rússia, posto que foram responsáveis pela derrubada de aliados da Rússia nesses países.
Gabarito: Correto

Questão retirada da prova do Instituto Rio Branco, realizada pelo Cespe em 2014, comentada por Fabiano Mielniczuk

 

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